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Mais do que a crise das “dívidas soberanas” é a crise de liderança que castiga Silves e os silvenses. Se olharmos para os responsáveis políticos e para os partidos chegamos à conclusão que o nosso concelho se assemelha a um enorme galinheiro atacado por lobos… cada galinha foge para o seu lado numa correria tonta que só tem dois destinos possíveis: a rede do galinheiro ou a boca do lobo.

Quem nos conduziu até aqui está evidentemente desgastado, desmotivado e vazio. Pouco ou nada podemos esperar da presidência da câmara. Por outro lado a oposição pode acusar o PSD de falta de ideias, de erros de gestão, de incompetência… mas se pensarmos bem, da sua parte, muito pouco tem saído que possa servir o concelho numa perspectiva futura. As estratégias eleitorais “modernas” ditam que durante os períodos de oposição os partidos não revelem ideias ou projectos para assim poderem apresentar trunfos em vésperas de eleição. A coisa é discutível se ponderarmos o interesse das populações, mas em Silves nem se discute… porque nunca ninguém apresentou ideias, mesmo em período de campanha eleitoral. É o vazio perfeito.

Nas últimas autárquicas a candidata do segundo partido mais votado tinha como ideia de cartaz a construção de uma discoteca em Silves. Tudo o resto eram banalidades e conceitos mais gastos que as pedras da calçada. Nunca ninguém teve a ousadia de assumir projectos de ruptura e palpita-me que, conhecendo o espectro político que temos, ninguém o fará no futuro próximo. Os possíveis candidatos estão mais preocupados em reagir aos acontecimentos procurando sempre o lado da maioria. Dou-vos um exemplo muito prático: numa altura em que se discutem a redução do número de freguesias e municípios era de esperar que gente preocupada com o concelho debatesse o assunto. Pelo menos a fusão das três freguesias mais flagrantes (Armação de Pêra, Pêra e Alcantarilha) deveria ser discutida. O problema é que estas questões fracturantes são um pesadelo para quem apenas está concentrado em chegar ao poder para se servir. Estas questões exigem luta, visão e capacidade de mobilização, tudo condições que lhes escapam. O mais provável é que alguém de fora lhes faça o favor de tomar as decisões para que possam no final “cair” para o lado que rende mais votos.

 

Temos um concelho de contrastes. Os linces do Centro de Reprodução do Lince Ibérico comem carne de primeira, as crianças das escolas comem salsichas com arroz. As ruas de vilas e aldeias estão em estado deplorável, estradas de interior onde só os proprietários das terras passam parecem auto-estradas. Deixamos morrer o festival da cerveja e a festa da laranja (que agora se realiza em Portimão), apostamos centenas de milhares de euros em gospel e ópera. Essencialmente somos um concelho sem estratégia onde os políticos passam o tempo a discutir localização de farmácias, aluguer de toldos nas praias ou contas de gerência com 5 anos de atraso.

Acredito que é nos tempos difíceis que se fazem coisas fantásticas, acredito por isso que surgirão pessoas e projectos verdadeiramente interessados em salvar o concelho. O tempo é escasso e o caminho para a mudança exige preparação demorada, é por isso que nenhum projecto pessoal ou partidário pensado a 6 meses das eleições merece ser levado a sério. Carneiro Jacinto há 4 anos começou uma coisa do género e volvidos 2 anos tinha uma boa equipa e um bom esboço… mas ainda não tinha o tal projecto capaz de mudar a face de Silves.4

In. jornal Terra Ruiva - Julho de 2011

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Não é que eu seja contra as agências de rating - afinal fomos nós que lhes demos o poder que têm - mas acho que enquanto portugueses este tipo de mensagem é óptima para levantar o astral... partilhem!!!

 

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Contra ventos, marés e pessimismo

 

Nenhum sector escapará incólume à maior crise financeira que a Europa já enfrentou, mas muitos encontrarão nestes tempos a oportunidade de se reinventarem e operar mudanças há muito adiadas. O mundo do associativismo é sempre um exemplo de dedicação, coragem e amor pela terra capaz de despertar consciências e de levar os ventos de mudança a toda a sociedade.

No caso concreto do associativismo desportivo o actual contexto económico trouxe aquilo a que se pode chamar a “tempestade perfeita”. A subsistência destas associações dependia em grande parte de subsídios estatais ou municipais, quotização dos seus associados, patrocínios de empresas e rendas. Em todas essas rubricas as quebras têm sido uma realidade e nenhum sinal augura que as coisas melhorem. Por estes tempos quem dirige e toma decisões assume o papel que se pode comparar ao de uma tripulação que viu o seu avião perder os motores. Não há espaço para erros.

Procuramos conhecer a realidade dos 4 maiores clubes do concelho e perceber quais os problemas, as soluções e os projectos que têm. O que encontramos foi gente empenhada em ultrapassar as dificuldades mantendo os pés no chão. Sosseguem pois todos aqueles que aos fins-de-semana rumam aos recintos desportivos do concelho. 2011/2012 será um bom ano de futebol no concelho de Silves.


Veja nos "posts" abaixo os textos publicados na edição de Julho do jornal Terra Ruiva, da minha autoria a pedido da nossa estimada directora Paula Bravo.

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Textos da minha autoria publicados na última edição do Terra Ruiva. O meu agradecimento aos responsáveis pelo Serrano FC.


Avançar devagar e sem riscos

 

 

Longe da vista, longe do coração. A aldeia de São Marcos da Serra está entregue a si própria desde há muito. A escassez de empregos, o envelhecimento da população, a migração dos jovens, as escassas perspectivas de futuro… nenhuma novidade para quem vive na freguesia serrana. Mas apesar de tantos reveses ainda existem na aldeia motivos de orgulho e de esperança. A barragem, que brevemente chegará às portas da aldeia é um dos motivos de esperança, o Serrano Futebol Clube é um dos motivos de orgulho.

A “carapinha” de esteva que tem no símbolo remonta ao ano de 1981, o ano em que oficialmente o Serrano foi fundado. Mas muito antes disso, em 1936 já o clube dava os primeiros passos. Dos 4 clubes visados nesta reportagem o Serrano FC é sem dúvida aquele que enfrenta mais tranquilo os desafios que o futuro próximo trará. O bom senso, o pragmatismo e a dedicação que os seus dirigentes têm revelado desde há muito fizeram escola. Em Maio passado a direcção mudou. O presidente Alfredo Matias foi substituído no cargo por José Manuel Cabrita. Dois homens de gerações diferentes, de estilos diferentes mas que dão ao clube e à freguesia a garantia de que o Serrano manterá a sua matriz de responsabilidade e perseverança.

É extraordinário o espírito de comunidade da aldeia. Vivem com o que têm e procuram contribuir todos para que a interioridade custe menos. Isso reflecte-se também no associativismo, o clube é de futebol mas o futebol nem parece ser o mais importante para dirigentes e adeptos. É um facto que os jogos são apreciados por todos, não tanto pelo espectáculo mas pelo convívio que proporcionam. Com o pretexto da bola a cada 15 dias juntam-se no Estádio Municipal amigos que a vida separou, coloca-se a conversa em dia, recordam-se outros tempos. Festejam-se os golos, mas nem todos sabem o nome de quem marcou. Falta a juventude e o entusiasmo que sempre carrega com ela. Ao mesmo tempo o Serrano FC vai-se encarregando de manter vivo o nome da aldeia por esse Algarve fora.

Com os seus 8 funcionários o Serrano FC é o principal empregador da freguesia. Isto diz muito da importância que tem para a terra e para os seus quase 300 sócios. No ano passado a actividade desportiva do clube resumia-se ao futebol, onde participou na 2ª Divisão Distrital e terminou no 5º lugar, mas este ano, com a nova direcção, vieram também a Canoagem, o BTT e a aposta nos escalões de formação. Começaram recentemente os treinos de captação de jovens jogadores e a direcção assume o desejo de já esta época lançar as equipas de Benjamins e Infantis. 

A época passada acabou bem mas começou mal. A morte de Manuel Guerreiro, o grande responsável por toda a organização do clube, director de décadas, deixou todos “sem saber bem como reagir. As coisas estavam montadas por ele, todos confiavam no seu trabalho e por isso o clube ressentiu-se imenso. Nas primeiras jornadas tudo parecia correr mal mas aos poucos as forças voltaram e a anterior direcção acabou por fazer o melhor que pôde, por muito pouco não subíamos de divisão.”- diz José Manuel Cabrita, o novo presidente.

Por agora os objectivos são claros, como nos diz o novo responsável máximo: “queremos abrir o clube às pessoas. Incorporamos o BTT e a Canoagem, lançamos a escola de futebol para os miúdos e queremos que as portas da nossa sede estejam sempre abertas. Temos uma sede própria. A maior parte dos clubes não tem uma sede própria.” Quando o assunto é o futebol sénior o pragmatismo da actual direcção vem à tona, “se tivermos transportes escolares há futebol sénior, se não tivermos transportes escolares não há futebol sénior. Tem que ser assim, não podemos colocar em risco o clube por causa do futebol. Por termos abdicado do futebol sénior noutras alturas hoje ainda existimos e não devemos nada a ninguém. Além disso faz parte dos nossos planos acabar com a dependência dos transportes escolares, não podemos ser subsidio-dependentes .

Apesar de ainda não ser conhecido o resultado do concurso público para os transportes escolares, a direcção do Serrano FC já tem já alguns contactos realizados com vista à próxima época, mas o preço da interioridade também se paga no futebol. “É difícil atrair jogadores para jogar aqui. As distâncias são grandes e o campo não ajuda nada. Jogamos num pelado. Quase nenhuma equipa joga em campo pelado no Algarve. Estamos à espera que se cumpra a promessa de um campo relvado feita pela Câmara Municipal, neste momento se tivéssemos relva tínhamos o único campo do concelho com as medidas oficiais.” Desportivamente, se vierem a avançar, a ideia “é lutar pelos lugares de cima. Teremos uma equipa renovada e com custos mais baixos mas com qualidade para poder ambicionar a uma subida de divisão, afinal o que se gasta na 2ª Distrital é praticamente o mesmo que se gasta na 1ª Distrital mas as receitas são melhores e é mais fácil atrair jogadores de qualidade.”

Habituados a viver com pouco, os dirigentes do Serrano FC não se queixam muito da crise. Pelo contrário agradecem duplamente aos apoios que têm. “A Caixa Agrícola de Messines e São Marcos da Serra é o nosso principal patrocinador, a Junta de Freguesia também contribui voluntariamente com o que pode mas não gostamos muito de pedir a ninguém. Não queremos estar dependentes de subsídios para manter o clube em funcionamento. Temos que usar soluções imaginativas. Abrimos um ginásio na sede do clube que colocamos à disposição dos cidadãos mediante o pagamento de uma quota, estamos a pensar num departamento de fisioterapia, em massagens e numa parceria que nos permita trazer algumas medicinas alternativas e produtos naturais para São Marcos. Além disso já organizamos as festas de verão, temos um salão onde poderão ocorrer festas, eventos culturais e onde já se realizam aulas de ginástica para os mais idosos. Haveremos de implementar muitas outras coisas.

José Manuel Cabrita conta com elementos nos novos corpos sociais que já estavam no clube mas agradece a todos os que por lá passaram e saíram. Especialmente ao anterior presidente, Alfredo Matias, de quem diz “ter sido incansável a defender o clube e a lidar com a difícil situação do desaparecimento de Manuel Guerreiro, uma perda imensa para esta terra e para o Serrano FC.

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Textos da minha autoria publicados na última edição do Terra Ruiva. O meu agradecimento aos responsáveis pela UD Messinense.


Esperanças renovadas com regresso a casa

 

 

Para muitos messinenses o ano que passou teve qualquer coisa de diferente. Os domingos foram mais parados e monótonos do que o habitual, mesmo aqueles que nunca tiveram por hábito ir ao futebol acharam falta das notas musicais que os altifalantes do Estádio Municipal despejavam sobre a vila em dia de jogo da União Desportiva Messinense (UDM). Esse silêncio dominical podem os messinenses agradecer ao excesso de zelo da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que, em plena crise económica, não encontrou melhor forma para ajudar os pequenos clubes do que obrigá-los a ampliar os recintos desportivos até às medidas exigidas pela UEFA em provas como o Europeu ou a Liga dos Campeões. A solução era fazer obras ou procurar outro campo para jogar. Como nenhum campo do concelho cumpria as normas exigidas para se jogar a 3ª Divisão Nacional, todos os jogos da última época foram jogados em Salir, no interior do vizinho concelho de Loulé.

Longe vai a gloriosa época 2006/2007 com o clube a disputar, pela primeira vez na sua história, a 2ª Divisão Nacional série D. Apesar de assinalável os messinenses parecem não ter muitas saudades desses tempos. Muitos sugerem que o lugar natural da equipa é a 3ª Divisão, outros nem se importariam se a descida não tivesse sido evitada nos instantes finais desta época porque tal significaria maior proximidade da equipa e os sempre desejados derbys concelhios.

Recentes foram as eleições, com lista única, que pacificamente trouxeram Luis Guia para o lugar ocupado nas últimas duas épocas por Daniel Calado. O novo presidente estreia-se nestas andanças mas conta com o apoio de gente da casa e de muitos dos elementos que trabalharam com Daniel Calado e José “Piasca” durante os seus mandatos. Apesar de recém-chegado Luís Guia, conhecido empresário do concelho, demonstra já saber muito bem que terrenos pisa e quando instigado a fazer um balanço da última época diz-nos que “esta época terá sido a mais difícil dos anos mais recentes. Em 2 anos a União Desportiva Messinense perdeu 80% da sua principal fonte de receitas, que são os transportes escolares. Também o facto de a UDM ter disputado fora do Estádio Municipal todos os jogos oficiais da época 2010/2011 na condição de visitado, provocou uma enorme perturbação na vida do clube.”

Para o novo presidente o clube foi duplamente atingido, isto porque a deslocalização dos jogos “não trouxe, ao contrário do que se possa pensar, um aumento da despesa, mas sim uma grande diminuição da receita, traduzida pela fraquíssima cobrança de quotas, de publicidade estática e de outros apoios e patrocínios pontuais”. Desportivamente também houve um preço a pagar em virtude do “grande distanciamento entre os messinenses e a equipa sénior, que apesar de todas as dificuldades conseguiu, de uma forma quase heróica, assegurar a permanência no Campeonato Nacional da 3ª Divisão.”

A nova Direcção do Messinense assume sem rodeios que “a forma como esta nova época irá decorrer dependerá e muito, dos circuitos de transportes escolares que a UDM poderá ou não fazer.” Esta é, comprovadamente, a grande questão que assombra a gestão dos pequenos clubes do concelho, Luis Guia aflora o problema relatando-nos que todos os anos, ainda antes de se conhecer o resultado dos concursos públicos para os transportes escolares, surge “a necessidade de começar a preparar toda uma época desportiva durante os meses de Junho e Julho, em que assumimos compromissos e responsabilidades” sem conhecer o resultado do concurso. “Se todo este processo se realizasse de forma inversa, estou em crer que a maioria dos problemas e desequilíbrios de tesouraria que os clubes hoje enfrentam não existiriam. Seria óptimo ter a oportunidade de poder adequar a despesa de acordo com a receita.” – remata Luis Guia.

Os adeptos da UDM podem ficar tranquilos porque, ao que tudo indica, o clube vai poder disputar em Messines os jogos da época 2011/2012 e porque “apesar do forte desinvestimento que a equipa sénior irá sofrer, os sócios e simpatizantes irão sempre encontrar um grupo bastante competitivo, que terá como objectivo vencer o maior número de jogos. A continuidade da maior parte dos atletas que representaram o clube durante a época anterior, permite-nos encarar a próxima época com bastante optimismo.” A nova direcção está também focada na formação, onde a UDM tem historial assinalável, e a intenção é investir mais no futebol juvenil, alargando o quadro competitivo do clube.

Para ultrapassar a crise Luis Guia conta com uma gestão rigorosa e avisa que todos têm “que ser muito mais proactivos na obtenção de novos sócios e patrocinadores”, ao mesmo tempo reconhece a importância dos apoios que chegam por parte da Caixa Agrícola local, da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia de Messines. A solução passa também por melhorar a comunicação com outras entidades e associações locais “tendo em vista um melhor aproveitamento de recursos que deverão ser tendencialmente comuns”, um discurso que pretende alcançar as forças vivas da freguesia, nomeadamente a Casa do Povo, os Amigos de Messines e o Agrupamento Escolar por serem aqueles que mais poderão interagir com o clube e potenciar os equipamentos e meios humanos de que dispõem.

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Textos da minha autoria publicados na última edição do Terra Ruiva. O meu agradecimento aos responsáveis pelo Silves FC.


Sarar as feridas dentro de campo

 

 

Quem chega a Silves pela primeira vez, vindo da margem sul do Arade, não consegue desviar os olhos do imponente e belo castelo mourisco que “abraça” a cidade velha. Se conseguisse talvez distinguisse o verde da relva do Estádio Dr. Francisco Vieira, casa do também histórico Silves Futebol Clube.

Fundado em 1919 a história do Silves FC está intimamente ligada à cidade dos tempos modernos. Quando a cidade prosperou o clube correspondeu com períodos áureos e memórias que enchem de orgulho todos os silvenses. Por ali vive-se o futebol com paixão e não podemos deixar de notar alguma mágoa pelos conturbados tempos que o clube atravessa. Há 20 anos atrás o Silves FC “cheirava” o topo do futebol português, disputando a 2ª Divisão Nacional numa altura em que a Divisão de Honra ainda não existia. Os apoios apareciam, a cumplicidade da Câmara Municipal trazia a Silves milhares de pessoas para o Festival da Cerveja, uma organização anual do clube que cobria boa parte do investimento feito com o futebol. Aos poucos tudo se foi desvanecendo e o Silves FC entrou lentamente na agonia que o trouxe aos dias de hoje.

Ainda assim o nome Silves Futebol Clube é respeitado por todos os amantes do futebol e poucos se esquecem de que este é um clube histórico, com largas tradições nos escalões de formação, de onde saíram jogadores como Rui Bento, uma das suas maiores referências. É mesmo pelo decrescente número de jovens a viver na cidade que muitos explicam as dificuldades. Outros apontam o escasso apoio da Câmara Municipal ao desporto jovem que passam pela falta de um segundo campo com condições para treinos. Para outros ainda tudo chegou até aqui por causa das constantes “guerras” entre anteriores direcções e poder político local.

Há 6 meses que o Silves FC sofre com um vazio directivo que preocupa toda a massa adepta e os amantes de futebol do concelho. Desde então uma Comissão Administrativa assumiu a responsabilidade de manter o clube em actividade mas até essa comissão acabou por ceder levando a que uma segunda Comissão Administrativa fosse nomeada. Com novas caras e novas ideias essa comissão assumiu o controlo no final de Junho passado. O presidente é Rui Amador, um homem da terra, antigo jogador e director do clube, que aceitou o desafio de servir o “seu” Silves FC numa altura tão complicada. Do passado Rui Amador não quer falar, demonstra mesmo que não pretende atribuir culpas a ninguém nem chorar sobre o “leite derramado”. Prefere concentrar todas as suas energias no presente e no futuro, mas faz questão de salientar que ele é apenas a face mais visível de um grupo de amigos que tudo fará para levar esta missão a “bom porto”.

Na sua humildade Rui Amador ressalva que o importante “é reaproximar a comunidade do Silves FC” tal como é vital para a credibilidade “cumprir acordos e honrar compromissos”. No ano passado o clube não conseguiu nenhum circuito dos “afamados” transportes escolares e sem essa receita tudo se precipitou. Para este ano a esperança de ganhar circuitos é escassa pelo que afirmam “não será fácil gerar verbas e receitas. Mas também sabemos que um clube não pode viver só do desporto, muito menos do futebol.” Com um estádio próprio, um pavilhão e um bar torna-se importante rentabilizar os espaços a favor do clube.

Desportivamente a época 2010/2011 “foi um sucesso”, atendendo às circunstâncias o “2º lugar no campeonato da 1ª Divisão Distrital da Associação de Futebol do Algarve, bem como a vitória na Taça do Algarve” deixaram todos satisfeitos. “Contudo o Silves FC é muito mais que o futebol sénior, as suas camadas jovens tiveram participação meritória nos respectivos campeonatos. Além disso a realização do Torneio Internacional Silves Jovem – Rui Bento foi um êxito e começa a tornar-se uma referência no panorama do futebol jovem algarvio.” Rui Amador fecha o capítulo da época passada dizendo que “o mais importante foi a quantidade de atletas que o clube movimentou ao longo da época.

Para a época que se avizinha, novamente na 1ª Divisão Distrital, “os sócios podem esperar trabalho, dedicação, entrega em defesa do clube por parte de todos aqueles que fazem parte da estrutura, desde o mais jovem praticante de Xelbfut, aos funcionários, colaboradores e Comissão Administrativa.” Rui Amador afiança que a nova época será a “oportunidade de reorganizar, optimizar e racionalizar recursos” ao mesmo tempo sublinha que “os sócios irão certamente apoiar uma equipa que joga apenas pelo amor à camisola” coisa rara nos dias de hoje em que os prémios e apoios a jogadores amadores são a regra. O cenário de o futebol sénior vir a ser suspenso é o que todos tentam evitar, mas para Rui Amador tal não “pode ser posto de parte se disso depender a sobrevivência do clube”. Para já, com sacrifícios, a época está em preparação com muita “prata da casa” o que garante união entre os adeptos.  

Com os pés bem assentes no solo esta Comissão Administrativa pretende “evitar o aumento do passivo e até diminui-lo com medidas que visem trazer mais pessoas ao Silves FC.” São 4 as pessoas que actualmente trabalham para o clube mas muitos mais prometem dedicar tempo e energia na busca de viabilidade para um projecto que não pode morrer.

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Textos da minha autoria publicados na última edição do Terra Ruiva. O meu agradecimento aos responsáveis pelo CF Os Armacenenses e ao Miguel Silva que fez a foto.


Finalmente uma casa à medida

 

 

O “Campo das Gaivotas” tem com os armacenenses uma relação de “amor-ódio”. Se por um lado se diz com indisfarçável orgulho que ali só jogam os mais persistentes, por outro lado todos anseiam pelo dia em que a vila de Armação de Pêra acorde e veja pronto um estádio com as condições ideais para acolher o clube da terra.

A comemorar 75 anos de existência o Clube de Futebol “Os Armacenenses” prepara-se para celebrar a data com um “pé” no novo Complexo Desportivo de Armação de Pêra, uma obra da Câmara Municipal de Silves que após vários avanços e recuos entra agora na fase final. O presidente do clube, Fernando Serol, advogado respeitado na terra, acaba de ser reeleito para mais um mandato e assume claramente o grande objectivo que une toda a direcção: “proporcionar a prática do desporto a todas as crianças e jovens de Armação de Pêra”.

No panorama silvense Os Armacenenses são o mais eclético de todos os clubes. Além do futebol, onde a actividade se estende por todas as camadas jovens passando pela equipa sénior e pelos veteranos, o clube conta ainda com Futsal feminino, ginástica, ballet, ninjutsu e natação. No discurso do presidente nota-se o orgulho especial pelas camadas jovens quando afirma “participamos com todos os escalões etários nos vários campeonatos de futebol organizados pela Associação de Futebol do Algarve. Tivemos cerca de 200 crianças e jovens a treinar e a jogar futebol no nosso Clube… a Direcção do Clube está bastante satisfeita com todo o desenvolvimento que o futebol Juvenil sofreu no Clube. Quero desde já agradecer publicamente o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por todos os Treinadores do nosso Clube e pelos Dirigentes que trabalham directamente com as camadas Jovens.”

A equipa sénior conseguiu o objectivo a que se propunha na época transacta, a manutenção na 1ª Divisão Distrital onde terminou a meio da tabela. Na nova época espera-se que a equipa consiga melhorar, no entanto a subida de divisão está, aparentemente, posta de lado, ainda assim Fernando Serol considera que com a construção do novo Complexo Desportivo “os resultados melhorarão e todas as nossas equipas conseguirão melhores classificações nos vários campeonatos que irão disputar”. A questão do campo é mesmo incontornável porque “a principal dificuldade com que o Clube se debateu, e que já é uma dificuldade antiga, teve a ver com as más e insuficientes condições do nosso Campo de Jogos. O conhecido “Campo das Gaivotas” além de ser em piso pelado, já não se adequa às necessidades… Esperamos que este problema deixe de o ser já a partir do início da próxima época desportiva… aguardamos que muito em breve o anseio de todos os armacenenses por um Campo de Futebol relvado seja uma realidade”.

As facilidades que se antevêem no campo desportivo estão longe de encontrar correspondência na gestão do clube. “Atendendo à situação económica que o nosso País atravessa, que se repercute na redução dos apoios que o Clube irá receber quer das entidades oficiais quer de empresas e particulares, é evidente que a Gestão do Clube terá de ser ainda mais rigorosa e criteriosa que a que tem vindo a ser executada ao longo dos últimos anos. Pelas razões antes referidas, e porque haverá uma redução substancial das receitas do Clube, a Direcção irá sentir mais dificuldades para conseguir atingir os seus objectivos.” – diz-nos Fernando Serol sem deixar de manifestar confiança no “apoio das entidades oficiais e dos patrocinadores habituais do Clube, ainda que mais reduzidos”.

 

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 Com o "curriculum" que tem estamos à vontade para dizer: a forma de melhor servir o país, e de sair mais barata aos contribuintes, seria reformar-se! A imagem foi retirada da última edição do "Barlavento".

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Ruptura

19.07.11

Um painel de politólogos juntou-se no final do ano passado para debater o futuro dos partidos políticos em Portugal. As conclusões a que chegaram foram claras:

 

É necessária uma profunda transformação nas estruturas partidárias para inverter o ciclo de afastamento face aos cidadãos em que os principais partidos entraram. São apontadas várias falhas graves no funcionamento interno dos dois principais aparelhos partidários – PS e PSD – que têm contribuído para um crescente isolamento e afastamento da realidade com consequências directas na qualidade da democracia que hoje temos.

Nada disto são novidades. Todos sabemos que as estruturas partidárias estão montadas para “blindar” o acesso ao poder e impedir que alguém estranho às cúpulas e jogos de favores estabelecidos consiga chegar a lugares de destaque. De facto todos aqueles que têm propostas de mudança nem sequer conseguem ser ouvidos.

No actual sistema contam mais os apoios - sempre dados em função do grau de ameaça que cada candidato representa – e o “carreirismo” do que as competências e as capacidades individuais de cada um. Um dos problemas detectados é precisamente a qualidade dos candidatos que representam cada partido em eleições. Raras são as vezes que o candidato representa uma mais-valia, leia-se: consegue captar mais votos dos que o respectivo partido tem garantidos.

Nas conclusões aponta-se como solução a abertura dos partidos à sociedade civil, dando voz às pessoas e aproximando-as dos centros de decisão. Isto é como um clube de futebol… se as pessoas tivessem que começar por ser sócias antes mesmo de se tornarem adeptos participantes nenhum clube vingaria. Primeiro é preciso dar a oportunidade de que participem, mesmo como espectadores, na vida do clube. Só depois vem o assumir da “paixão” e a participação mais activa enquanto associado.

Ninguém tenha dúvidas que a esmagadora maioria dos militantes partidários começaram por ser simpatizantes a quem foi dada a oportunidade de contactar de perto com os aparelhos partidários. Infelizmente nos últimos tempos as pessoas tornam-se militantes por outros motivos, mais relacionados com a ambição pessoal ou com o interesse de determinados grupos. É por isso natural que todos os “verdadeiros sócios” se sintam preocupados.

Muito antes de Francisco Assis apresentar estas ideias (e quiçá inspirado por este estudo) estes especialistas defendem que é preciso, numa palavra: ruptura. O PS prepara-se para desperdiçar, quem sabe irremediavelmente, a oportunidade de ganhar vantagem ao PSD na inevitável mudança que terão de sofrer. À semelhança de todos os governos dos últimos 20 anos, que apontavam a diminuição do peso do Estado como medida principal sem nunca terem conseguido inverter a tendência, também nos partidos as mensagens de renovação são uma constante mas rapidamente se desvanecem vencidas pelos hábitos e vícios instituídos. Será que é necessária uma grave crise (ainda mais grave que a que assola o PS) ou surgimento de outras forças para que essas reformas sejam verdadeiramente equacionadas? Infelizmente parece que sim…

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Hoje apeteceu-me ser positivo. Resolvi por isso procurar pontos em que Silves estivesse à frente de outros concelhos do país… procurei na imprensa de fim-de-semana e na blogosfera, voltei a procurar… procurei outra vez e encontrei.

 

Sabiam que Silves tem o dobro das praias com a distinção Bandeira Azul do que… Mangualde?!! Pois é verdade (Mangualde é aquele pontinho vermelho no mapa)! Nem o facto de uma dessas praias estar infestada por ratos me desmoraliza hoje, até porque a presença de ratos não consta da lista de critérios que impedem as praias de obter a bandeira azul. A presença de minas terrestres também não é referida nesses critérios, pelo que se presume que também não será o facto de um cidadão se habilitar a perder a perna numa explosão que impedirá a praia de ter bandeira azul. As praias angolanas irão certamente ter bandeira azul.

Ao contrário de concelhos foleiros, como Tomar ou Abrantes, em Silves as barragens não têm crocodilos (os tubarões comeram-nos todos)… estão todas perfeitamente protegidas até dos próprios cidadãos. As Águas do Algarve encarregaram-se de preparar espaços de “lazer” para as pessoas, como parte das contrapartidas pela exploração das barragens, e assim a Câmara Municipal de Silves deixou de se preocupara com o assunto. Pena é que ninguém da Câmara ainda tenha percebido que as zonas de lazer que as AA constroem têm apenas como objectivo que as pessoas não as utilizem, com locais escolhidos propositadamente por serem insípidos, desconfortáveis e mal-parecidos. Aliás é lógico que as AA queiram as pessoas dali para fora, assim baixam os custos com manutenção, limpeza e evitam que mais alguém tire proveito daquilo que consideram “seu”.

Em Portugal o concelho de Silves está na vanguarda da preservação do lince ibérico. Se não fosse o Centro de Reprodução de Silves teríamos que ir buscar os linces… a Espanha, onde existem centenas nos 3 parques naturais que se dedicam à preservação da espécie. Na verdade os linces vieram, e continuam a vir, todos de Espanha… mais um “capricho” das AA que todos pagamos na conta da água mensalmente.

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