Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]





Comentários recentes

  • Anónimo

    mais um profeta da desgraça

  • António Duarte

    Para Marinho Pinto chegar a uns 15% não precisará ...

  • António Duarte

    Fico satisfeito por ver que o rapaz ainda está viv...

  • Raposo

    O que eu gostei mais da entrevista foi de saber a ...

  • Lucas

    Eu cá gostava mais das entrevistas do Serpa, reple...





Antigamente não havia nada disto...

 

Quando alguém que não conheço me vem com o cliché do “isto está mau” ou o fatalismo do “futuro negro” fico um pouco sem jeito e desconfortável. Apesar de tentar não o demonstrar passa-me pela cabeça que o sujeito que tenho à minha frente seja um “profissional” daqueles que foi severamente atingido pelo facto de, finalmente, se combater a corrupção e a fuga aos impostos neste país.

 

Não pretendo insinuar que o trabalhador tem hoje vida mais fácil que tinha no passado recente. Muitos não têm seguramente. Aquilo que tem de novo é a perspectiva de que o futuro poderá ser bem melhor.

 

Com os meus 31 anos tenho bem presente na memória os tempos em que haviam “tabelas instituídas” com os valores que cada cidadão deveria pagar, por “baixo da mesa”, se quisesse passar num exame de condução, se quisesse marcar uma escritura ou se quisesse ser atendido num centro médico enquanto ainda estava vivo. Também não me esqueço de que a “fuga aos impostos” era encarada como sinal de grande inteligência. Quem pagava impostos era estúpido e gozado pelos restantes. Ora é precisamente para as classes profissionais habituadas ao “extrazinho” e para aqueles que nunca pagaram um “chavo” de impostos que “isto está mesmo mau”. E, se não mudam de atitude, ainda há-de ficar pior.

 

Dou-vos o exemplo de muitas pequenas empresas. Durante anos privilegiaram a discrição porque entendiam que a forma de ganhar dinheiro era não pagar um tostão ao Estado e por isso tinham que tentar não dar nas vistas. Atitude pouco prudente porque o sucesso de uma empresa depende, em grande parte, da visibilidade que tem no mercado e da atitude vertical que adopta face aos seus clientes. Resultado?! Amealharam uns “tostões” e agora andam preocupados em explicá-los às finanças. Ao mesmo tempo as empresas são improdutivas, obsoletas e desconhecidas. É por isso que não produzimos e temos que comprar tudo aos espanhóis e a todos os outros que, há mais tempo que nós, adquiriram o saudável hábito de pagar impostos. O facto é que, por este e por outros motivos, não temos ainda um tecido empresarial sólido e competitivo.

 

Muito trabalho já foi feito mas muito mais há por fazer. A eleição de Salazar como o “melhor português de sempre” teve o dom deixar visível o descontentamento generalizado dos portugueses face aos seus políticos. Também assim se explica a “boa imagem” que Sócrates tem junto da população. Sendo, ou não sendo, engenheiro José Sócrates é um político diferente. As pessoas esperam dele acção e ele retribui as expectativas, ou pelo menos assim faz parecer.

 

 Para reverter de vez este estado de coisas falta “mandar” o primeiro politico para a “gaiola”. Seja presidente da Câmara, seja Deputado, seja um dos “tubarões”… se meteu “o pé na poça” tem que pagar como pagamos todos nós. Por uma questão de justiça até podíamos começar por proibir esses políticos de contratar, pagos com dinheiros públicos, os melhores e mais influentes advogados que o dinheiro pode comprar para limpar a cara. Se os advogados nomeados pelo Ministério Público servem para nós, os cidadãos, também deveriam servir para eles.

 

Falta-nos também entender de uma vez por todas que o nosso papel de cidadãos impõe que sejamos exigentes para com quem nos governa e para com todos aqueles que são pagos pelo Estado e logo, por via de impostos e descontos, pagos por quem cumpre as suas obrigações. Falo de responsabilizar os autarcas pelas consequências da sua gestão, em responsabilizar os políticos pelas consequências das suas politicas e em responsabilizar os funcionários públicos pela sua incompetência e desleixo. Dizia-me um amigo finlandês que, na terra dele, um funcionário público que se “baldasse” sistematicamente ao trabalho ou que fosse pouco produtivo não durava muito tempo. Era “denunciado” pelos utentes que pagam os seus impostos e se sentem no direito de reclamar.

 

Por cá ainda vamos desculpando estes casos e “virando a cara” para o lado enquanto dizemos: - “Deixa lá! Quem paga é o Estado.” 

In Jornal "Terra Ruiva" - Abril de 2007


Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

Imagem de perfil

De João da Serra a 18.04.2007 às 22:35

Esqueceste-te daqueles que alugam as casas para férias ai à beira-mar e metem o dinheiro todo ao bolso. Bastava por esses a pagar impostos, tanto das casas como dos alugueres, que já dava para baixar o IVA.

Comentar post





Comentários recentes

  • Anónimo

    mais um profeta da desgraça

  • António Duarte

    Para Marinho Pinto chegar a uns 15% não precisará ...

  • António Duarte

    Fico satisfeito por ver que o rapaz ainda está viv...

  • Raposo

    O que eu gostei mais da entrevista foi de saber a ...

  • Lucas

    Eu cá gostava mais das entrevistas do Serpa, reple...