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CONSIDERAÇÕES

30.03.10

 

FEIRA DO FOLAR - Realiza-se já no próximo fim-de-semana a Feira do Folar em São Marcos da Serra. Aquele que é anualmente o único evento digno de registo na freguesia serrana continua a ter Junta de Freguesia e Câmara Municipal de “costas voltadas”. Tudo porque a Junta de Freguesia entende, e quanto a mim muito bem, que sendo a Câmara Municipal a organizadora do evento será sua a responsabilidade pelo licenciamento (ou a falta dele) dos expositores presentes. Já a Câmara Municipal entende que o seu dever é “montar as barracas”, convidar os expositores e cada um que se “amanhe” se as Actividades Económicas aparecerem. Com o tempo que isto já leva não se entende como é que o problema ainda não foi resolvido… até porque todos perdemos com isso!

 

PEDS – O célebre documento que tenta definir a estratégia para o futuro do concelho de Silves apresenta, no capítulo que compara as “ameaças” com as “oportunidades”, algumas posições curiosas. Desde logo porque considera os “Projectos de Desenvolvimento Estruturante” em curso nos concelhos vizinhos como uma ameaça séria ao nosso concelho! Não me ocorre como podem os projectos estruturantes em redor do nosso concelho afectar-nos ao ponto de serem considerados uma ameaça! Se o PEDS se chamasse PEPPS (Plano Estratégico para a Perpetuação do PSD em Silves) eu entenderia o interesse em ter concelhos estagnados ao redor… pelo menos não se notava tanta diferença nem sobressairiam a falta de ideias, de capacidade e de liderança, para já não falar na falta “daquilo com que se compram os melões”!

 

FÁBRICA DO INGLÊS – Continua a sagaz busca de acções que justifiquem transferências de dinheiro da CMS para a Fábrica do Inglês. Depois da Feira dos Saldos seguiu-se o Março Jovem e outros, pelo que se murmura, virão a caminho. Com a FISSUL a ganhar bolor e o Teatro Mascarenhas Gregório fechado torna-se difícil entender porque se gasta tanto dinheiro a “alugar” espaços privados para eventos que caberiam perfeitamente no domínio da propriedade pública. Como todos entendemos o “porquê” destas tomadas de posição deixo aqui algumas ideias para que se arrende a Fábrica do Inglês nos próximos meses:

- Abril: Festival da Fava com Rama de Alho e Toucinho, mostra gastronómica e aromática do concelho,

- Maio: Garraiada Municipal, com 5 vaquinhas 5 para a malta desentorpecer os músculos e soltar a adrenalina,

- Junho: Conferência “Silves a Sevilha do Algarve”, em que se procurarão encontrar diferenças entre as duas cidades e respectivas regiões administrativas,

- Julho: Seminário “Conquistar os Estrangeiros”, potenciar a vocação turística da região com palestras a cargo de Zêzê Camarinha e José Milhazes,

- Agosto: Festival da Cerveja Sagres, onde será possível provar a mesma cerveja a várias temperaturas, em vários tipos de copo e em vários locais do recinto,

- Setembro: Monólogos da Presidente, onde numa iniciativa inédita a Senhora Presidente  contará a sua experiência autárquica e como desassoreou o Arade com uma pá de praia,

- Outubro: Prova de Vinhos Premium, uma iniciativa que visa demonstrar que os mesmos vinhos da iniciativa realizada no Castelo, quando provados num local privado, acentuam os taninos e realçam aromas a frutos vermelhos, chicória e chocolate,

- Novembro: Azeites de São Marcos, uma iniciativa que pretende trazer para Silves todos os stocks de Azeite Gallo e Oliveira da Serra à venda em São Marcos da Serra. Estarão também em exposição, devidamente numeradas, todas as 562 azeitonas produzidas na Freguesia em 2010

- Dezembro: O Pai Natal desce à Fábrica, em noites diferentes a presidente em pessoa vestirá o fato do bonacheirão personagem e descerá do castelo, presa numa grua, para entregar presentes às crianças, aos idosos e aos funcionários da autarquia.

 

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AUTO DA FÉ

26.03.10

 

Há dias, enquanto passeava perto de casa, dei por mim a olhar para uma criança que teria 4 ou 5 anos. Seguia com os seus pais, de aspecto bastante humilde, no banco de trás de um ainda mais humilde automóvel, e, com as duas mãos no vidro lateral e cara entre elas, olhava para o exterior como se os seus olhos contemplassem a mais bela coisa que vira na sua, ainda, curta existência. Não sei para o que olhava. Sei apenas que por uns instantes me revi naquela cena, naquele carro, em criança, com os meus pais… e pensei no que pode ser o mundo visto pelos olhos de uma criança. Depois pensei no que seria o futuro daquele menino e na responsabilidade que temos, enquanto adultos, nele.

Não me seduz a igualdade entre os homens por achar que no interior não somos iguais. O direito à diferença, à opção de trabalhar muito ou pouco, e com isso ter resultados diferentes, é para mim sagrado. Defendo, isso sim, a igualdade de oportunidades. Defendo que todos os “meninos”, de todas as classes, credos e nacionalidades devem ter exactamente as mesmas oportunidades e o mesmo direito de fazerem com elas aquilo que bem entenderem. Defendo também que o principal pensamento de um politico deverá ser os “meninos”ou, traduzindo a metáfora, os interesses dos seus eleitores numa perspectiva de longo prazo.

Thomas Jefferson disse um dia que “a diferença entre um político e um estadista é que o político apenas anseia pela próxima eleição, enquanto o estadista anseia pela próxima geração.” Se estivesse vivo, e conhecesse a realidade política em Portugal, Jefferson bradaria aos céus quando verificasse que todo o sistema está montado e comprovado como sendo “à prova de estadistas”, desde logo porque impera a visão a curto prazo (isto quando a visão ultrapassa o próprio umbigo).

Os estadistas são chatos. Pensam nas pessoas, nos eleitores, no médio e longo prazo. Dizem a verdade e não se importam de criar roturas ou enfrentar lobbys poderosos. Marimba-se para os interesses do “partido” e para os parasitas que os tentam cercar a toda a hora. Um estadista tem vergonha na cara e sente o peso da responsabilidade que carrega. Um estadista é “até capaz” (ironia pura) de se rodear de gente competente que não pertença “à sua família política” (seja lá isso o que for)!! Imagine-se tamanha heresia!

É por estas, e por outras, que os estadistas são corridos dos partidos e quando aparecem são recebidos à pedrada pelos militantes. Afinal, para que serve ser-se militante de um partido se quando esse partido está no poder não nos arranjam uns tachos?! Para que serve “abanar o rabo” sem sequer pensar, a subserviência, o sectarismo e a intolerância se depois “não pinga”?! Não interessa a competência, interessa o cartão de militante, os favores que se fizeram e o apoio que se deu. O militante até pode ser um enorme estúpido e desqualificado, mas se foi fiel será agraciado com um “jobzito”, num qualquer canto, de um qualquer aparelho controlado pelos boys e pago pelo contribuinte. Uns aceitam com vergonha e procuram não dar muito nas vistas, outros gabam-se das influências que moveram para alcançar o “Job” deixando-nos com um nó na garganta e com a sensação de que isto não tem salvação.

O que aconteceu aos partidos movidos por ideais, por convicções ou pelo interesse nacional?! O que aconteceu aos partidos interventivos localmente e sempre atentos aos talentos que podiam recrutar? São perguntas a que não sei responder. O que sei é que os “hereges” começam a contestar, a conspirar e a demonstrar vontade de criar alternativas na mesma proporção em que concelhias e distritais se esvaziam de pessoas, de ideias e de interesse. Os partidos políticos, como as empresas, crescem quando permitem que surjam inovações, rupturas, mudanças… Quando o objectivo é deixar tudo na mesma, em nome de interesses pessoais e partidários, começam a definhar, a morrer lentamente e a empurrar os tais “hereges” para outros campos.

Os nossos políticos, que na sua esmagadora maioria nada têm de estadistas, sabem bem que o que digo é verdade mas na sua sagaz ambição pessoal de “curto prazo” lá vão insistindo no modelo esgotado, tal como quem tira as últimas pingas de leite de uma “vaca faminta”. São poucos os sinais de que a coisa possa mudar e quando algum surge devemos congratular-nos e desejar o melhor possível. Novas pessoas, novas ideias e novos rumos assomam no horizonte do maior partido da oposição no nosso concelho. Vamos ter fé!

 

In jornal Terra Ruiva - Março de 2010

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Há muitos anos que defendo que um dos grandes problemas do nosso país é a duração dos “telejornais”. Nós não temos país para espaços noticiosos com mais de 20 minutos, já incluindo o desporto, a meteorologia e a agenda cultural… mas os espaços estão feitos para 1H a 1:30H!! É preciso uma grande dose de imaginação, outra de demagogia, um punhado de irresponsabilidade e uma pitada de mau gosto para conseguir cozinhar “aquilo”.
Assim se explica que todos os canais respirem de alívio quando acontece uma tragédia como a que aconteceu no Haiti ou na Madeira… durante muitos dias não vão ter que inventar notícias porque já têm na mão aquilo que nós portugueses gostamos: desgraça alheia! É por isso que o jornal mais vendido em Portugal é o Correio da Manhã e que o noticiário mais visto é o da TVI… ali estão todas as desgraças capazes de alimentar o nosso espírito e garantir que vamos continuar a ser infelizes, negativos, atrasados e desconfiados.
Mas há mais. Não sei se sabem mas somos o único país da União Europeia onde o horário nobre da televisão é preenchido com novelas. Apenas existe coisa assim na América Latina (essencialmente Brasil e México) onde as novelas são o escape natural (a forma de viver a vida de outras pessoas) das donas de casa oprimidas, de desempregados e analfabetos.
Poderíamos então dizer que temos a televisão que merecemos. O que não merecemos é que o Estado continue a pagar, usando para isso o nosso dinheiro, o monstro chamado RTP. Até concebo que exista uma televisão pública com conteúdos simples, baratos e centrada no apoio à actividade do Estado (não do Governo). Agora ter uma “mega-estrutura” a competir com os privados em situação de clara vantagem (basta dizer que qualquer empresa privada teria falido no primeiro mês), a contratar profissionais a peso de ouro, a disputar direitos desportivos (é uma vergonha a RTP ter oferecido mais do que a SIC e a TVI pelos direitos da Liga de Futebol, para o contribuinte foi a diferença entre ver de graça e sair-lhe do bolso… em nome de quê???), a torrar fortunas em produções ridículas e programas deprimentes… isso já me incomoda.
Também me incomoda quando olho para as contas da RTP e vejo que custa aos cofres do estado mais de 200 milhões de euros por ano (o que daria para reformar todo o parque escolar do 1º ciclo) e tem um passivo acumulado de 800 milhões de euros… Já nem vou falar dos ordenados e regalias dos seus quadros superiores, porque isso é outra “guerra”.
Tinha esperança que o PEC atacasse esses monstros sagrados que são a RTP e a TAP mas em vez disso, mais uma vez, irá atacar os mesmos de sempre. Os que não fogem aos impostos, trabalham, descontam e já pagavam a “loucura” que é este país. Caminhamos a passos largos para algo muito complicado. Ainda não sei bem o quê…

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FUMO BRANCO

11.03.10

 

Não poderia deixar de aqui vir para saudar rumores sobre a “Operação Gente Nova”, em curso no PS Silves. Na minha opinião a iniciativa, levada a cabo pelo (goste-se ou não do estilo) mais participativo e experiente militante socialista do concelho, reveste-se da maior importância e consiste em mudar de vez as caras, dando oportunidades à nova geração.
Estou esperançado com as novas desde logo porque revelam sensatez e ambição. Depois porque denotam um claro compromisso de mudança, de mobilização e união do partido. Não sendo, evidentemente, a solução final é a melhor solução nesta altura para provar que ninguém é indispensável e que o PS Silves tem afinal gente muito competente e capaz de sonhar com a dinâmica de outros tempos.
Lamento que não tenha havido mais ambição na nova geração mas acredito que com o passar dos meses ela surgirá de forma natural. Seria agora importante que se sanassem todos os desaguisados e que os militantes de referência voltassem a assumir as suas responsabilidades, colaborando de forma activa com a "nova geração" e com os "históricos"… mesmo aqueles que, por hora, cantarolam a célebre musica pimba de Tony Carreira "depois de mim (ti), mais nada, nem sol, nem madrugada..."

Espero agora  na qualidade de militante, receber de forma oficial mais informação sobre a composição da lista que promete trazer fumo branco ao PS Silves.

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Não consigo entender como é que os socialistas algarvios aceitaram sem “bufar” a maior derrota do PS de sempre no Algarve, que se seguiu a outra, menos estrondosa, mas igualmente reveladora. Confesso que durante estes longos meses de Inverno esperei ver contestação e gente inconformada… mas nada! Népia! Todos calados como se nada tivesse acontecido!
As autárquicas correram mal para o PS no Algarve. Reflexo da falta de iniciativa e do generalizado abafar dos “hereges” (como eu) que tentam mudar o marasmo em que se transformaram as concelhias. As legislativas foram um escândalo, uma vergonha… uma derrota em toda a linha que culminou com a perda de 50% dos deputados e com as “trocas e baldrocas” que levaram a camarada Isilda Gomes a regressar ao Governo Civil, libertando assim um lugar para a “não eleita” Jamila Madeira.
Numa altura em que o PS de Silves se prepara para eleger novos líderes eu acho que o PS Algarve devia fazer o mesmo. Não me parece que o desgastado Miguel Freitas tenha condições para mobilizar o partido. Até acho que a sua “pose de ave-do-paraíso” o distancia demasiado dos militantes e da realidade do PS no Algarve. Existe no Algarve gente que diz mais aos socialistas… José Apolinário, Manuel da Luz, António Eusébio e até as já referidas Jamila Madeira e Isilda Gomes dariam mais motivos aos algarvios para votar PS. O problema é que estes, e outros, não avançam… porque não têm apoios, porque não têm ambição, porque preferem esperar, porque estão comprometidos… Fazem mal, tenho para mim que não tarda estaremos nas urnas a eleger novo Primeiro-Ministro e a ter a oportunidade de remediar a catastrófica perda que o PS Algarve teve na Assembleia da República.
Em Silves ainda não sei se haverá duas listas (curiosamente a oposição anda mais bem informada sobre o que se passa no PS Silves do que os seus militantes) mas pelo que se tem visto há gente a trabalhar para justificar o apoio das bases. A visibilidade de Fernando Serpa nos últimos tempos indicia que poderá ter outras ambições, o que de resto explica também a “crispação” que me tem chegado aos ouvidos com a restante vereação socialista. Mário Maximino também poderá ser um nome a ter em conta e que representará seguramente a continuação do “lisetismo” e do clima de guerrilha interna que temos vivido.
Voltando a Fernando Serpa, e apenas para rematar, parece-me bom sinal que os que antes o acusavam de inércia agora o acusem de excesso de protagonismo e de demagogia… isso para mim são sinais de que tem feito oposição, tem incomodado e agitado as hostes. Até já há quem lhe chame “Super Serpa”, na sua cruzada a favor dos fracos e dos oprimidos. Bom trabalho Sr. Vereador! Espero, e quero acreditar, é que seja feito genuinamente em prol do concelho e não tendo em vista as eleições na concelhia.
Certo, certo é que nos bastidores do partido já se equacionam cenários, timmings e se procuram apoios. Disso estou mesmo certo!

 

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FIM DE FESTA...

03.03.10

 

A crise do sub-prime começou quando alguém perguntou “mas o que raio está dentro deste pacote financeiro que estou a comprar?”. Isso levou a que alguém se questionasse se os imóveis e activos financeiros desse pacote valiam mesmo aquilo que os “peritos” diziam e a posterior enxurrada de perguntas fez com que todo o sistema fosse colocado em causa… dando origem à actual crise.
E eis que alguém pergunta “as previsões de receitas das câmaras municipais nunca batem certo porquê?!” E vem o “bom” do Macário dizer que é porque se inventam receitas (uma prática generalizada que todos os que acompanham a vida autárquica nacional sabem que existe) para compor o ramalhete e permitir que os orçamentos passem no tribunal de contas. Era bom que esta pergunta fizesse desabar o actual modelo autárquico de vez, mesmo que isso trouxesse muita dor e sofrimento.
 
 
O nosso modelo autárquico empurra as câmaras para o caminho que tem destruído este país. Vivem da construção e da especulação imobiliária e por isso cometem crimes ambientais (como este vídeo de 2008 e os factos do mês passado demonstram) ou sociais (que o post anterior aborda). De facto cobrar taxas de construção e exigir que as empresas construtoras prestem contrapartidas pelo direito a construir/destruir o património (seja arranjando estradas, fazendo escolas ou rotundas) é a única forma das câmaras municipais (carregadas de jobs for the boys até ao limite do irresponsável) poderem sobreviver e apresentar obra com os parcos recursos que um Estado, ainda mais “mal aviado”, disponibiliza.
Cada vez mais me convenço que vivemos num clima de final de festa… a seguir pagaremos a conta!

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A Direita reclamar mais polícias na rua é tão típico como a Esquerda reclamar mais direitos para os imigrantes, são coisas que estão na génese política de cada força e que ajudam a defini-las. O que já não é tão típico são os problemas que o nosso Algarve enfrenta à medida que o poder central nos empurra para o papel de “periferia balnear” sem opinião nem representação.
Somos a região do país com mais desempregados, a que mais sofreu com a queda do sector imobiliário, a que regista maior aumento da taxa de criminalidade e a que mais sofre com o “ataque” das grandes superfícies comerciais. No entanto ninguém parece estar preocupado com estas questões e na hora dos algarvios votarem, para eleger os seus representantes na Assembleia da República, os dois principais partidos enviam lisboetas para encabeçar as listas: nas últimas tivemos João Soares pelo PS e Jorge Bacelar Gouveia pelo PSD. Não será isto um sinal de que os algarvios pouco contam e que ninguém está interessado em dar-nos voz?!
Veja-se os deputados eleitos pela Madeira! São madeirenses e “cerram os dentes” pelos interesses da região, mesmo quando é necessário desafiar o autoritarismo do próprio partido. Não concordo com quase nada do que dizem mas sou obrigado a reconhecer que defendem os interesses dos seus eleitores, quanto mais não seja porque no final da carreira vão ter que voltar a viver na Madeira. João Soares e Bacelar Gouveia têm com o Algarve a mesma relação que mais 2 ou 3 milhões de portugueses… passam por cá no mês de Agosto!
Comecemos pelas grandes superfícies. Se excluirmos supermercados, outlets, retail park’s e pequenos centros comerciais verificamos que temos no Algarve 5 grandes “gulutões” (Tavira, Olhão, Faro, Guia e Portimão) que são os principais responsáveis pela tragédia vivida pelos comerciantes algarvios. Não serei o único a reparar que as nossas vilas e cidades estão “atolhadas” de lojas e espaços comerciais fechados, para arrendar ou em “liquidação total”. Em cima disso tenho a certeza de que muitos dos negócios que sobrevivem não são rentáveis e dependem apenas da carolice de muitos dos seus proprietários, uns conformados e outros reformados.
Mas isto não basta para que fiquem satisfeitos. É preciso exterminar de vez o “comerciante algarvio”. Estão já previstos, que eu saiba, mais 3 mega centros (Loulé, um segundo na Guia e um segundo em Portimão, já em construção), para além do IKEA e da sua zona envolvente que promete também fazer mossa. Bem podem apregoar que se vão criar postos de trabalho mas o problema, como dizia o outro, “é a economia… estúpido!” Estamos a falar de colocar milhares de pessoas a ganhar o ordenado mínimo (ou menos, graças aos part-times e outros subterfúgios legais inventados para estes “barões”) ao mesmo tempo que enviamos todo o lucro para as mãos dos grandes grupos por trás desses investimentos, que do Algarve apenas querem… o “guito”. É isto que os nossos cobardes autarcas chamam desenvolvimento?! É nisto que conseguem ver mais-valias para os munícipes?! Só mesmo alguém acobardado e mais preocupado com os amigos influentes do que com as pessoas do seu concelho pode continuar a permitir estes golpes fatais na economia de uma região inteira.
E já que falamos em responsabilidades de autarcas podemos também dedicar um parágrafo à atrocidade que estes têm cometido para com os empresários da diversão nocturna do Algarve. É vergonhoso que se autorize, a um ritmo galopante, que joint ventures de Lisboa ,e até estrangeiras, se instalem nos meses de Verão nas nossas praias e arribas, onde montam a “tenda” (qual Circo Chen) e colocam no cartaz uns figurões da nossa praça (qual palhaços) para atrair o público. Sem um terço das exigências que são feitas aos empresários locais no que toca a licenciamento, condições de higiene, segurança, propagação de som, contratação de pessoal, etc… abrem as portas em nome de uma suposta “promoção do concelho” feita à custa dos próprios munícipes (diz-se por ai que até há autarcas que subsidiam estas “coisas”!!!!). O resto da história todos já conhecem: Enchem os bolsos e rumam de novo a casa enquanto por cá ficam os que investem, criam trabalho, pagam impostos e cumprem as normas à espera de melhores tempos
Vem depois a questão da segurança. Sou dos que acredita que a segurança é condição fundamental para a existência de liberdade, como tal entendo que a minha liberdade está a ser posta em causa por tudo o que tenho visto. Na zona onde vivo, por exemplo, a conversa diária no café mais próximo gira em torno das casas que foram assaltadas na noite anterior. Já nem os alarmes e os cães de guarda param os assaltantes, enquanto a polícia, desmotivada como nunca tinha visto, não actua por falta de meios, de vontade e de liderança. O resultado está à vista com a debandada geral de estrangeiros, o clima de insegurança generalizado e a desvalorização galopante de todas as propriedades que não confinem com uma esquadra da PSP ou posto da GNR. Não tarda estamos como o Brasil, onde um apartamento acima do segundo andar é mais valioso que uma boa moradia isolada porque, para já, os “bandidos” não voam.
Apesar dos dados gerais não serem divulgados, para evitar ondas de xenofobia e discriminação, existem números a circular de boca em boca que apontam para que mais de 80% dos crimes registados no Algarve sejam cometidos por “forasteiros”, quando o assunto é a criminalidade violenta os números sobem para mais de 95%, dos quais a esmagadora maioria é estrangeira. Temos assistido a relatos consecutivos de ocorrências graves nas quais os bandidos vêm de Espanha e em raids de poucas horas enchem “os bolsos” voltando de seguida para a tranquilidade do país “irmão”. Não é à toa que ganha cada vez mais adeptos a teoria da Região Administrativa do Algarve onde pudesse existir um controlo fronteiriço e uma maior proximidade na resolução de problemas que o resto do país não entende nem quer entender.
A melhor altura para implementar um regime especial no Algarve aconteceu no ano em que foi negociada a adesão de Portugal à Comunidade Europeia. As razões históricas do “Reino de Portugal e dos Algarves” eram a oportunidade para, havendo um pouco de visão, criar uma zona especial capaz de se impor como um destino exclusivo e diferenciado na Europa. Ninguém se importa de perder 30 minutos num aeroporto ou numa fronteira se a contrapartida for o sentimento de total segurança. Além disso está provado que uma das recordações mais fortes que podemos ter de umas férias é o carimbo no Passaporte!
A segunda melhor altura para conseguir isto é agora. Porque as pessoas estão descontentes, amedrontadas e disponíveis a tomar medidas drásticas. Do Governo já vimos que não podemos esperar nada, dos autarcas (quase todos repetentes) poucos motivos de esperança se vislumbram… resta-nos contar com os algarvios. Parafraseando Hélder Nunes, o director do Jornal Barlavento, num editorial recente, “é tempo de nos unirmos e termos uma só voz. Porque a política não pode ser feita apenas e só de trambolhos.” Ora se os “trambolhos” não ajudam e não cumprem as funções para as quais foram eleitos então que “saiam da frente” e nos deixem trabalhar.

In. Jornal Terra Ruiva - Fevereiro de 2010

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