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E eis que após vinte e quatro meses de verdadeira loucura eleitoral chegamos a um período de 3 anos e meio sem eleições de qualquer espécie. Pelo menos assim esperamos, pois a realização de qualquer escrutínio nestes 42 meses será sinal de que algo correu terrivelmente mal.

 

Adivinha-se um período saudosista para os carregadores de bandeiras e agitadores de comícios profissionais deste país. Sim, porque para além dos políticos profissionais existem muitos outros “trabalhadores” neste sector de actividade. As tão propaladas máquinas partidárias mais não são do que “empresas” que prestam aos candidatos um serviço indispensável para ganhar votos e manter a notoriedade em níveis aceitáveis. Sem estes bravos e destemidos indivíduos os candidatos arriscavam-se a ter que percorrer sozinhos, em silêncio e quase incógnitos, as ruas e feiras do país. Pior que isso! Arriscavam-se a ficar, de um momento para o outro, rodeados pelo povo. E, já se sabe, o povo é instável! O comportamento de um grupo de indivíduos é imprevisível. Todos os sociólogos são unânimes em admitir que uma palavra a mais pode ter resultados devastadores e que depois da primeira “pedra” é o: “salve-se quem poder”.

Voltemos aos profissionais da política. O leitor estará a pensar nesta altura que dificilmente os fundos de campanha de cada partido, ou candidato, dariam para pagar a tanta gente. Tem razão! O problema é precisamente esse. O pagamento é feito de outra forma e, adivinhou, sai-nos do bolso, para não variar. Digamos que estes profissionais concedem ao candidato crédito. Agitam bandeiras, gritam palavras de ordem até à rouquidão, pulam, saltam, distribuem panfletos, sorriem e correm para a frente das câmaras de televisão como se o seu futuro dependesse disso. Muitas vezes depende mesmo. Nos meses seguintes os mais sortudos, aqueles cujo candidato ou partido chegou ao “poleiro”, vem o seu nome “escarrapachado” no Diário da República e passam a ser - “tchan, tchan” - Funcionários Públicos! Autênticos e de pleno direito como sempre sonharam. Desde pequenos que ouviam lá em casa: “- Vê lá se arranjas um emprego no estado senão hás-de ser sempre um miserável!”

Finalmente deixaram de ser “miseráveis” e passam a olhar para nós com aquele ar que a senhora da “FNAC” põe quando descobre que não temos “Cartão FNAC”, um misto de misericórdia e menosprezo. Passam a ter uma linguagem própria e quando se juntam erguem em redor uma parede intransponível para que no interior possam confidenciar, em tom enfadado e mordaz, as “imbecilidades” que ouviram da boca dos utentes que tiveram o azar de se cruzar no seu caminho. Julgam ser Funcionários Públicos mas não passam de Políticos Profissionais Adidos à Função Pública.

Anime-se caro leitor. As boas novas são que nos próximos 3 anos e meio nós não vamos votar e eles não vão “carregar bandeiras” nem “agitar comícios”. 42 meses sem jantaradas e “festanças” vão, provavelmente, obrigar estes indivíduos a arranjar um emprego a sério! Enquanto isso muita sede partidária por este país vai ficar a “mofar” porque isto da política só tem piada quando há no ar o cheiro do poder. Sem a “cenoura na ponta da vara” o “burro não anda” e só com um bom chuto se mexe. Tudo o que implique ouvir os cidadãos, intervir activamente e agitar consciências só faz sentido 3 meses antes de cada eleição. A impressão que fica é que o “código de ética político” deve ser extremamente rígido com membros que se aproximem dos cidadãos em períodos não eleitorais.

A política e os políticos só sobrevivem porque a memória do povo é curta. Em escassas semanas esquecemo-nos do político que nos enfiou a mão no bolso ou nos deixou à beira de um ataque de nervos. Uma flor e um autocolante com as cores do partido são o suficiente para não lembrar que passaram 4 anos em que tudo à nossa volta cresceu e nós ficamos na mesma. Um “outdoor” bem conseguido faz-nos acreditar que afinal está ali uma boa pessoa e esquecer as “carradas” de pó-de-arroz, as idas à “Corporation Dermostética” e os 1.875 fotos que foram para o lixo antes de conseguir aquele efeito “Cindy Crawford”.

O marketing político embriaga-nos como se fosse medronho caseiro. Da mesma forma que nos roubam a carteira enquanto “curtimos a bebedeira”, roubam-nos o voto enquanto digerimos cores, slogans e hinos feitos em “laboratório” para o efeito.

Pensará o leitor: -“Este hoje está que não se pode! Deve ter bebido uns “cartuchos!”

Por isso vamos lá terminar com esta “lenga-lenga”, e nada melhor que rematar com o moral da história. Todos temos à nossa frente um período de reflexão bastante grande. Vamos estar atentos ao que se escreve, ao que se faz, ao que não se fez, ao que se diz e ao que se desdiz. Vamos aproveitar a “ressaca” para tomar um “Guronsan” e “abrir a pestana”. Vamos lembrar as promessas feitas e não deixar que se desvaneçam no tempo.

Daqui a 39 meses vão aparecer as primeiras “rodadas de medronho” e temos que estar preparados para aguentar a “pancada”.

In "Jornal Terra Ruiva" - Fevereiro de 2006

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