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Levo tantos anos a escrever neste jornal e é precisamente num curto período de ausência que tudo acontece neste concelho! Não é justo. Se tivesse a mania das grandezas era “gajo” para dizer que estiveram a ver se me distraia para “fazê-las”.

E passo a enumerar: 1. O PS escolhe Fernando Serpa como candidato à Câmara Municipal de Silves. 2. Isabel Soares cede o seu lugar na presidência a Rogério Pinto. 3. Isabel Soares assume um cargo na Administração das Águas do Algarve. 4. Após indecisão política local, Silves vê extintas 2 das suas 8 freguesias. Uma canseira… só faltou venderem o Castelo ao Grupo Pestana!

Sobre o ponto primeiro, pouco a dizer. Era esperado, é despropositado, estava cozinhado e tem tudo para dar… errado. O PS não soube ver que era altura de trazer sangue novo, projectos novos, energia… vai dai, apresenta como “alternativa” quem durante 16 anos colaborou com todas as políticas e erros que afundaram o concelho, na esperança que 2 anos a “assobiar para o lado” e a dizer “não tive nada a ver com isto” sejam suficientes para apagar da memória dos silvenses toda a procrastinação passada. Ainda assim os socialistas do concelho têm razões para estar empolgados. O candidato não ajuda, mas o fim de ciclo no PSD local e o, mais que certo, “puxão de orelhas” ao Governo nas próximas autárquicas permitem sonhar.

Sobre o ponto dois… uma desilusão. Senti-me defraudado. Eu sempre esperei uma cerimónia de sucessão digna das melhores “cortes europeias”, com uma semana de festa, a cidade engalanada, acontecimentos culturais, discursos, inaugurações, fogo-de-artifício e um final apoteótico, com Isabel Soares a chorar em cima do palco e o povo em pranto cá em baixo a despedir-se. O que tivemos foi uma diminuta nota na imprensa a dizer que já não tínhamos presidente e um grande Tornado, que devastou a cidade de Silves, a dizer “habemus” presidente… não fosse isso e, estou convencido, muitos silvenses ainda hoje se julgariam “órfãos de cacique”.

E chegamos ao ponto três. As Águas do Algarve, essa Meca do “tacho e do job”, necessitava de “experiência” nos seus quadros administrativos e escolheu Isabel Soares para o cargo. Alguns, seguramente pouco informados, alegam que a nomeação foi consequência da “amizade íntima” entre a ex-presidente e o “Sr” Miguel Relvas, com o objectivo de… premiar a lealdade (diz que o preço da lealdade está a 4.500 euros por mês e um BMW…) e ao mesmo tempo abrir caminho a Rogério Pinto, para assim ganhar vantagem na corrida autárquica de 2013. Eu, como não sou “anjinho”, vou mais pela da “experiência” (não tarda ainda dizem que foi Relvas quem “encomendou” o Tornado), e quem me dera ter a experiência para levar avante um dos meus projectos: a “Ar de Portugal”, uma empresa que venderia ar aos portugueses. A coisa era simples: mediam-se as caixas torácicas de cada cidadão, calculavam-se os m3 que consumia (se praticasse desporto levava com um agravamento do preço e se fumasse levava com uma taxa de poluição) e mandava-se a factura todos os meses. Se não pagasse… cortava-se o ar! Como é óbvio o Estado pagaria toda a logística e depois entregava-me a dura tarefa de cobrar os dividendos. Fica a ideia, até porque daqui a 12 anos há-de ser necessário “alojar” mais uma “carrada” de presidentes de câmara e eu estou disponível para os receber se me derem a concessão.

E finalmente o ponto quarto. Quem mora na Aldeia Ruiva, “bairro” que fica numa das extremidades da vila de Messines, e se quer deslocar à Junta de Freguesia local terá que percorrer uma distância superior àquela que separa a Junta de Freguesia de Pêra da de Alcantarilha… talvez por isso o Governo tenha optado por agregá-las numa só, tal como Algoz e Tunes. Como é evidente todos somos a favor de poupar na despesa do Estado… desde que não nos toque essa poupança. É claro que a Junta faz falta, mas a verdade é que faz mais falta a uns do que a outros e é preciso tomar opções. Com medo de se queimarem as forças políticas do concelho votaram em bloco sob o lema: “Manter tudo na mesma”… e esperar resultados diferentes! A coragem, a visão e a estratégia no seu expoente máximo… e aplicada por igual por PS, PSD e CDU.

Quando foi criado o actual mapa autárquico, e já tem mais de 100 anos, as pessoas deslocavam-se de burro, comunicavam por carta (as poucas que sabiam escrever) e necessitavam como do pão para a boca da proximidade de uma entidade como a Junta de Freguesia. Hoje a maioria das Juntas pouco mais faz do que gerir o cemitério e alimentar os egos políticos de malta na pré-reforma. Com a facilidade de transporte, com as ferramentas de comunicação existentes, com cada vez mais serviços disponíveis através da Internet ou do telefone há muitas Juntas que se assemelham demasiado com um “brinquedo” muito caro que funciona com “pilhas” também elas muito caras. E digo caro não só pelo que custam directamente, mas sobretudo pelos custos indirectos com as questões de, digamos, “igualdade saloia”… um campo de futebol para cada freguesia, um lar de terceira idade para cada freguesia, uma cresce para cada freguesia, uma carrinha nova para cada freguesia… mesmo que não hajam jogadores, velhos, crianças ou passageiros em quantidade suficiente. Igualdade é igualdade e se “Monte Abaixo” tem, “Monte Acima” também tem que ter.

PS. Quero prestar a minha homenagem ao grande messinense e colaborador deste jornal Silvério Martins, que nos deixou recentemente. Deixa saudades pela amizade com que sempre me tratou, pelo muito que me ensinou e pelo exemplo que foi. Um grande abraço ao Francisco, o seu filho.

In: Terra Ruiva - Janeiro de 2013

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