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A quadra natalícia tem, entre outras, a particularidade de trazer à vila “personagens” que há muito não víamos por estas paragens. Nos tempos que correm essas personagens já não voltam com o “accent” francês, voltam sem qualquer “accent” como qualquer bom lisboeta. E foi com uma dessas personagens que, dava o ano de 2005 os últimos suspiros, tive o prazer de conversar. O tema foi uma velha questão que, no seu devido tempo, nos fez “esgrimir” argumentos e até alguns impropérios, ditos em sede própria (o Bar do Júlio).

Falo-vos do “célebre” Pavilhão da Escola EB 2+3 de Messines e da discussão pública que antecedeu a sua construção. Para ser mais preciso a conversa começou quando o meu “camarada” diz, com um ar de quem não entendia o que se passava:

- “Pá, vinha ontem do lado dos Bombeiros e quando ia a chegar aos Armazéns do Teófilo passou um “gajo” por mim a dar sinais de luz! Quando cheguei ao café do “Piasca” disseram-me que agora a estrada era sentido proibido! Que ideia mais estranha! Como é que se faz agora para voltar para o centro?!

Ao que eu respondo com aquela paciência típica do algarvio quando lhe perguntam onde é a praia: -“ Ou vens pela variante da EN 124 ou passas ao Bairro da CHE Silvense. É fácil!”

Resolvi refrescar a memória ao fulano fazendo-o lembrar que ele era um dos que defendia estoicamente a solução que levaria, inevitavelmente, a que Messines se transformasse numa “rotunda gigante”, ainda por cima feia e sem visibilidade.

Acontece que meses antes de se decidir onde construir o famoso Pavilhão da Escola saíram n’“O Estravanca”, o Boletim Informativo da Casa do Povo de Messines, dois artigos a chamar a atenção para as intenções da Câmara Municipal de Silves (intenções essas que estão hoje à vista de todos). Esses artigos, um da autoria de Manuel de Sousa e outro assinado por mim, tentavam mostrar aos messinenses que os dinheiros disponibilizados para a construção do dito pavilhão poderiam ser aproveitados para, de uma vez por todas, colocar Messines no caminho certo. A ideia passava por retirar do local o Estádio Municipal, passando-o para o recinto de Feiras e Mercados. Construir o Pavilhão no local do Estádio, solução que possibilitava um Pavilhão capaz de receber provas oficiais de todas as modalidades “indoor”. E, finalmente, ligar a zona comercial da vila à zona onde se concentram os serviços públicos. Imagine, caro leitor, toda a zona arranjada e com uma avenida a sério por onde se podia circular de carro ou a pé sem ter que dar voltas e mais voltas à vila. Tudo isto foi proposto à Sra. Presidente em Assembleia de Freguesia realizada para o efeito e bastante concorrida. Ninguém nos ouviu.

Em vez disso, argumentando que o dinheiro “azedava” se não fosse gasto de imediato, a Câmara Municipal de Silves, pela voz da Dra. Isabel Soares, propôs uma solução que considerava genial. Essa solução (repito que está à vista de todos) passava por “apertar” o novo pavilhão entre o Bairro CHE e o Lar de Idosos, oferecendo uma vista “maravilhosa” aos utentes do Lar ao mesmo tempo que conseguia o incrível feito de ter dois pavilhões a 100 metros um do outro e de nenhum deles poder receber, por exemplo, uma prova oficial de Futsal. Da solução também fazia parte deixar o Estádio Municipal no mesmo local (recordo que anos mais tarde todo o campo de jogo foi destruído e reconstruído para possibilitar a colocação do actual relvado sintético) hipotecando qualquer futura expansão das bancadas e a construção de outros equipamentos que fizessem do “Estádio Municipal” um Estádio Municipal a sério, e não um “Campo de Futebol Municipal”. Mas não ficamos por aqui, porque para que tudo ficasse “au point” ainda faltava “ocupar” uma rua pública (não sei se lembram mas por trás dos balneários do Estádio Municipal ficava uma estrada que ligava o Bairro à Junta de Freguesia e à Casa do Povo) e deixar aquele “barranco alcatroado” entre o Estádio e as traseiras dos Estabelecimentos Teófilo como a “avenida” de ligação à zona comercial da vila.

Concluindo, ficamos com a única Junta de Freguesia em Portugal com sede num beco sem saída e, mais grave, levamos os nossos idosos, literalmente, para o fim desse beco. Conseguimos também fazer com que um peão pense duas vezes antes de passar pelo “barranco alcatroado” à noite e opte por fazer como os carros e circundar a vila.

Dito isto o meu “camarada” olhou para mim espantado e disse-me:

- “Eu sempre pensei que “O Estravanca” fosse contra o Pavilhão porque a Casa do Povo estava com medo de perder receitas no Pavilhão deles! Nunca tinha pensado nisso!”

Respondi-lhe que a Casa do Povo podia ter muitos defeitos mas nunca me disse o que escrever e que, tal como eu, a Direcção da altura defendia que a Escola deveria ter um Pavilhão anexo que servisse os alunos e a vila. Além disso, nessa altura, o único jornal local que existia no concelho era “A Voz de Silves”, pelo que “O Estravanca” pareceu-nos a solução mais séria para levar o assunto aos messinenses. Posto isto concordamos que a vila de Messines está a necessitar de uma requalificação urgente. Urgente no sentido de inadiável e breve, não no sentido que ultimamente temos visto e que significa mais projectos feitos “em cima do joelho” por indivíduos que nunca estiveram sequer em Messines.

Aproveitei o espírito da quadra natalícia para perdoar o mal entendido mas sempre fui ressalvando que, muito provavelmente, os nossos filhos vão perguntar no futuro:

- Quem terá sido o idiota que projectou e aprovou isto?

 

In "Jornal Terra Ruiva" - Janeiro de 2006

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