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“Esperar que um concelho se torne adepto fervoroso de cultura construindo museus e teatros é o mesmo que esperar que o comboio apareça em Monchique construindo uma simples estação.” É este o mote para o texto desta edição. É mês de Carnaval e por isso ninguém há-de levar a mal.

 

Em Portugal temos tendência para “falsas unanimidades” e somos por vezes levados a recear dizer que não gostamos de “ballet” ou de Maria João Pires com medo de quebrar essas mesmas unanimidades. Existe o receio que nos chamem estúpidos, ignorantes ou mal formados se formos contra a corrente.

 

Tenho falado com algumas pessoas e fica-me a impressão de que muitos não concordam com a construção de um segundo Museu em Messines, com o Museu em São Marcos ou com a “pipa de massa” que se gastou no Teatro Gregório Mascarenhas. Mas, apesar de não concordarem tem “medo” de o assumir e levar o rótulo de “atrasados” para casa. Eu não me importo de o levar, até porque não estou contra os Museus… estou é a favor de muita outra coisa que nos faz falta.

 

Ninguém parece entender que fazer da cultura o “motor” de desenvolvimento de um concelho “atrasado”, demograficamente desequilibrado, “envelhecido” e “desanimado com o futuro que o espera” é asneira só ao alcance de “predestinados”.

 

Messines não tem (ainda) um Jardim Municipal, um Parque Industrial, um Parque Infantil, uma Politica de Trânsito definida, um Plano Urbanístico sério (se pensarmos bem, nem Silves tem nada disto)… mas, tem um Museu! Se perguntarem aos messinenses o que mais falta lhe fazia para impedir que os seus filhos tenham que ir procurar emprego noutras paragens a resposta não seria, certamente, um Museu!

 

Já sei que o argumento dos defensores da obra vai ser o mesmo que foi usado na questão do pavilhão da escola: - “Ou fazia-se ali e agora, ou o dinheiro fugia para parte incerta.” – e assim se vai conseguindo levar o povo na mão. Não penso assim e para mim é preferível não gastar o dinheiro dos contribuintes do que gastá-lo mal gasto. O Estado – seja o nosso, o alemão ou o francês – não é “uma vaquinha malhada” que sustenta obras feitas “porque sim”. O que quero dizer é que, a ser pago pelos contribuintes, o Museu teria que vir mais à frente, depois de muitas outras necessidades supridas. Só, e apenas isso.

 

Anuncia-se já a “recuperação” do Centro Histórico de Messines como mais uma “obra” a favor dos messinenses. E eu pergunto: -“Quais messinenses?! Os que vivem na vila, ou os que a querem mostrar aos amigos e depois voltar para a terra deles?!”

 

Olhe-se para São Marcos da Serra. O Museu do Azeite, a prometida Estalagem… é isto que a Câmara tem para propor àquelas pessoas?! É com “isto” que se pretende “travar” a “fuga” de pessoas para o litoral?! São Marcos da Serra ficou sem Centro de Saúde, sem Bombeiros, sem Correios, sem Praça… mas tem um Museu! E vai ter uma Estalagem para os visitantes do Museu poderem “descansar”. Prioridades “esquisitas” estas…

 

Faço-vos então uma pergunta para terminar: -“Que nome se dá a um “regime” – baseado na propaganda e persuasão - onde toda a obra é feita com o objectivo alimentar o “ego” do “líder” e das “elites” em vez de beneficiar a população?”

 

Guardem essa resposta na cabeça e lembrem-se dela daqui a 3 anos…

 

Bom Carnaval a todos.

In "Jornal Terra Ruiva" - Fevereiro de 2007

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8 comentários

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De Tony a 24.02.2007 às 02:52

O sr. Paulo Silva está enganado. Ainda está por fazer O Grande Museu do Messinese!!!!!!!! para que os actuais habitantes ( Ucranianos, Brasileiros, Romenos.......) conheçam mais desse ilustre indígena agora extinto.
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De GUPY a 24.02.2007 às 19:40

Olá pessoal, cá estou eu de volta aos comentários acabadinha de chegar de umas maravilhosas férias no Brasil.
E sinceramente pelo que já vi e li hoje... já me apetece ir embora outra vez!
Então é verdade que a Presidente de Cãmara é arguida num processo e não dizia nada á malta ??
Bom, por este andar o mehor é nós começar-mos a pensar em eleições antecipadas... O que dizem da ideia? Vamos a isso??
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De José meireles a 24.02.2007 às 20:02

Calma minha filha, as coisas não são assim tão simples.

Vamos esperar, para vermos o resto do folhetim.

Não se esqueça que isto é à portuguesa. Vai durar até ao fim.
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De Tony a 24.02.2007 às 20:37

Se ela tivesse dito era igual!!! A dra. GUPY não sabe o que é um arguido!!!!!
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De GUPY a 24.02.2007 às 23:01

Oh Sr. TONY , é claro que sei que ser arguido é diferente de ser culpado ou condenado... mas permita-me , o Sr. conhece algum politico neste país que seja constituido arguido sem ter sido pelo menos indiciado ou que pelo menos hajam fortes indícios de que o indíviduo cometeu crime ou acto ilícito ???
É que se acredita!!! Diga-me onde é que mora o Pai Natal!!
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De Tony a 24.02.2007 às 23:39

Dra. GUPY 90% dos políticos que são constituídos arguidos não são acusados!! E dos acusados ( como é o caso da Dra. Isabel Soares ) muitos são inocentes. Só queria dizer que ser arguida por si só não diz nada, estar acusada é que já é diferente!!!
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De Um Doutor a 27.02.2007 às 10:57

E os srs. conhecem algum político que tenha sido condenado? A política é uma via muito boa para a impunidade, enquanto assim for continuaremos a ter a mxxxx de país que temos pois as pessoas honestas não se metem na política para sairem dela enxovalhadas.

Responsabilizem-se os políticos e todos nós em geral que o país melhora. Enquanto todos se sentirem impunes desde aquele que anda em excesso de velocidade na estrada até à presidente de câmara corrupta o país não melhorará.

O problema é que todos queremos isso mas ao mesmo tempo sentimo-nos incomodados com isso. Mas façamo-lo na mesma.
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De Um Doutor a 27.02.2007 às 10:58

E os srs. conhecem algum político que tenha sido condenado? A política é uma via muito boa para a impunidade, enquanto assim for continuaremos a ter a mxxxx de país que temos pois as pessoas honestas não se metem na política para sairem dela enxovalhadas.

Responsabilizem-se os políticos e todos nós em geral que o país melhora. Enquanto todos se sentirem impunes desde aquele que anda em excesso de velocidade na estrada até à presidente de câmara corrupta o país não melhorará.

O problema é que todos queremos isso mas ao mesmo tempo sentimo-nos incomodados com isso. Mas façamo-lo na mesma.

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