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O livro mais vendido na Grécia por estes dias ensina a fazer sopa de feijão sem feijão, a aproveitar os restos de comida para “saborosas” refeições, a criar porcos e galinhas ou até a determinar que alimentos podem ser consumidos fora do prazo de validade sem risco para a saúde. É um reflexo dos tempos e é o consumar daquilo que o meu pai sempre me disse: “Cuidado, que a fartura há-de acabar.” Na verdade quem sabe o que custa ganhar a vida nunca engoliu muito bem a loucura de crédito e consumismo da última década. Para meu mal e de muitos… estavam certos.

Aquilo que os “Medina-carreiristas” profetizavam está ai, em toda a força. Infelizmente parece que este odioso ano de 2011 é apenas um “aperitivo” para o que ai vem e nem todos aceitaram ainda que as coisas mudaram. Darwin dizia: “a espécie que sobrevive não é a mais forte nem a mais inteligente, mas sim a que se adapta melhor”. Apesar da considerável capacidade de adaptação do ser humano (e da capacidade de sofrimento invulgar) é natural que, quando se transporta essa necessidade de adaptação para as estruturas político-sociais, apareçam sempre os “inadaptados” do costume.

Em plena crise financeira Fernando José da Costa, o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha eleito pelo PSD, anunciou que iria baixar (leu bem) o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a derrama e o IRS (dentro da percentagem que cabe às autarquias) como forma de ajudar os munícipes a fazer face às exigências do plano de austeridade. Nas Caldas da Rainha não existe taxa de lixo, o metro cúbico de água custa metade da média nacional e apenas 20% do endividamento permitido por lei está utilizado. Ao mesmo tempo que Fernando José da Costa propunha tais medidas nas Caldas, em Silves, Isabel Soares levava a votação a passagem da Taxa de IMI para o máximo permitido pela lei (entretanto a coisa abortou por votação contra da oposição) e impunha cortes brutais nos subsídios e apoios para associações e instituições do concelho.

Por comparação com Silves as Caldas da Rainha têm 70% mais habitantes (cerca de 55.000), 3 vezes mais freguesias (16 freguesias) e metade dos funcionários(!!!)… É verdade! Ao que parece o pessoal daquela zona não é apenas bom no artesanato “maroto”… são também muito eficientes na gestão da “coisa pública”. Se olharmos para o quadro de pessoal da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, e o compararmos com Silves, iremos descobrir que em trabalhadores especializados, apoio social, auxiliares de educação, administrativos e outros funcionários, que realmente são úteis, as coisas estão equilibradas. A coisa começa a descambar quando falamos de técnicos superiores e chefes de gabinete. Silves tem 6 vezes mais chefes de gabinete do que as Caldas da Rainha e duas vezes mais técnicos superiores.

O que fazem todos estes chefes de gabinete e técnicos superiores?! Bem, muitos deles também não sabem… e poucos trabalham arduamente sem que lhes seja reconhecido o mérito e esforço. Na sua maioria são militantes, apoiantes, “jôtas” ou familiares da “nobreza” local que encontra guarida na bondosa gestão que temos por cá. Há muito que todos sabemos disto. Há muito que se fala disto no concelho e no país. No entanto os responsáveis políticos continuam a agir como se isto não fosse um problema. A senhora presidente, tal como um conhecido vereador da oposição (que até já se “proclama” futuro presidente) estão em sintonia neste campo: “Longe de nós sacrificar estas pessoas e as suas famílias!”. Os outros… nós… os contribuintes incautos… somos esventrados com impostos, perdemos o emprego, mandamos papel higiénico na mochila quando os putos vão para a escola, rebentamos com o carro nos buracos das estradas municipais e vemos associações fundamentais ao tecido social do concelho, como os Bombeiros, agonizar… mas isso não importa nada.

Afinal quem é que precisa de bombeiros, de creches, de desporto para as crianças ou de estradas circuláveis?! Isso são luxos… o que nos faz mesmo falta são linces ibéricos, circuitos pedestres, museus abandonados, teatros fechados e os respectivos “técnicos superiores” que coordenam toda esta parafernália sem a qual seríamos apenas um concelho subdesenvolvido… como as Caldas da Rainha.

Desejo um bom natal a todos os silvenses e rezo, embora sem grande esperança, para que o ano 2012 não nos coloque na posição de ter que traduzir o livro “best-seller” da Grécia.

 

In. Jornal Terra Ruiva - Dezembro de 2011

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1 comentário

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De Atleta a 09.01.2012 às 16:18

Silves tem 15 técnicos superiores de desporto. Mais do que qualquer outra câmara das redondezas. O que fazem eles? Comem à nossa custa e vão de férias para a neve. VIVA O LUXO!

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