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Lembro-me de ser pequeno na altura em que a “febre da laranja” grassava por todo o Algarve. De um momento para o outro todos os agricultores modernos e investidores inteligentes achavam que o “que ia dar” era plantar laranjeiras. Por todo o lado – e em especial no nosso concelho – assistíamos a uma autêntica revolução e, à medida que as alfarrobeiras e amendoeiras davam lugar a laranjeiras de toda espécie, ficávamos com a sensação de que o mundo estava ávido de vitamina C, como se adivinhasse “gripe” de dimensões nunca vistas.

 

Em Silves a FISSUL, projecto badalado mas adiado sucessivamente, “nasceu de cesariana” propositadamente para a Festa da Laranja. Dava a sensação que, com “laranja” por toda a parte, era uma questão de tempo até que acontecesse o que aconteceu e tudo neste concelho fosse… laranja. Hoje até o novo museu do “trajo” de Messines é laranja, na certa por homenagem a esses tempos áureos da freguesia em que tantos e tantos agricultores “embarcaram” no “conto do citrino”. Passe o exagero, criou-se a ideia de que quem quisesse ser alguém na vida tinha que ter “laranjeiras” (quem nunca ouviu a expressão: “Olha que o “gajo” tem laranjeiras!”), se as tivesse estavam garantidas as “resmas” de “moças roliças”.

 

Discute-se hoje se foi uma boa decisão. Boa ou má, o que importa é que foi adoptada uma estratégia de desenvolvimento, para mim mais vale uma má decisão do que uma indecisão. É fácil vir, 25 anos depois, desmontar essa estratégia e provar que assentava em “coisa nenhuma”. Não vou criticar os visionários dessa altura, até porque basta sair de casa, e dar um giro pelo concelho, para comprovar o abandono da esmagadora maioria dos laranjais, com o fruto na árvore à espera que as leis da física façam o seu trabalho e as reacções orgânicas completem a tarefa. Não compensa sequer apanhar o fruto porque sairia do produtor já mais caro do que custa numa grande superfície. Digamos apenas que a longo prazo a coisa não correu bem.

 

Hoje, passados estes anos todos aparece uma nova corrente: “O que está a dar é plantar alfarrobeira” - dizem. Os argumentos parecem válidos e juntos fazem todo o sentido. Diz-se que a alfarrobeira é uma das árvores que mais CO2 subtrai à atmosfera, diz-se que é um fruto óptimo para a produção de “bio-diesel”, diz-se que os restos são óptimos para elaborar rações para animais e que a grainha mantém o elevado valor que sempre teve na indústria alimentar e farmacêutica. Deduzo que com a laranja se devam ter arranjado argumentos tão, ou mais, convincentes que estes e é por isso que gostava que pensassem bem antes de plantar intensivamente alfarrobeira por todo o Algarve, antes de atirar para o abismo uma série de agricultores e investidores e antes de proclamar aberta ao público a Festa da Alfarroba na FISSUL.

 

É verdade que a alfarrobeira, pelo menos, tem mais a ver com a flora da região, mas também é verdade que as transformações que se avizinham implicam alterações profundas na vida de todos nós quer a experiência resulte ou fracasse. Portugal é o 3º maior produtor mundial de alfarroba e, olhando para o primeiro e segundo lugares (Espanha e Marrocos) não será muito plausível esperar que melhoremos o “score”, sendo bem mais provável que países como o EUA, o México, a Argélia e a Tunísia também optem por dedicar mais hectares a esta cultura deixando-nos novamente em posição de “dominados”… tal como aconteceu com a laranja.

 

Vamos pois ter fé nos nossos “estrategas” que, sentados nas suas cadeiras em Faro e Lisboa, estudam a melhor solução para o futuro do interior algarvio e esperar que desta vez a decisão seja a acertada e a mais fundamentada. De preferência fazendo ouvidos “moucos” ao lobby da alfarroba que já anda por ai. Admito que até sou fã do fruto e da árvore e que por entre os bolos, a aguardente, os espessantes e os quilates (esses mesmos, os dos diamantes, têm origem na grainha da alfarroba) destaco o uso da alfarroba que mais me agradou até hoje, pela sua originalidade e “pontinha de malvadez”: “praxar” os jovens universitários que chegam ao Algarve vindos de outras latitudes. - Quem já experimentou comer alfarroba verde sabe do que estou a falar.

 

          In. Terra Ruiva - Maio de 2008

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De Anónimo a 02.12.2014 às 14:17

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