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Com muita honra publico um texto da "minha directora" Paula Bravo, aqui na qualidade de Paula Bravo a cidadã silvense. Foi uma sensação estranha para mim ser eu a pedir-lhe que me enviasse o texto a tempo... normalmente é ao contrário. Além de professora, de grande dinamizadora da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense a Paula Bravo é por todos conhecida como a Directora do jornal "Terra Ruiva", do qual sou um dos colaboradores. O meu obrigado pela participação...


Rescaldo, Paulo? Mas está tudo a arder!

 

Pede o Paulo que escreva um texto sobre o rescaldo das autárquicas. Rescaldo, Paulo, qual rescaldo se está tudo a arder?!

 

Antes de avançar, quero fazer dois sublinhados. Em primeiro lugar, salientar que este texto é escrito por mim. O que parece óbvio mas não gostaria que se confundisse a Paula que assina este texto, com a que dirige o jornal Terra Ruiva. Isto porque: trabalho é trabalho, e a opinião pessoal é a opinião pessoal, e “as duas paulas” têm-se esforçado sempre para que o jornal seja um espaço sério e aberto a todas as opiniões, pessoas, entidades e partidos.

O segundo ponto é para exprimir uma ideia e poupar trabalho a alguns leitores: fiquei muito contente com o resultado geral destas eleições, principalmente com a vitória da CDU na Câmara Municipal e na Junta de Freguesia de Messines.

São muitas as razões políticas e pessoais para ter ficado contente. Mas, pondo de parte essas motivações, e tentando olhar para as eleições com objetividade, na posse da experiência e dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos em que tenho acompanhado de perto a vida do concelho e muitos dos protagonistas das últimas três décadas, penso que a vitória da CDU foi o resultado que melhor poderá servir o nosso concelho.

O PSD merecia perder a presidência da Câmara Municipal, pela total desgovernação da autarquia e do concelho. O PS não merecia ganhar por ter sido uma oposição sempre a reboque dos interesses dos candidatos do momento, sempre em guerras internas.

E mudar, MUDAR – era o que a maioria das pessoas queria. E foi o que aconteceu, quando a CDU conseguiu personificar a imagem da mudança.

Depois dos jogos, claro, é fácil fazer prognósticos. Mas em que momento, como e porquê decidem as pessoas em quem votar?

Conto uma situação real: há cerca de três anos, fui residir numa rua, sem nome, nem contentores do lixo. Fui à Junta de Freguesia de Messines, falei com o presidente João Carlos, dei-lhe conhecimento da situação, informei que estavam novos residentes a caminho. No dia seguinte, o pedido de contentores já tinha seguido para a Câmara de Silves. Esperamos meses. Finalmente, vieram dois contentores. Entretanto, há mais de um ano, um dos contentores ardeu, por incúria ou maldade. O lixo começou a amontoar-se no chão, a recolha da Câmara passava uma vez por semana… houve alturas que nem isso… falei de novo com o presidente da Junta. Fiquei a saber que a Junta desesperava havia meses para que a Câmara enviasse contentores e caixotes, que o pessoal da Junta andava pelos sítios menos populosos a retirar daí recipientes para colocar nas zonas mais habitadas, numa troca constante, a tentar colmatar os problemas.

Passou um ano, a minha rua continua com um só contentor verde, sujo, sem pedal para levantar a tampa, cujo conteúdo é recolhido espaçadamente. Mas… não é que nos dias mesmo antes das eleições, o camião da Câmara começou a vir recolher o lixo com tanta regularidade que consegui ver o fundo do contentor?!

Recurso a horas extraordinárias? Mas a Câmara tem dinheiro para isto?

… sei que o lixo é um tema pouco interessante, mas sempre digo que depois das  eleições, nunca mais tive o prazer de ver o lixo recolhido a tempo e a horas. E a minha rua continua sem nome oficial, embora haja pessoas a viver aqui vai para cinco anos.

Nesta história resume-se, penso eu, o estado do concelho – o estado a que isto chegou.

Não se engane quem governa: é o dia a dia das pessoas que determina quem escolhem na altura das eleições. Não são os programas de intenções, as chamadas “promessas” que conquistam as pessoas, são as ações diárias; é a capacidade de resolver os problemas concretos - e bem sabemos como estes são cada vez mais.

Não tenho ilusões de que os próximos anos serão difíceis para a CDU, para a sua equipa, para todos nós.

Em muitos sentidos agora é que a luta vai começar:

  • O PS está em frangalhos e ficará totalmente partido se Fernando Serpa, contradizendo o que afirmou anteriormente, se sentar no seu lugar de vereador.
  • O PSD está sem direção, sem rumo, à procura de protagonistas diferentes, quiçá esperando alguns dos quais recusaram integrar as listas.
  • O BE, refém das listas pejadas de “independentes”, procura uma estratégia e um lugar que ainda não encontrou e dificilmente alcançará nos tempos mais próximos.
  • A CDU sabe que o “estado de graça”, que é suposto ser concedido a uma nova equipa governativa, é um estado efémero, e que a realidade tem de se ajustar às expetativas e vice-versa.

 

Há quatro anos atrás a CDU antecipou-se, optou pela renovação, surgiu com Rosa Palma. A inexperiência da nova vereadora foi compensada com trabalho e muita dedicação: estudou os assuntos, discutiu os dossiers com ex-autarcas e técnicos, visitou associações e entidades. Ouviu, perguntou, muitas vezes com grande simplicidade, não tendo receio de admitir que não sabia e que estava ali para aprender. Coragem, determinação, inteligência e sentido de humanidade são qualidades que reconheço na nossa nova presidenta. (E confesso que me dá um gostinho especial de escrever presidenta – no feminino.)

Não termino sem deixar uma ideia que tenho repetido nos últimos dias: não há milagres, nem pessoas perfeitas, nem pessoas totalmente boas ou totalmente más, não existem caminhos inquestionáveis. Mas a qualidade dos nossos autarcas, e aquilo que conquistam ou deixam por fazer, depende muito da nossa intervenção enquanto cidadãos.

 

 

Paula Bravo

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