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Deixo-vos aqui o Editorial da Paula Bravo na última edição do Terra Ruiva. Muito bom, parabéns à directora!


Há pouquíssimos meses, a Câmara Municipal de Silves candidatou a Praia Grande, na freguesia de Pêra, ao concurso das Praias Maravilhas da Natureza, que tem estado a decorrer a nível nacional. Uma candidatura merecida e justificada de uma belíssima praia, de dunas impolutas, um longo areal e um mar seguro, tudo isto encostado à Lagoa dos Salgados, hoje reconhecida internacionalmente pelos amantes das aves e um local que atrai todos os anos mais turistas.
Um dos pressupostos da candidatura era a sua beleza selvagem. Muito bem dito! Mas três meses depois, a mesma autarquia apresentou o seu projeto para esse local: três hotéis, aldeamentos, zona comercial, campo de golfe, tudo somado - mais de 4000 mil camas! Tudo isto por cima da tal beleza selvagem condenada ao desaparecimento assim que começarem as obras. Em muitos de nós, restarão as memórias. Assim como me lembro da praia da Galé quando não havia estrada alcatroada e o caminho era uma vereda onde dois carros dificilmente se cruzavam; assim como me lembro dos Salgados sem qualquer construção e um imenso areal onde era possível toda a privacidade, também me lembrarei do último reduto natural, entre Armação de Pêra e Albufeira.
Mas para lá desta nostalgia, sinto bem maior uma perplexidade / indignação. Numa altura em que o turismo no Algarve funciona a meio gás, sobrevivendo a praticar pacotes de férias cada vez menos lucrativos, como é possível estar a apostar-se no mesmo tipo de oferta que abunda em toda a região? Temos uma das últimas belezas naturais da costa algarvia e vamos atulhá-la com aldeamentos e zonas comerciais? Destrui-la com campos de golfe e hotéis em tudo iguais às centenas que já existem?
É este o caminho que queremos?
Mesmo ao lado, o empreendimento dos Salgados, inaugurado há tão pouco tempo com pompa e circunstância, está falido, fechado e com ordenados por pagar. E junto a Alcantarilha, o famoso empreendimento das Amendoeiras, que também iria ser decisivo para o desenvolvimento do concelho, trazendo turistas e empregos, está há muito adiado e parado.
E então, enquanto ao nosso lado todo este modelo de desenvolvimento entra em colapso, nós avançamos de braços abertos na direção do desastre?
Todos os dias ouvimos o nosso primeiro ministro e os outros governantes, com um ar muito sério de quem não ganha ordenados de 500 euros, a dizerem que é necessário tomar medidas difíceis. Que se tomem medidas difíceis e se diga que não a este empreendimento, que se diga que não aos 35 milhões de euros que se anunciam que a Câmara de Silves irá receber de impostos.
Tome-se a decisão de defender o futuro, decida-se defender um património único que, não edificado, se manterá um motivo de atração muito maior do que um aglomerado de construções.
Imagino que ao chegar aqui, os caros leitores, se estarão a perguntar. Mas em que mundo é que vives, paula bravo? E uns irão dizer-me, não te preocupes que aquilo é só fogo de vista, nada irá avançar, que não há dinheiro. Outro dirão, por causa de uma dúzia de aves e de umas dunas espetaculares queres que Silves perca mais esta oportunidade?! Os de mais perto, podem até acrescentar, só porque estás habituada a ir para uma praia onde podes estender a toalha sem atingir o vizinho, e onde não precisas de estar em filas nem para toldos, nem para estacionar, queres manter esses privilégios para sempre?! (Sim, sim, sim!!! Diria eu ).
Seja como for, o que me parece, caro leitor, é que estamos tramados. Se em julho de 2012 quem governa no nosso concelho e na região tem a mesma ideia de desenvolvimento que se tinha nos anos 80 - à exceção da altura das construções que já não atingem tantos andares - estamos tramados. Encalhados. Adiados. Em marcha atrás em relação ao futuro.
E lamento. Lamento a falta de visão, a ausência de imaginação, o arrojo em defender a diferença. Nesta, como noutras questões essenciais, estamos todos no mesmo barco e este há muito que mete água.

 

Autora: Paula Bravo - in Terra Ruiva, Junho de 2012

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