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Textos da minha autoria publicados na última edição do Terra Ruiva. O meu agradecimento aos responsáveis pelo Serrano FC.


Avançar devagar e sem riscos

 

 

Longe da vista, longe do coração. A aldeia de São Marcos da Serra está entregue a si própria desde há muito. A escassez de empregos, o envelhecimento da população, a migração dos jovens, as escassas perspectivas de futuro… nenhuma novidade para quem vive na freguesia serrana. Mas apesar de tantos reveses ainda existem na aldeia motivos de orgulho e de esperança. A barragem, que brevemente chegará às portas da aldeia é um dos motivos de esperança, o Serrano Futebol Clube é um dos motivos de orgulho.

A “carapinha” de esteva que tem no símbolo remonta ao ano de 1981, o ano em que oficialmente o Serrano foi fundado. Mas muito antes disso, em 1936 já o clube dava os primeiros passos. Dos 4 clubes visados nesta reportagem o Serrano FC é sem dúvida aquele que enfrenta mais tranquilo os desafios que o futuro próximo trará. O bom senso, o pragmatismo e a dedicação que os seus dirigentes têm revelado desde há muito fizeram escola. Em Maio passado a direcção mudou. O presidente Alfredo Matias foi substituído no cargo por José Manuel Cabrita. Dois homens de gerações diferentes, de estilos diferentes mas que dão ao clube e à freguesia a garantia de que o Serrano manterá a sua matriz de responsabilidade e perseverança.

É extraordinário o espírito de comunidade da aldeia. Vivem com o que têm e procuram contribuir todos para que a interioridade custe menos. Isso reflecte-se também no associativismo, o clube é de futebol mas o futebol nem parece ser o mais importante para dirigentes e adeptos. É um facto que os jogos são apreciados por todos, não tanto pelo espectáculo mas pelo convívio que proporcionam. Com o pretexto da bola a cada 15 dias juntam-se no Estádio Municipal amigos que a vida separou, coloca-se a conversa em dia, recordam-se outros tempos. Festejam-se os golos, mas nem todos sabem o nome de quem marcou. Falta a juventude e o entusiasmo que sempre carrega com ela. Ao mesmo tempo o Serrano FC vai-se encarregando de manter vivo o nome da aldeia por esse Algarve fora.

Com os seus 8 funcionários o Serrano FC é o principal empregador da freguesia. Isto diz muito da importância que tem para a terra e para os seus quase 300 sócios. No ano passado a actividade desportiva do clube resumia-se ao futebol, onde participou na 2ª Divisão Distrital e terminou no 5º lugar, mas este ano, com a nova direcção, vieram também a Canoagem, o BTT e a aposta nos escalões de formação. Começaram recentemente os treinos de captação de jovens jogadores e a direcção assume o desejo de já esta época lançar as equipas de Benjamins e Infantis. 

A época passada acabou bem mas começou mal. A morte de Manuel Guerreiro, o grande responsável por toda a organização do clube, director de décadas, deixou todos “sem saber bem como reagir. As coisas estavam montadas por ele, todos confiavam no seu trabalho e por isso o clube ressentiu-se imenso. Nas primeiras jornadas tudo parecia correr mal mas aos poucos as forças voltaram e a anterior direcção acabou por fazer o melhor que pôde, por muito pouco não subíamos de divisão.”- diz José Manuel Cabrita, o novo presidente.

Por agora os objectivos são claros, como nos diz o novo responsável máximo: “queremos abrir o clube às pessoas. Incorporamos o BTT e a Canoagem, lançamos a escola de futebol para os miúdos e queremos que as portas da nossa sede estejam sempre abertas. Temos uma sede própria. A maior parte dos clubes não tem uma sede própria.” Quando o assunto é o futebol sénior o pragmatismo da actual direcção vem à tona, “se tivermos transportes escolares há futebol sénior, se não tivermos transportes escolares não há futebol sénior. Tem que ser assim, não podemos colocar em risco o clube por causa do futebol. Por termos abdicado do futebol sénior noutras alturas hoje ainda existimos e não devemos nada a ninguém. Além disso faz parte dos nossos planos acabar com a dependência dos transportes escolares, não podemos ser subsidio-dependentes .

Apesar de ainda não ser conhecido o resultado do concurso público para os transportes escolares, a direcção do Serrano FC já tem já alguns contactos realizados com vista à próxima época, mas o preço da interioridade também se paga no futebol. “É difícil atrair jogadores para jogar aqui. As distâncias são grandes e o campo não ajuda nada. Jogamos num pelado. Quase nenhuma equipa joga em campo pelado no Algarve. Estamos à espera que se cumpra a promessa de um campo relvado feita pela Câmara Municipal, neste momento se tivéssemos relva tínhamos o único campo do concelho com as medidas oficiais.” Desportivamente, se vierem a avançar, a ideia “é lutar pelos lugares de cima. Teremos uma equipa renovada e com custos mais baixos mas com qualidade para poder ambicionar a uma subida de divisão, afinal o que se gasta na 2ª Distrital é praticamente o mesmo que se gasta na 1ª Distrital mas as receitas são melhores e é mais fácil atrair jogadores de qualidade.”

Habituados a viver com pouco, os dirigentes do Serrano FC não se queixam muito da crise. Pelo contrário agradecem duplamente aos apoios que têm. “A Caixa Agrícola de Messines e São Marcos da Serra é o nosso principal patrocinador, a Junta de Freguesia também contribui voluntariamente com o que pode mas não gostamos muito de pedir a ninguém. Não queremos estar dependentes de subsídios para manter o clube em funcionamento. Temos que usar soluções imaginativas. Abrimos um ginásio na sede do clube que colocamos à disposição dos cidadãos mediante o pagamento de uma quota, estamos a pensar num departamento de fisioterapia, em massagens e numa parceria que nos permita trazer algumas medicinas alternativas e produtos naturais para São Marcos. Além disso já organizamos as festas de verão, temos um salão onde poderão ocorrer festas, eventos culturais e onde já se realizam aulas de ginástica para os mais idosos. Haveremos de implementar muitas outras coisas.

José Manuel Cabrita conta com elementos nos novos corpos sociais que já estavam no clube mas agradece a todos os que por lá passaram e saíram. Especialmente ao anterior presidente, Alfredo Matias, de quem diz “ter sido incansável a defender o clube e a lidar com a difícil situação do desaparecimento de Manuel Guerreiro, uma perda imensa para esta terra e para o Serrano FC.

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1 comentário

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De Anónimo a 04.11.2011 às 01:02

Yo soy uno de los 6 de 1981, estoy lejo por las mas variadas razones, hoy por una cosa muy sencilia estibe a mirar la internet y me quede feliz pero un poco triste por saber que Manuel Guerreiro se fue, creo yo que és Joaquim Manuel Guerreiro, un bueno compañero mio, por razones que solo Dios sabe vivo triste e enfermo, mas hoy me sinto mejor por saber que todavia apesar de las dificuldades lo Serrano Futebol Clube está en la lucha Saludos a todos

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