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Quando uma empresa em dificuldades vê as suas receitas descer, e ao mesmo tempo “apanha” com uma subida brutal dos custos, só lhe resta uma saída: “cortar despesas”. Seja pelo despedimento, seja pela alteração do modelo de gestão ou pela redução substancial nas despesas. Os modelos económicos que temos não permitem subir preços para colmatar as quebras da receita, pela simples razão de que as pessoas não estão disponíveis para pagar mais, pelos bens ou serviços, apenas porque a empresa necessita de mais dinheiro. Nem tão pouco é viável deixar de cumprir os compromissos com os seus fornecedores e credores, sob pena de fechar portas. Esta é a primeira lei básica da economia empresarial.

Quando uma empresa fecha portas isso significa que deixa de contribuir com os seus impostos (IRC, IRS, Segurança Social e IVA) para os cofres do Estado, ao mesmo tempo que os seus ex-funcionários passam a beneficiar das pensões sociais e do fundo de desemprego. Para os contribuintes a equação é bastante simples: perdemos receita e “ganhámos” despesa. Multiplique-se isto por as centenas de empresas, que fecham todos dias, e obteremos uma perspectiva do “barril de pólvora” em que estamos sentados. Bem podem ficar impávidos e serenos à espera do milagre porque, meus amigos, milagres não há!

 Insensível a tudo isto a nossa esfera política continua à espera do tal “milagre”, enquanto segue “by the book” os ensinamentos “demoníacos” que os seus antecessores lhes passaram, nos tempos em que choviam euros de Bruxelas. Subir impostos é a forma mais fácil de “sacudir a água do capote”. Pedem-se esforços, contenção, coragem e o “apertar do cinto” em nome da salvação nacional, da estabilidade e do “Estado Social”. Tudo tretas. “Patranhas” que vamos engolindo na esperança de que vá alguém ao “leme deste barco”, quando é evidente que andamos à “deriva”. Fico enjoado só de pensar no que se tem feito a este país em nome do “interesse nacional”.

Em Silves a situação não é muito diferente. A receita que os políticos locais pretendem adoptar por cá é um “genérico fraquinho” daquilo que é a “dose diária” do país. Mas, num concelho miserável (notem que escrevi sem aspas), onde tudo falta e onde os munícipes pagam tudo como se vivessem no Mónaco, não há margem para falhanços. Não podemos continuar a fingir que alguém há-de resolver a situação e a pensar primeiro no partido e depois no concelho.

Em meados de Setembro a presidência da Câmara Municipal de Silves, aproveitando a deixa das autarquias ricas da região, resolveu propor a subida das taxas de IMI para o máximo permitido por lei. O argumento, como sempre, era a crise e a abrupta quebra de receitas. Corria-se o risco de não haver dinheiro para pagar ordenados! Começa justamente aqui a minha indignação. Se a câmara é mal gerida, se têm mais funcionários do que aqueles que precisa, se gasta o grosso do seu orçamento com salários (sem que nada sobre para investir no concelho)… porque hão-de ser os contribuintes a pagar mais? Porque temos nós que privar as nossas famílias de muitas coisas, porque hão-de as empresas de declarar falência (quando já não conseguem fazer face a impostos), porque temos todos que “apertar o cinto” para proteger os funcionários camarários?? E quem nos protege a nós?!

Evidentemente não sou insensível à condição dos funcionários da CMS. Até porque sei que, num eventual cenário de despedimentos, a “corda” quebrará pelo lado mais fraco e quem pagará a factura são aqueles que trabalham nas ruas, nas escolas, no apoio social… são os que ganham pouco, “labutam muito”, sustentam um lar e irão ter imensas dificuldades em voltar ao mercado de trabalho. Para os outros, os que estão “amontoados” nos gabinetes e corredores da autarquia, tudo “correrá sobre rodas”, protegidos pela licenciatura, pelo nome de família ou pelo cartão de militante. O problema é que são esses que estão a mais e nos brindam sistematicamente com as “brilhantes ideias” que nos “vão ao bolso”… como a Ópera no Castelo, as placas dos percursos pedestres ou a compra da Fábrica do Tomate.

Alguns argumentam que a subida - que representará qualquer coisa como € 350.000,00 a mais nas contas da autarquia - será importante e que, apesar da situação económica do país ser dramática, tal se resume a “beber menos um café por dia ou a jantar fora menos uma vez por mês”. Outros, entre os quais eu me incluo, acham que – e passe a metáfora/generalização – “os cafés e jantares” que se venderão a menos no concelho são o suficiente para rebentar de vez com muitos “bares, cafés e restaurantes” que se encontram já em situação critica. Esta é, antes de tudo, uma questão de princípio, de passar para os cidadãos que chegou a hora de responsabilizar os maus gestores pelos seus maus actos de gestão.

Como é evidente a senhora presidente procurará, no caso de a sua proposta voltar a ser chumbada, responsabilizar a oposição pelo sucedido anunciando despedimentos, falências, hecatombes, etc. Queixar-se-á de que não consegue “governar”, quando, na realidade, o que não consegue é gerir, por manifesta incompetência. Por mim só espero que haja coragem para fazer o que está o certo. E o que está certo é proteger, pela primeira vez na história, os munícipes deste concelho, mesmo que isso obrigue a que a CMS, também pela primeira vez, tenha que “apertar o cinto”. Pois que apertem, porque o nosso já não dá mais.

 

In. Jornal "Terra Ruiva" - Outubro de 2010

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3 comentários

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De Tânia Mealha a 27.10.2010 às 23:41

"Em Silves a situação não é muito diferente. A receita que os políticos locais pretendem adoptar por cá é um “genérico fraquinho” daquilo que é a “dose diária” do país." Devias ter feito aqui uma distinção, explicado aos leitores que políticos são esses. Estás a generalizar, parece que são todos...
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De Paulo Silva a 28.10.2010 às 00:11

Está descansada que as pessoas por cá sabem que o PC não tem culpa no cartório... nem sequer é genérico, é uma espécie de "Melhoral"... que não faz bem, nem mal!
;)
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De Tânia Mealha a 28.10.2010 às 04:08

Nem me referia apenas ao PC! Mas é bom saber que sabes! Lol

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