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“Sempre que vivemos um período de crise formam-se 2 grupos na sociedade: os que choram e os que vendem os lenços.” Esta é uma frase usada por muitos oradores com o intuito de chamar a atenção para as oportunidades que todas as crises apresentam. Esta, que agora vivemos, não será excepção.

 

Desde o início deste século que vários pensadores alertam para a necessidade de reestruturar socioeconomicamente o Mundo. Somos uma sociedade “energívora”, quer isto dizer que somos dependentes da energia e por cada dia que passa acentua-se essa dependência. Quer pelo facto de mais aparelhos, “gadgets” e consumidores existirem; quer pelo facto de as reservas de combustíveis e recursos energéticos não renováveis diminuírem.
As teorias convergem na ideia comum de que é impossível manter este ritmo e esta cadeia de consumo. A subida dos preços das energias e das matérias-primas será inevitável e com ela surgirão alterações forçadas nas economias de todo o Mundo. Apenas 20% da população dos chamados países desenvolvidos produz algo palpável, o que quer dizer que 80% - entre os quais eu próprio incluído – nada produzem, a não ser valor “sem volume” medido por uma escala falível. Há 100 anos atrás estes números diziam-nos oposto. Chegamos a isto porque a globalização fez com que saísse mais caro produzir do que comprar o produto acabado vindo de outras paragens. Assentes na energia barata diversos sectores floresceram e prosperaram, desses destaco o turismo que nesta análise mais nos interessa. 
Ao olhar para o panorama algarvio entendemos que a região tem a “cabeça” na “guilhotina” do turismo. Praticamente todos os concelhos do Algarve apostaram tudo o que tinham neste sector durante os últimos 25 anos criando uma “bolha”, que tal como a do sub-prime, acabará por rebentar… é inevitável. Revelando algum bom senso esses mesmos concelhos discutem, desde há uns anos, a necessidade urgente de criar alternativas ao turismo que possibilitem salvaguardar o bem-estar e, em última análise, a subsistência dos seus munícipes. Todos os concelhos trabalham já neste campo. Todos?!! Bem, todos não! Há um concelho onde a falta de visão é tal que, em contra-ciclo, mergulha de cabeça no “charco” de onde os outros tentam sair. Adivinhou… falo do concelho de Silves.
Nos anos em que os concelhos vizinhos investiam forte no desenvolvimento do turismo o nosso concelho “dormia na forma”. Depois, quando a equipa de “grandes decisores” entendeu o que se passava em redor, acordou e começou a tentar recuperar o atraso. Mas o atraso era tanto e a capacidade dos “decisores” tão pouca que não recuperaram coisa nenhuma e voltaram a adormecer, convencidos de que pelo menos umas migalhas haviam de sobrar para Silves. O resultado pode ser visto em Armação de Pêra e há-de perpetuar-se por todo o concelho onde se constroem museus e estalagens que mostrarão aos nossos filhos a incompetência destas gentes que nos “governam”.
Faço aqui um parêntesis para reiterar o meu protesto contra a construção da Estalagem e Museu do Azeite em São Marcos da Serra. Muito havia na aldeia onde se podia “enterrar” meio milhão de euros (que vão ter derrapagens, ou não estivéssemos a entrar em ano de eleições) e beneficiar a população. Agrada-me muito mais a ideia da Praia Fluvial que pode ser usada pelos munícipes do que um Museu e uma Estalagem pagos com dinheiro de contribuintes europeus que nem desconfiam deste embuste. Imagine o leitor se descobrisse que o seu dinheiro tinha sido usado para construir um Museu da Cachaça numa qualquer aldeia da Eslovénia?! Ficava indignado, certamente.
Voltamos à “vaca fria” para concluir o raciocínio. Este é um concelho feio, atrasado, envelhecido e esquecido que aposta na ilusão do turismo para deixar de o ser. No fundo querem os nossos “líderes” trazer gente de fora para um sítio onde os próprios locais não gostam de estar. Mais de metade da minha geração trabalha fora do concelho e nada, rigorosamente nada, foi feito nos últimos anos para inverter esta tendência. Não há uma ideia, uma inovação, uma iniciativa que seja. Tudo o que se faz é copiado, e mal copiado quase sempre, dos concelhos vizinhos com a agravante de o ser com anos de atraso. Esta gestão empurra-nos, a cada ano, para o fundo do Algarve e para fora das nossas terras ao mesmo tempo que acentua os “compadrios”, os “esquemas” e as “artimanhas” ao estilo madeirense, ou, como diria o celebre deputado do PND: “Ao estilo Nazi-fascista.”
Quem acredita num futuro Mundo global, como aquele que conhecemos nestes últimos anos, deve continuar a apoiar esta equipa camarária e os seus projectos. Quem já entendeu que a situação é insustentável, e que em breve um Planeta Terra não será suficiente para alimentar o consumo, deve optar pela mudança tendo presente que esta se opera mais consistentemente a partir de baixo. Não sou lírico. Sei que um novo presidente na Câmara de Silves não vai mudar o Mundo, mas pode mudar a relação que os silvenses têm com o Mundo e fazer com que esta terra e estas gentes voltem a contar.

In: Jornal "Terra Ruiva" - Novembro de 2008

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