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…é preferível ter dois “protões à cabeçada” que dez “neutrões de braço dado”…

 

 

Um ano de Sócrates já cá canta. Por muito céptico ou pessimista que se seja, é preciso admitir: O homem até nem se saiu mal!

Pelo menos, dizem alguns, tem uma atitude determinada e firme, coisa que não se via desde dos tempos de Cavaco Silva. Esse mesmo, o novo Presidente.

Eu, tal como muitos portugueses, estou particularmente curioso por ver como irão conviver estes dois “protões” da política portuguesa. Se imperarem as leis da física é bom que vão os dois na mesma direcção. Se cada um for para seu lado vamos ter que nos aguentar, fechar os olhos e rezar para que o “estoiro” seja pequenino.

Mas, mesmo correndo o risco de estoirar, é preferível ter dois “protões à cabeçada” que dez “neutrões de braço dado”, como dizia o meu professor de física favorito. Escusado será dizer que de física pouco se falava naquelas aulas.

Vamos então olhar para este panorama e pensar! Para já, parece que (correndo o risco de ser confundido com o “camarada” Jerónimo, que bem nos avisa) está instalado o “paraíso do grande capital”. Mal se acabou de contar os votos das presidenciais, “pimba”, duas OPA’s!

Gosto bastante do facto de, num pequeno país à beira-mar plantado, não haver vivalma que não fale da OPA do Belmiro e, da mais recente, do Millennium. Quem não nos conhece até pode pensar que connosco ninguém brinca e de grande finança percebemos nós. Pessoalmente devo admitir que grande, ou pequena, finança não é a minha especialidade, mas que isso não me retira o direito de ter uma opinião e de, de vez em quando, acertar.

Na segunda semana de Março saiu no “Expresso” uma notícia que dava conta da aproximação entre o BES e o BCP e de uma possível OPA deste último ao Grupo Espírito Santo. Fiquei surpreendido porque sempre achei que em primeiro lugar ia o BPI. Três dias depois estoirou a bomba e o Millennium lançou uma OPA que deixou todos de boca aberta, incluindo eu próprio, já convencido pelas fontes fidedignas do jornal “referência” em Portugal.

Os economistas portugueses andam eufóricos e olham para o futuro de forma mais optimista. Prevêem que estas OPA’s animem a economia e, em conjunto com OTA e com o TGV, forcem o país a arrancar em definitivo. Faz sentido, sim senhor. Mas…

A minha previsão é diferente. Diferente no conteúdo mas igual no resultado, porque também ela vai levar o país a sair do “atoleiro” em que está mergulhado.

Sócrates e Cavaco juntos no poder são imprevisíveis. Como tal acredito que estes senhores da “grande finança”, ou do “grande capital”, podem estar enganados e que, de dois governantes que “piscam o olho à direita”, saia, finalmente, politica de “esquerda”.

Perguntem a um holandês se ele sabe o que é um “spread”?! Perguntem a um alemão se os bancos não pagam impostos?! Depois, perguntem a um português se conhece algum banco que em Abril não tenha já atingido os objectivos anuais?! Fará sentido que num país de “tanga”, apertado entre cargas fiscais tremendas e um crescimento económico próximo de zero, onde as empresas são castigadas com impostos pesados e asfixiantes que não deixam espaço ao investimento, os bancos apresentem lucros absolutamente incríveis e não paguem um tostão de imposto?!

Nem é preciso ser de esquerda para ficar revoltado com esta situação. Basta ser português e ter intenção de pagar os seus impostos.

É nessa condição, de português que quer pagar todos os seus impostos, que tenho o direito de acreditar neste “duo” de homens determinados e preocupados com a situação dos 99,9% de portugueses.

 Não digo que uma medida que coloque os bancos a pagar impostos, como as restantes empresas, resolva a situação do país. Mas, pelo menos, essa medida ajudaria a que muitos portugueses sentissem que vivem num país justo e tivessem orgulho em cumprir os deveres fiscais.

Enquanto eu sonho com estas coisas os portugueses que arriscaram cumprir escrupulosamente todas as suas obrigações para com Estado estão num dilema:

- Por um lado estão preocupados com a questão da gripe das aves e as consequências que poderá ter na Humanidade. Por outro, já há quem pense, que essa questão lhes permite ter o frango mais barato e poder continuar a comer.

In " Jornal Terra Ruiva" - Março de 2006

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