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O meu amigo Tóine anda chateado. Mais que chateado, ele anda mesmo é indignado. Encontrei-o há dias e metemos a “escrita em dia”. No final, meus amigos, até eu fiquei indignado.

Diz o Tóino que foi com os putos à Feira Medieval. Subiu pelo souk acima até chegar à estátua do Dom Afonso onde parou para explicar aos petizes que aquele senhor (foi assim que ele se referiu ao Rei) tinha mandado os mouros para Marrocos e conquistado a cidade. Feita a resenha histórica o Tóino seguiu para o castelo, sedento de mostrar à petizada como devia ter sido tramado tirar aquela malta dali. Chegado aos portões do castelo foi informado que naquele momento decorria por lá um jantar com “o Chacal”. Pela módica quantia de 50 euros por pessoa o Tóino, a patroa e os dois petizes também podiam comer com o Chacal. Começa aqui a indignação: - “Mas o que “raio” dão de comer ao Chacal? Já sabia que os linces do Centro Cinegético comiam carne de primeira, mas por 50 euros o Chacal deve comer camarão tigre com lascas de trufa negra!”

Expliquei ao Tóino que o Chacal desta história não era o canídeo selvagem que vagueia pelas planícies africanas, mas sim um cozinheiro de Lisboa que faz as delícias das nossas elites, da “creme de la creme”. Mais descansado, mas não convencido, o Tóino recordou-me os tempos do presidente José Viola… tempos em que o Castelo estava aberto à “populaça” e em vez de Chacal tínhamos bifanas ou frango assado, em vez de provas de vinho por convite tínhamos cerveja geladinha e em vez da ópera tínhamos os Irís com o “Atira-te ao mar e diz que te empurrarem”. Agora o castelo de Silves é mesmo um castelo medieval, onde o povo não é bem vindo… a não ser que pague, claro.

No campo cultural, deixem que voz diga, o Tóino não poupa críticas a quem nos governa. Contou-me ele que houve quem lesse no jornal uma notícia onde se dava conta da atribuição de um chorudo subsídio a uma “rapaziada” que toca jazz por esse Algarve fora. Parece que a Câmara de Lagos “fechou” a torneira aos artistas e a nossa benemérita Câmara de Silves os acolheu por cá. -“Jazz?!!! Mas quem ouve jazz não é malta que tem dinheiro para pagar as entradas nos concertos?! Então deixam um dos melhores grupos de teatro do Algarve, que por sinal até é de Silves, ir parar a Tavira porque não há verba e depois vão gastar ainda mais para nos dar jazz?!! Deviam ter dado o dinheiro à Ana Malhoa e exigir que fosse animar as festas de natal das escolas, pelo menos assim os paizinhos não arranjavam desculpa para faltar à festa dos miúdos.” – fui obrigado a concordar com o Tóino, a ideia não lembra a todos e jazz nas festas da petizada também não!

Mas a indignação do Tóino não fica por aqui. Contou-me que todos os dias, depois do jantar, lá sai ele de casa para o seu passeio de 30 minutos com o Tibúrcio, o seu rafeiro de estimação. Só que os 30 minutos agora são 45 minutos! Mais 50% de tempo gasto para fazer o mesmo percurso! E não, o Tibúrcio não anda mais devagar nem está a ficar velho. Conta o Tóino que desde que “infestaram” a vila de placas e sinais com os Percursos Pedestres o Tibúrcio não dispensa uma “mijinha” em cada poste. Ora como o Tóino não conseguiu encontrar ainda um percurso sem sinais… há mais de um ano que perde a primeira parte da novela da noite. “Para que raio serve aquilo? Quem teve aquela ideia estapafúrdia? E quanto é custou esta brincadeira a um concelho falido?” – pergunta o meu indignado amigo.

Para rematar em beleza faltava ainda o maior problema de todos. Diz o Tóino que ouviu por ai que a senhora presidente de Câmara se preparava para propor a extinção da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra, através de uma mais que provável fusão na freguesia de Messines. Ora o desgraçado do Tóino tem a sogra a morar em São Marcos e graças aos serviços prestados pela junta local a senhora não tem que se deslocar a Messines para nada (a não ser na noite de consoada, altura em que a sua patroa o obriga a ir buscar a mãezinha). Acabando com o apoio da junta o meu amigo teme que a “velha” passe a ser visita constante lá de casa com a desculpa de tratar da reforma, do IRS, do imposto autárquico, etc… e isso, meus caros leitores, o Tóino não vai aguentar. Digo-vos eu, que o conheço bem.

Na despedida ainda me disse que andava a mandar cupões para a próxima edição do Perdidos na Tribo, a ver se passava umas semanas num local bem gerido e civilizado. Achei boa ideia e até lhe dei o contacto daquele ex-vereador de Armação de Pêra que tem um “doutoramento” em concursos de televisão (além de muitas outras inegáveis qualidades que nos deixam a suspirar por um regresso ao activo). Espero bem que o Tóino vá espairecer para África senão isto é capaz de ficar feio…

 

In: Jornal Terra Ruiva - Setembro de 2011

 

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3 comentários

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De lb a 22.09.2011 às 23:37

pois é! a parolada pensa que é preciso que se façam coisas assim muito...sei lá...coisas de gente fina, para que a cidade desenvolva. são uns tristes.
e se lembras o zé viola, nunca é demais lembrar que foi no seu segundo mandato, que se fez uma das obras que mais contribui para o desenvolvimento da cidade.
foi uma obra importante, uma das mais importantes feitas na cidade em muitos, mas mesmo muitos anos.
foi cara? não foi!
foi complexa de fazer? não foi!
demorou muitos anos? antes pelo contrário!
mandou-se fazer 3 sinais de trânsito, todos iguais.
foram colocados em 3 ruas e proibiram todo o trânsito de autocarros de ir até à zona do castelo.
na altura foi muito criticado, mas quem pode hoje negar que a cidade ganhou nova vida?
o resultado foi o que se sabe, o viola perdeu as eleições e desde então é o que sem visto.
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De manuelfernandes9 a 07.10.2011 às 04:01

Eram quatro os vareadores da oposição,não percebo como se pode centralizar o poder numa pessoa!Por acaso eu até fui um dos criticos...Mais pelo facto de ser necessário pagar para visitar o castelo!
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De Morto de sede a 23.09.2011 às 09:28

E se o Toino morasse no Benaciate de certeza que diria que o dinheiro gasto em pseudo cultura, tais como a ajuda ao grupo de jazz, ou aqueles loucos 180 mil euros na opera do castelo, deviam ter sido gastos na conclusão do abastecimento de agua, uma vergonha, em pleno século XXI.
E diria mais, que tem copias dos orçamentos onde estão inscritas as verbas para essa conclusão, e que gostaria de saber onde foi gasto o dinheirinho destinado à obra.

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