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New Silves Mayor vows to protect Salgados Lagoon

BY CARRIE-MARIE BRATLEY, IN NEWS · 31-10-2013 14:29:00 · 0 COMMENTS

In one of her first interviews since taking the reins at Silves Council, newly-elected Mayor Rosa Palma addresses the surprise victory of her Communist-Greens alliance (CDU) and tells The Portugal News she will endeavour to protect the Salgados Lagoon – “one of the Algarve’s last remaining ecological oases” – from mass construction.

New Silves Mayor vows to protect Salgados Lagoon

After sixteen years in Silves’ driving seat the PSD social democrats were ousted in this year’s local elections, on 29 September, by CDU, a coalition made up of the PCP communist party and the greens ‘Os Verdes’.
It was seen by many as a surprise result, but not to the new Mayor of Silves Rosa Palma, who was sworn in last week Monday (21 October).
“Throughout the electoral campaign we noticed more and more that it was in fact possible for us to win Silves, which proved right”, Rosa Palma tells The Portugal News.
Known for “keeping their word” and being “entirely immune to corruption and promiscuous connections”, Palma claims CDU candidates highlight the party’s “uncompromising defence of public interest and spirit of mission.”
Their victory in Silves, she says, is “mainly due to the quality and credibility of the team, as well as CDU’s credibility as a political force and broad coalition (made up by an independent majority), which stands out for the humble and serious way it makes contact with the population.”
Given that the CDU coalition also incorporates green party ‘Os Verdes’, many were quick to question whether this would bear any influence on the advancing of a controversial development project at the Salgados Lagoon in Pêra, or Pêra Marsh, which falls under Silves’ domain.
It was announced last year that the local authorities had given their backing to a massive tourist resort including three hotels and a golf course, to take shape at the natural beauty spot, which is popular among bird-watchers and nature lovers from all over the world.
“Evidently it will [influence the on-goings]”, Rosa Palma replies, pledging that the party’s position on the matter has not changed in light of the electoral win; “Rather the contrary, it has only further legitimised our aspirations to safeguard one of the last ecological ‘oases’ in the Algarve.”
As the Mayor of Silves, Rosa Palma vows she will “seek to protect the unique ecological habitat which, from a tourism point of view, should be valued and used in a way that does not involve mass construction.”
She continues: “We know there are urban commitments for that area, but we will keep an eye on the situation because the community has realised that building for building’s sake does not necessarily bring wealth and employment, particularly when we are referring to worn-out formulas that imply the destruction of areas that are ecologically sensitive and which, for being so rare in the Algarve, justify being safeguarded and protected.”
News of the project caused an immediate backlash, with the Portuguese Society for the Study of Birds (spea), part of global organisation Birdlife International, calling it a “mega-attack on the environment.”
A petition was launched in June last year to protect the Salgados lagoon from any development and has so far amassed more than 22,000 signatures.
On Wednesday this week a spokesperson for CCDR-Algarve, which was responsible for carrying out an Environmental Impact Study (EIA) on the project, told The Portugal News that the finished file has been dispatched to Lisbon and is currently waiting to be signed off by the State Secretary for the Environment. 
Once it has the State Secretary’s stamp of approval construction can begin.
The EIA’s initial conclusions were vehemently contested by those opposing the project during a phase of public consultation which ended earlier this year on 26 July.
Meanwhile, Rosa Palma says her immediate priority is “getting to know, in a thorough and detailed manner, the economic and financial situation of Silves, so we can restructure municipal accounts and elaborate, from here on in, serious, credible and transparent budgets.”
Once that objective has been achieved the Silves Mayor believes it will help “wipe out the bad image” that has been built up of Silves “over the past 16 years, of a county with pot-holed roads, with rubbish to be picked up, with a lack of cleanliness and public hygiene, and degraded or abandoned places of collective use.”
She is also aiming to boost the local economy “which at the moment is paralysed”, to guarantee more job opportunities and help the underprivileged, “limiting as much as possible the harmful effects of the serious and profound economic and financial crisis affecting our country and the county.”
The restoration of degraded areas such as the Caixa d’Água neighbourhood, the Silves castle hillside, the renovation of Armação de Pêra Casino and interventions in the historic centres of Silves’ parishes will happen, Mayor Rosa Palma says “as and when the council’s financial difficulties are resolved.”

Um texto publicado no Portugal News (site e jornal), onde a nova Presidente assume a vontade de proteger a Praia Grande da betonização. Resta saber se terá força e condições para travar a malta "dos aventais"... é que nesta matéria, e neste ponto de situação, o poder local pode fazer muito pouco. Por isso mesmo inventaram os PIN - Projectos de Interesse Nacional, uma "inovação" de José Sócrates que permite ao Governo fazer aquilo que as autarquias não querem fazer. 

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Um deputado da Madeira, eleito pelo CDS, corre o risco de ser expulso do Partido por defender os interesses do eleitorado madeirense votando contra o Orçamento de Estado! Caricato! Entre os interesses das pessoas e os interesses dos partidos, o nosso sistema político acha normal que se sobreponha os interesses do partido. Assim é da esquerda à direita.

Sem aparente ligação uma corrente de opinião “rotula” o povo português de ignorante, porque é capaz de censurar Joseph Blatter, na sua caricatura infeliz de Ronaldo, enquanto deixa que Passos Coelho e “sus muchachos” continuem a destruir o país, condenando-o a mais umas décadas de atraso e pobreza. “O povo português revolta-se contra o presidente da FIFA mas deixa que o Governo os condene à pobreza” – pode ler-se nas redes sociais.

Ora eu acho que tudo isto está ligado. O nosso sistema político, a “Partidocracia”, muitas vezes também chamada de “Democracia”, está “morto e enterrado”. O Povo, ao contrário do que muitos querem fazer crer, é sábio e tem a perfeita noção de que terrenos pisa. Por isso sabe que fazer cair PSD, o responsável directo pelo nosso empobrecimento, para lá meter o PS, o responsável directo pelo nosso endividamento e modelo social insustentável, não resolve nada. Tal como sabe que votar à esquerda, na CDU ou no BE, é dar força a um grupo de “bons rapazes” que têm uma perspectiva romântica, para não dizer lunática, da sociedade… acreditando que tudo se consegue com mais Estado, mais benefícios, mais direitos, mais apoios… sem pensar de onde virá o dinheiro para pagar num país que não tem “ouro amarelo” nem “ouro negro”. Já a direita, do CDS para lá, é uma elite de “frigorífico vazio”, sedenta de poder para conseguir instalar os “duques sem ducado” e os “condes sem condado” que tem nas suas fileiras.

Pois é… não há meio-termo. O nosso sistema partidário não permite que nada floresça no meio. Neste sistema os bons fogem a “sete pés”, porque conseguem ganhar mais no sector privado e não estão constantemente a ser escrutinados, julgados e difamados na praça pública. Já os outros, os que não têm boas intenções, os que não têm capacidades, os que têm o fascínio pelo “poderzinho”, os pequenos “ditadorzinhos”… esses concentram-se nos lugares elegíveis de cada acto eleitoral. Uns por conta própria, outros ao serviço do partido, outros ainda ao serviço de interesses obscuros vão sendo a “regra que confirma a excepção”… e a excepção é gente que está no poder com o desejo de servir a sua terra, a sua região, o seu país.

 

Os portugueses, ao contrário do que querem fazer crer, não estão afastados da política… estão é tão próximos que sabem claramente nada poderem esperar dela. Todos conhecem um “boy ou uma girl” que sem qualquer pudor vive às custas do erário público porque tem o cartão de militante correcto, no tempo correcto. Todos conhecem um caso de corrupção que acabou arquivado graças às “mãos por trás dos arbustos”. Todos reconhecem um favor “pago em cargo” ou um “cargo atribuído para fazer favores”.

Eu, que me interesso pela política, que tenho o cuidado de ler, de pensar, de estar informado, que me coloco no espectro político como alguém de esquerda… não vos sei dizer se Portugal ganhará com a queda deste Governo! Não acredito no PS, pelo menos enquanto não existir no Partido uma reflexão profunda, uma abertura à sociedade, um rejuvenescer dos quadros. Para mim o PS é o grande responsável pelo estado a que chegou este país… talvez apenas Cavaco Silva tenha feito mais mal aos portugueses. CDU e Bloco de Esquerda não são solução… não têm propostas realistas e estão ideologicamente amarrados ao passado. Dá-me arrepios só de pensar que possam ser poder. Do CDS já todos sabemos o que esperar, as elites, os senhores feudais… a misericórdia e a caridade para com os pobrezinhos enquanto se fazem grandes e chorudos negócios. Dai para a direita é o vazio…

Antes de se criticar o Povo português por não estar na rua a derrubar o Governo é preciso fazer uma pergunta crucial: - “Derrubar o Governo para quê?! O que vem a seguir?!

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De acordo com os "sindicatos" foram mais de 1.000.000... para a GNR não chegaram a 100.000... mas de acordo com o HitStats o Penedo Grande ultrapassou ontem as 300.000 vizualizções. Obrigado a todos os leitores e amigos que por aqui passam regularmente. Vamos a mais 300.000!!!

 

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Muito se tem escrito sobre a Feira, que se queria “franca”, e levou “chumbo” da oposição em Reunião de Câmara. Se há coisa que este blog sempre tem procurado é defender a verdade e, até a propósito, a política “franca”… como a feira deveria ser.

Quero por isso começar por dizer que, sendo o blog um espaço onde quase sempre se posta a minha opinião, acho a atitude da vereação neste caso uma “vingançazinha”… mesquinha… sujinha… e tudo o que acaba em “inha”. Tal não quer dizer que a CDU tenha tido o papel de vítima. Nem todos os “crimes” têm uma vítima. Aliás, a CDU neste “caso” terá à sua espera um, de dois, papeis:

- Ou revelou a sua impreparação (que é normal) levando a Sessão de Câmara um assunto que teria que ser decidido pela Assembleia Municipal, sendo que a próxima reunião daquele órgão estava marcada para depois da Feira;

- Ou quis “entalar” desde já a oposição na opinião pública, preparando terreno para o Orçamento e outras medidas que terá que tomar, usando um truque de “rasteireza política” no qual PS e PSD caíram como “patinhos”. Se foi esse o caso, a CDU também “começa mal”…

Depois de publicar o post anterior alguns amigos me alertaram para o facto de as últimas Feiras Francas realizadas em Silves terem ocorrido ANTES da nova legislação, que não prevê excepções… tal como também me esclareceram que nesta situação o executivo camarário deveria ter “deliberado” propor à Assembleia Municipal que decidisse a isenção de taxas na próxima feira.

Analisando isoladamente este caso, e sem conhecer ainda a acta e porque razão PS e PSD invocaram o voto contra, poderemos dizer que a decisão é compreensível. Já quando a análise é feita à luz do que tem sido o comportamento e as decisões tomadas pelos principais intervenientes na tal sessão de câmara, não podemos deixar de pensar que a abstenção seria a tomada de posição mais lógica. Convêm não esquecer os inúmeros casos de abstenções, faltas de vereadores e votos “errados” que marcaram os últimos anos em casos onde os munícipes tinham muito mais a perder. 

 

PS: fica no post anterior a "Proposta da CDU" para consulta.

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Silves: Proposta do executivo para tornar Feira de Todos os Santos isenta de taxas foi rejeitada

 

A proposta do executivo CDU da Câmara Municipal de Silves, que previa a realização, a título excecional, da Feira de Todos os Santos de 2013 como feira franca, isentando-a de taxas, foi rejeitada com os votos contra da oposição, formada pelo PSD e pelo PS.

 

A proposta, chumbada com os votos contra do PSD (2) e do PS (2) face aos 3 votos a favor da CDU, visava “minimizar os efeitos que provavelmente se sentirão e que resultarão da não existência de feriado no dia 1 de novembro e com a atual crise económico-financeira”, explica, em comunicado, a presidente da câmara, Rosa Palma.

 

O executivo permanente previa, devido aos fatores já citados, “uma diminuição muito considerável do número de visitantes da feira”, o que constitui um “desincentivo” à participação dos feirantes e demais comerciantes no evento.

 

A proposta desonerava de forma excecional os feirantes e demais comerciantes a retalho não sedentários da obrigação do pagamento das taxas previstas na secção I, do capítulo IX, da tabela de taxas e licenças anexa ao regulamento n.º 210/2013.

 

A autarca da CDU recordou que, nos anos de 2009 e 2010, a Feira de Todos os Santos foi realizada como feira franca e, também no ano de 2009, o mercado municipal da freguesia de Silves foi franco, “em ambas as situações” com a aprovação “unânime” de todas as forças políticas.

 

“O executivo permanente lamenta profundamente este tomada de atitude, que considera poder ser um contributo decisivo para a perda de importância e impacto deste evento”, sublinha Rosa Palma.

 

A autarquia informa assim todos os feirantes e artesãos que participarão na Feira de Todos os Santos que deverão dirigir-se ao serviço de Taxas e Licenças da autarquia, a partir de segunda-feira, para procederem aos pagamentos correspondentes aos espaços que ocuparão no recinto do evento.

 

A Feira de Todos os Santos realiza-se entre os dias 31 de outubro e 3 de novembro. O evento decorre no parque de estacionamento atrás do castelo e nos arruamentos adjacentes.

 

Este evento tem uma longa tradição na cidade, já que se realiza desde o ano de 1492, ocasião em que Silves foi agraciada com a «Carta de Feira» pelo rei D. João II.

 

Nessa altura, apenas as localidades de Loulé (1291) e Tavira (1490) tinham tal privilégio. A Feira de Santa Iria só passou a existir em Faro a partir de 1596 e, em Portimão, a Feira de São Martinho data de 1662.

 

.diariOnline RS

20:54 sexta-feira, 25 outubro 2013


Os mesmos que viabilizaram pagamentos milionários a sociedades de advogados, aumentos de taxas e impostos, orçamentos irrealistas ou despesas de representação ridículas... são agora contra a iniciativa de isentar de taxas a Feira de Todos os Santos. Isto demonstra claramente a qualidade e o carácter de quem "ainda está na vereação". Nem vale a pena fazer mais comentários, a não ser que a Dra Rosa Palma e a sua equipa vão ter mais dificuldades do que aquelas que seriam expectáveis, mas, no final, quando se age com honestidade, boa vontade e dedicação ao concelho, a recompensa chegará. 

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Durante praticamente duas semanas publiquei no Penedo Grande os textos de personalidades que, de uma forma ou de outra, estiveram ligadas ao passado político deste concelho. Agradeço-lhes por aceitarem o convite e espero que todos estejam, de forma ainda mais vincada, ligados também ao futuro de Silves e dos silvenses. Todos somos poucos para superar os exigentes desafios que se vislumbram.

No total fiz mais de 20 convites, quero também agradecer aos que não aceitaram (por razões que compreendo) e aos que ainda não tiveram tempo de escrever. Para esses fica a promessa de publicar, a qualquer altura, os textos que me enviarem. O facto de sermos um concelho pequeno, no qual o maior empregador é a Câmara Municipal, pesa muito na hora de opinar publicamente.

O objectivo deste “rescaldo” foi, essencialmente, dar voz às várias facções e aos vários “interpretes” que estiveram no terreno… uns de forma mais interventiva, outros a “correr por fora”, outros ainda apenas cumprindo o seu dever. Parece-me que esse objectivo foi minimamente atingido. Tivemos opiniões de todos os quadrantes, de todos os partidos, para todos os gostos.

 

Numa espécie de “rescaldo do rescaldo”, e resumindo a minha opinião, que a cada dia que passa se torna menos relevante, diria que estas eleições tiveram um grande vencedor e um grande derrotado. O grande vencedor foi a CDU… com Rosa Palma, Mário Godinho, Analídio Brás, Tito Coelho e João Carlos Correia a merecerem o papel de grandes protagonistas de uma campanha inteligente, ousada e muito eficaz. Conseguiram “correr” ao ritmo certo para chegar à “recta final” com boas hipóteses de ganhar, conseguiram capitalizar os bons presidentes de junta que tinham e ao mesmo tempo atrair os votos de 2 grupos muito importantes: os que queriam penalizar o Governo; os que queriam uma mudança visível e olhando para os rostos locais do "bloco central" apenas viam continuidade.

 

O grande derrotado foi Fernando Serpa. E digo Fernando Serpa porque o PS teve uma noite eleitoral memorável no Algarve, recuperando câmaras importantes ao PSD, e porque esta foi, como sempre aqui afirmei, uma candidatura pessoal, com contornos de capricho, que esteve sempre longe de reunir o consenso e o apoio pleno do partido. Se não conseguiu liderar e unir o partido é porque não era o líder certo (nunca tinha visto tamanha divisão interna). A colagem à Voz de Silves foi o primeiro grande erro, como aqui escrevi. A “colaboração” na viabilização de orçamentos, aumentos de taxas e verbas para gabinetes de advogados foi outro erro crasso. A duração do período de campanha foi outro, vários vultos do associativismo local me disseram que já estavam fartos de Fernando Serpa. A forma como a campanha propriamente dita foi conduzida completou o cenário que justifica os resultados. Foi o próprio candidato que publicou no seu Facebook o “pedido de desculpas” por viabilizar os pagamentos à PLMJ, as fotos da sua equipa a distribuir a Voz de Silves, fotos de gente que não se sabia fotografada e a célebre foto do candidato segurando um folheto de Rogério Pinto.

 

José Mourinho diz que quando a sua equipa ganha o mérito é dos jogadores, quando perde a culpa é dele. Todos os grandes líderes têm essa característica… assumem as suas responsabilidades sem procurarem bodes expiatórios e desculpas esfarrapadas. Na última semana PS e PSD reuniram as suas Comissões Políticas para analisar as autárquicas. De um lado atribuíram-se as culpas a “uma conspiração” e lançou-se uma "caça às bruxas" procurando culpados pelo desaire e “ameaçando” em surdina “fazer a folha” aos “traidores”. Do outro assumem-se as responsabilidades e trata-se de preparar o futuro, aceitando o papel de oposição e deixando que o partido decida o caminho a seguir. Evidentemente os segundos não estão contentes, mas mal ou bem tinham nos cargos de responsabilidade gente que encara a política de uma forma saudável.

 

No início da próxima semana Rosa Palma será oficialmente empossada Presidente da Câmara de Silves. Ao mesmo tempo ficaremos a saber quem serão os vereadores da oposição que a acompanharão. Será por isso uma semana com bastante significado, ficaremos a saber quem cumpre a sua palavra (havia quem dissesse que se não ganhasse abdicaria do lugar) e quem coloca realmente o concelho e o partido à frente dos interesses pessoais. Cá estaremos para analisar, porque este blog não termina aqui. 

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A Dra Ana Sofia Belchior é uma advogada, messinense e militante socialista bem conhecida no nosso concelho. Já desempenhou os mais variados cargos políticos e, ainda recentemente, cessou as suas funções como eleita pelo PS na Assembleia Municipal de Silves. Conheço-a desde que me lembro de ser gente (como atesta o Paulo Dinis, que é como ela me chama), quando ainda criança ia passar uns dias na casa do meu avô, em Messines de Baixo, a pouca distância da casa dela. Mais tarde andamos na mesma escola e, mais tarde ainda, encontramo-nos no Partido Socialista. Para além da amizade reconheço-lhe capacidades políticas importantes, como a capacidade de dialogo, a perseverança, a calma e a vontade de servir.  Agradeço-lhe o texto que enviou, sei bem que não é seu costume fazer comentário político. Obrigado Sofia!


É com grande honra que aceitei o desafio do meu amigo Paulo Dinis, para lhe dar a minha opinião acerca dos resultados eleitorais das eleições autárquicas no nosso concelho, ocorridas no passado dia29/09/2013.

 

Assim, começo por confessar que não fiquei surpreendida com o resultado eleitoral, e que desde cedo sempre me pareceu espectável que o resultado fosse o que realmente veio a acontecer.

 

Como deve ser do conhecimento da maioria dos visitantes deste Blog, sou militante do Partido Socialista há longos anos. Sou militante por convicção e porque acredito nas suas directrizes e nos valores de base. No entanto, não sou obrigada a concordar com tudo o que por lá se faz, nem sou obrigada a concordar com todos os seus protagonistas, nem sou obrigada a concorrer em todas as listas. Mas, no entanto, tenho o direito de respeitar o que a maioria decide e assim o fiz e farei.

Posto isto, vou tentar fazer uma análise imparcial, abstraindo-me disso e baseando-me apenas na minha leitura pessoal dos resultados eleitorais no nosso concelho.

 

A derrota do PSD era esperada, não só pelo facto de ser o partido de Governo, mas, sobretudo, porque a população do Concelho estava farta de 16 anos de gestão PSD, e também porque o rosto da PSD local já não era a Dr.ª Isabel Soares. Porque, também vos digo, acredito que se o fosse, o resultado eleitoral poderia ter sido diferente.

O Dr. Rogério Pinto pese embora seja um homem dinâmico e comunicativo, de fácil trato, não conseguiu passar a imagem de homem com capacidade para continuar à frente dos destinos do município.

Logo após a sua tomada de posse, a natureza deu-lhe a glória do estrelato em todos os canais nacionais, para infelicidade de alguns dos que sofreram com os prejuízos do tornado que assolou o nosso concelho no ano passado. Nessa altura, o Dr. Rogério Pinto ficou conhecido como sendo o novo Presidente da Câmara Municipal de Silves, o que para muitos até então ainda era desconhecido. Na minha opinião esteve muito bem nessa altura, diria mesmo, esteve à altura de um Presidente de Câmara, sempre junto da sua população e pronto a ajudar! No entanto, como não há bela sem senão, a mesma natureza veio-lhe roubar o tal protagonismo, com o triste episódio da praga dos mosquitos que assolou no Verão passado os habitantes e visitantes de Armação de Pêra, e que desesperou tudo e todos. E aqui Rogério Pinto esteve mal, muito mal mesmo.

Também sou da opinião que não foi este episódio que o fez perder as eleições, mas sim a descrença dos cidadãos no PSD. O resultado era expectável.

 

Quanto à derrota do Partido Socialista, bem esta foi sem dúvida alguma a pior de sempre, pois para além de termos virado a 3.ª força política no concelho, obtivemos também o pior resultado no Algarve, quando o Partido Socialista ao nível nacional teve o melhor resultado de sempre depois do25 de Abril de 1974, conquistando aproximadamente 150 municípios.

Esta leitura, por muito que nos custe engolir, tem que ser feita. Algo correu mal no Partido Socialista em Silves, mesmo com os apoios todos que teve, com figuras distintas do PS nacional a apoiar, tais como António José Seguro, Carlos Zorrinho, Vieira da Silva, Inês de Medeiros, João Proença, Maria Amélia Antunes, entre outras figuras também da distrital, este nunca poderia ter sido o resultado eleitoral no Concelho de Silves. Por falta de apoios não foi com certeza.

O excesso de confiança, o menosprezo pelos adversários políticos, os conflitos internos mal resolvidos que alimentam sede de vingança, o desgaste de alguns candidatos na política muitas vezes têm como consequências estes resultados.

Há que haver coragem para reconhecer a derrota, mas acima de tudo há que haver coragem para assumir que fracassamos e que devemos dar oportunidade a outros, sendo certo que nada nos impede de continuarmos de uma maneira activa e leal, a ajudar o Partido Socialista! A ideia será sempre a de união, com a participação de todos a uma só voz. A voz do Partido e não aquela que lhe quiseram dar.

Temos que ser humildes, sensatos mas também ferozes o suficiente para conseguir combater e enfrentar os novos desafios que estes 4 anos nos trarão. Penso que com humildade e sensatez conseguiremos levar a água ao nosso moinho!

 

 

Quanto ao Bloco de Esquerda, este conseguiu manter o seu membro na Assembleia Municipal, o que por si só não é mau. Tendo em consideração os resultados eleitorais ao nível nacional, até nem esteve mal e conseguiu manter mais ou menos o seu eleitorado.

Fizeram, a meu ver, uma campanha limpa, calma, sem grandes alaridos e provocações, o que demonstra carácter e atitude na política, o que faltou em muitas outras campanhas.

Pessoalmente não conhecia o candidato à Câmara Municipal, o Prof. David Marques, mas entendo que esteve à altura do desafio, pois apresentou-se à população com um projecto, com ideias para o concelho. Não foi o suficiente, mas esteve bem.

 

Quanto à CDU, bem a CDU efectivamente foi a grande vencedora destas eleições. Assim sendo, e antes de mais, endereço os meus sinceros parabéns à Sr.ª Presidente eleita, Dr.ª Rosa Palma, e à restante equipa, e faço votos para que cumpram com lealdade o juramento que irão fazer.

A meu ver, a conquista da Câmara Municipal de Silves pela CDU deveu-se ao contributo essencial de duas pessoas: João Carlos Correia e Mário Godinho.

E passo a explicar o porquê desta minha análise. Desde o inicio, i.e., desde há 4 anos atrás, quando João Carlos Correia ganhou a Junta de Freguesia de Messines que eu sempre pensei e disse que a CDU seria o maior adversário politico que nós iríamos ter nestas eleições autárquicas. E isto porque, caso as coisas corressem bem nesse mandato para o João Carlos Correia, como correram, seria difícil conseguir reconquistar a Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines. Em Messines criou-se um mito em torno de João Carlos Correia, um fenómeno chamo-lhe eu! 

Ora, atendendo a este cenário, e tendo novamente como candidata à Câmara Municipal a Dr.ª Rosa Palma, que por sinal é a mulher do João Carlos Correia, significava que provavelmente, por arrasto, os votos da CDU na Junta de Freguesia iriam também para a Câmara Municipal. E não podemos esquecer o facto da Dr.ª Rosa Palma, há 4 anos atrás, sendo a 1.ª vez que concorria numas eleições autárquicas, em que pouca gente ainda a conhecia, ter tido o mérito de ganhar na sua Freguesia por 1 voto ao Partido Socialista. E na altura, quem encabeçava a lista do Partido Socialista para a Câmara Municipal era a Dr.ª Lisete Romão, que é uma pessoa com muito prestígio no nosso concelho, não só pelas suas funções profissionais, mas também pela sua maneira de estar na vida.

Como ia dizendo, era de prever, a meu ver, que nós, Partido Socialista iríamos ter uma luta muito difícil, tanto mais com a escolha de Mário Godinho, em n.º 2 na lista para a Câmara Municipal. Sendo que, a partir daí o resultado estava à vista, os votos que Mário Godinho tinha conseguido há 4 anos atrás iriam com ele para onde fosse, e tal facto aconteceu, também por arrasto, levou consigo os votos da Junta de Freguesia para a Câmara Municipal.

Esta leitura é muito fácil de se fazer, basta perdermos 5 minutos a analisar os resultados eleitorais de 2009, facilmente se chega a este resultado. Mário Godinho, há 4 anos atrás, tinha obtido aproximadamente a mesma votação para a Junta de Freguesia de Silves, que a Dr.ª Isabel Soares obteve para a Câmara Municipal, o que significa que em Silves, quem votava na Dr.ª Isabel Soares para a Câmara Municipal, votava Mário Godinho para a Junta de Freguesia. Com isto quero dizer que as pessoas não votam em partidos, mas sim em PESSOAS!

 

É assim que se ganham eleições, sem se saber como, talvez com um pouco de astúcia política e algum trabalho de porta à porta.

 

Entendo que cada vez mais as pessoas, nas eleições autárquicas, votam em pessoas e não em partidos! A leitura que faço é que as pessoas olham para os candidatos na sua vertente pessoal, humana, profissional, capacidade de liderança e deixam para segundo plano os ideais políticos! Enfim, analisam o perfil das pessoas enquanto cidadãos e depois fazem a sua escolha!

 

Em suma, se me perguntarem se fiquei contente com o resultado eleitoral, a minha resposta é não! Se me perguntarem se já estava à espera deste resultado eleitoral, a minha resposta é sim!

 

Parabéns a todos os que tiveram a audácia de se candidatar a estas eleições autárquicas!

Parabéns aos vencedores e parabéns aos vencidos!

 

Espero não ter ofendido ninguém com esta minha análise, mas é verdadeira e sentida, como tudo aquilo que faço na vida!

 

Bem hajam a todos!

 

Ana Sofia Belchior

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Com muita honra publico um texto da "minha directora" Paula Bravo, aqui na qualidade de Paula Bravo a cidadã silvense. Foi uma sensação estranha para mim ser eu a pedir-lhe que me enviasse o texto a tempo... normalmente é ao contrário. Além de professora, de grande dinamizadora da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense a Paula Bravo é por todos conhecida como a Directora do jornal "Terra Ruiva", do qual sou um dos colaboradores. O meu obrigado pela participação...


Rescaldo, Paulo? Mas está tudo a arder!

 

Pede o Paulo que escreva um texto sobre o rescaldo das autárquicas. Rescaldo, Paulo, qual rescaldo se está tudo a arder?!

 

Antes de avançar, quero fazer dois sublinhados. Em primeiro lugar, salientar que este texto é escrito por mim. O que parece óbvio mas não gostaria que se confundisse a Paula que assina este texto, com a que dirige o jornal Terra Ruiva. Isto porque: trabalho é trabalho, e a opinião pessoal é a opinião pessoal, e “as duas paulas” têm-se esforçado sempre para que o jornal seja um espaço sério e aberto a todas as opiniões, pessoas, entidades e partidos.

O segundo ponto é para exprimir uma ideia e poupar trabalho a alguns leitores: fiquei muito contente com o resultado geral destas eleições, principalmente com a vitória da CDU na Câmara Municipal e na Junta de Freguesia de Messines.

São muitas as razões políticas e pessoais para ter ficado contente. Mas, pondo de parte essas motivações, e tentando olhar para as eleições com objetividade, na posse da experiência e dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos em que tenho acompanhado de perto a vida do concelho e muitos dos protagonistas das últimas três décadas, penso que a vitória da CDU foi o resultado que melhor poderá servir o nosso concelho.

O PSD merecia perder a presidência da Câmara Municipal, pela total desgovernação da autarquia e do concelho. O PS não merecia ganhar por ter sido uma oposição sempre a reboque dos interesses dos candidatos do momento, sempre em guerras internas.

E mudar, MUDAR – era o que a maioria das pessoas queria. E foi o que aconteceu, quando a CDU conseguiu personificar a imagem da mudança.

Depois dos jogos, claro, é fácil fazer prognósticos. Mas em que momento, como e porquê decidem as pessoas em quem votar?

Conto uma situação real: há cerca de três anos, fui residir numa rua, sem nome, nem contentores do lixo. Fui à Junta de Freguesia de Messines, falei com o presidente João Carlos, dei-lhe conhecimento da situação, informei que estavam novos residentes a caminho. No dia seguinte, o pedido de contentores já tinha seguido para a Câmara de Silves. Esperamos meses. Finalmente, vieram dois contentores. Entretanto, há mais de um ano, um dos contentores ardeu, por incúria ou maldade. O lixo começou a amontoar-se no chão, a recolha da Câmara passava uma vez por semana… houve alturas que nem isso… falei de novo com o presidente da Junta. Fiquei a saber que a Junta desesperava havia meses para que a Câmara enviasse contentores e caixotes, que o pessoal da Junta andava pelos sítios menos populosos a retirar daí recipientes para colocar nas zonas mais habitadas, numa troca constante, a tentar colmatar os problemas.

Passou um ano, a minha rua continua com um só contentor verde, sujo, sem pedal para levantar a tampa, cujo conteúdo é recolhido espaçadamente. Mas… não é que nos dias mesmo antes das eleições, o camião da Câmara começou a vir recolher o lixo com tanta regularidade que consegui ver o fundo do contentor?!

Recurso a horas extraordinárias? Mas a Câmara tem dinheiro para isto?

… sei que o lixo é um tema pouco interessante, mas sempre digo que depois das  eleições, nunca mais tive o prazer de ver o lixo recolhido a tempo e a horas. E a minha rua continua sem nome oficial, embora haja pessoas a viver aqui vai para cinco anos.

Nesta história resume-se, penso eu, o estado do concelho – o estado a que isto chegou.

Não se engane quem governa: é o dia a dia das pessoas que determina quem escolhem na altura das eleições. Não são os programas de intenções, as chamadas “promessas” que conquistam as pessoas, são as ações diárias; é a capacidade de resolver os problemas concretos - e bem sabemos como estes são cada vez mais.

Não tenho ilusões de que os próximos anos serão difíceis para a CDU, para a sua equipa, para todos nós.

Em muitos sentidos agora é que a luta vai começar:

  • O PS está em frangalhos e ficará totalmente partido se Fernando Serpa, contradizendo o que afirmou anteriormente, se sentar no seu lugar de vereador.
  • O PSD está sem direção, sem rumo, à procura de protagonistas diferentes, quiçá esperando alguns dos quais recusaram integrar as listas.
  • O BE, refém das listas pejadas de “independentes”, procura uma estratégia e um lugar que ainda não encontrou e dificilmente alcançará nos tempos mais próximos.
  • A CDU sabe que o “estado de graça”, que é suposto ser concedido a uma nova equipa governativa, é um estado efémero, e que a realidade tem de se ajustar às expetativas e vice-versa.

 

Há quatro anos atrás a CDU antecipou-se, optou pela renovação, surgiu com Rosa Palma. A inexperiência da nova vereadora foi compensada com trabalho e muita dedicação: estudou os assuntos, discutiu os dossiers com ex-autarcas e técnicos, visitou associações e entidades. Ouviu, perguntou, muitas vezes com grande simplicidade, não tendo receio de admitir que não sabia e que estava ali para aprender. Coragem, determinação, inteligência e sentido de humanidade são qualidades que reconheço na nossa nova presidenta. (E confesso que me dá um gostinho especial de escrever presidenta – no feminino.)

Não termino sem deixar uma ideia que tenho repetido nos últimos dias: não há milagres, nem pessoas perfeitas, nem pessoas totalmente boas ou totalmente más, não existem caminhos inquestionáveis. Mas a qualidade dos nossos autarcas, e aquilo que conquistam ou deixam por fazer, depende muito da nossa intervenção enquanto cidadãos.

 

 

Paula Bravo

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A Doutora Tânia Mealha é uma referência da minha geração, uma mulher que pensa pela sua cabeça, que se preocupa com as questões locais e ao mesmo tempo assume uma postura activa e denunciante nas, digamos, grandes questões do nosso tempo. Não tenho tido o prazer de falar pessoalmente com ela mas tenho a certeza que trabalhou duro para ajudar a conseguir os bons resultados que a CDU alcançou. Estava muito curioso para saber a sua opinião e, como sempre, não desiludiu. Curiosamente a Tânia é a primeira messinense a opinar sobre as autárquicas num blog dito "de Messines"... obrigado e, mais uma vez, agora publicamente, os meus parabéns!


UM OLHAR SOBRE AS AUTÁRQUICAS 2013 EM SILVES

 

As eleições autárquicas são consideradas pelos cientistas políticos como eleições de segunda ordem por considerarem que as mesmas não têm um impacte directo no controlo do poder executivo nacional, ao passo que as eleições legislativas são consideradas eleições de primeira ordem uma vez que resultam no controlo do poder executivo nacional. 

 

As eleições autárquicas distinguem-se em dois níveis: municipal, elegendo o executivo e a assembleia; freguesia, elegendo a assembleia donde emana o executivo da freguesia. São disputadas de acordo com o método de representação proporcional de Hondt sendo que os eleitores votam em listas fechadas, ou seja não há personalização como nas presidenciais, embora as campanhas tenham como tendência girar em torno do candidato ou candidata à presidência da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia. Ainda em termos estatísticos, os dados nacionais demonstram que o sistema é mais desfavorável aos partidos mais pequenos, bem como os recursos necessários à eleição em termos de recursos humanos, financeiros e organizacionais dificultam a eleição dos partidos com menos estrutura de organização local. 

 

Em termos de legislativas os partidos do centrão - PS e PSD, ou do bipartidarismo que se instalou em Portugal a partir de 1987, sempre tiveram melhores resultados, ainda que a diferença seja pequena - anda à volta de 1,3%, nas eleições legislativas (primeira ordem) que nas eleições autárquicas (segunda ordem). Há que lembrar que o sistema eleitoral das eleições locais favorece os partidos maiores e que a quantidade de recursos necessários para fazer campanha em cerca de 300 municípios será responsável por uma tendência semelhante. Contudo, os partidos considerados médios como o PCP obtiveram sempre melhores resultados nas eleições autárquicas do que nas legislativas, com uma diferença que ronda os 4%. Este resultado deriva quer da força da organização partidária, quer da existência de fortes zonas de influência eleitoral comunista nas regiões do Sul do país, tanto nas cidades como nas zonas rurais. Em traços gerais as eleições legislativas têm vindo a contaminar as autárquicas de há uns tempos a esta parte, isto é, quando os partidos ganham ou perdem peso a nível nacional (legislativas) isso traduz-se nos resultados autárquicos. 

 

Numa análise mais fina relativamente à flutuação do eleitorado: as eleições autárquicas, dados até 2005, são utilizadas por pequenos segmentos do eleitorado de forma a expressarem o seu descontentamento com o Governo. Os outros segmentos do eleitorado votam nos partidos da sua preferência sem darem sinais de protesto. Contudo, sabe-se factualmente que o peso partidário está mais presente nas legislativas que nas autárquicas, sendo até colocada a hipótese de que existem participações diferenciadas no que concerne aos eleitores. Nas autárquicas é possível que participem mais eleitores sem matriz ideológica definida, ou por outro lado que a proximidade com os candidatos coloque a um outro nível em jogo e de forma mais premente questões emocionais, avaliação dos candidatos como juízo de carácter, etc. Assim sendo, se por vezes as pessoas têm mais tendência para transferirem o seu voto entre blocos partidários e ideológicos em eleições autárquicas que nas legislativas, noutras vezes acontece o inverso, sendo a pedra de toque a conjuntura política. À excepção do período de lua-de-mel, primeiros doze meses após as eleições legislativas anteriores, os estudos nacionais constatam que o(s) partido(s) que controla(m) o governo nacional perde(m) sempre apoio eleitoral, ou seja votos, das eleições legislativas para as eleições autárquicas. Ou seja, no nosso país, tal como noutros países, os cidadãos usam as eleições autárquicas para expressarem o seu descontentamento com o Governo. Sendo que esta perda de votos que o Governo regista depende não só da popularidade do governo como da situação económica do país. Esta influência das legislativas nas autárquicas tem efeitos a curto e a longo prazo, esta última no que respeita a alterações no sistema partidário. Os estudos nacionais demonstravam e a realidade das autárquicas no concelho de Silves confirma. 

 

O Bloco de Esquerda que viu a sua votação diminuir no concelho, como noutros concelhos país a fora, terá na forma como está organizado e na estrutura inexistente a nível local pistas para o resultado - mas que em Silves, e apesar do resultado eleitoral, eu diria que está a ser forjada. 

 

O PSD, aglutinador do descontentamento político e económico nacional - que não poderia ter outro desfecho após análise responsável e consciente, com o desgaste que vem sofrendo desde que Passos foi eleito Primeiro-Ministro, a que se junta a deplorável prestação de Cavaco como Presidente da República mais o desgoverno que tem reinado na Câmara Municipal de Silves desde 1997 data em que Isabel Soares foi eleita e que culminou na fuga em direcção a um posto mais apetecível (para a própria, é claro) como Administradora nas Águas do Algarve SA - oferta de outro reputável licenciado relâmpago do Governo PSD/CDS, Miguel Relvas. Única altura em que o PSD Governo fez alguma coisa por Silves - em pleno gozo de uma maioria, um governo e um presidente, mas que representa um avultado custo para o erário público nacional. A ser tão boa administradora como foi presidente, deve ter sido por isso que foi nomeada... Devia ter sido nomeada Administradora do Ar Abafado - porque não se vê como a obra que deixou ao concelho, da Serra ao Mar um vazio de desenvolvimento, mas que nos sufoca com a pilha de dívidas que deixou para pagar e que estão prestes a vencer.

Rogério Pinto viu assim terminado o seu curto mandato, presente envenenado que, por certo, lhe trouxe mais dissabores que alegrias. 

 

O PS que fez uma campanha que supostamente era centrada numa equipa mas cuja campanha eleitoral sempre comunicou como um One Man Show - Fernando Serpa - tal como veio a fazer ao longo dos anos que já contabiliza na Câmara Municipal de Silves, 20! Reparando-se nos cartazes sem alusão ao órgão a que se candidatava, sempre com ele ao centro e apenas com o seu nome, de comunicação de equipa essa imagem valia zero, e a omnipotência era tal que nem carecia de apresentação aos cidadãos do concelho, incongruência sempre! Quase que parecia que o trabalho do PS local tinha sido exímio, ou melhor o seu e, tinha sido tal que falava por ele e o precedia. E talvez tenha sido mesmo isso que aconteceu... Estratégia que também passou por apostar no mediatismo de outras personagens do PS nacional que personificam aquilo que a memória ainda recorda e que os bolsos sentem todos os dias - a depauperização do património nacional, seja ele o dos recursos humanos qualificados ou o das matérias primas, no conluio forjado a nível nacional com o PSD e o CDS, em que todos têm culpas mais que afirmadas e reconhecidas pelos próprios nas assinaturas que constam por baixo do acordo com a Troika. 

 

Recordando um provérbio - "quando descobres que estás a andar num cavalo morto a melhor estratégia é desmontares" - por fim, mas não em último, Agora Silves da Serra ao Mar. O cavalo morto significa aqui a política que vinha a ser praticada no concelho, com os cavaleiros já conhecidos a coordenar e a delinear a sua marcha. Nos anos que a CDU foi governo autárquico e naqueles em que tem sido oposição - desde 1997, a sua posição tem sido sempre uma: a defesa dos interesses da população e do concelho, do litoral ao interior. Uma posição partilhada e defendida por quaisquer membros da CDU independentemente das funções para os quais foram eleitos, desde os Presidentes de Junta e Membros das Assembleias nas suas Freguesias até aos Vereadores Não Permanentes no Executivo e Membros da Assembleia Municipal de Silves. E quem diz a nível autárquicos diz a nível nacional porque a CDU defende sempre os cidadãos, os seus direitos, as suas legítimas aspirações, um país justo com futuro para todos. 

 

Cingindo-me à Câmara Municipal, mas congratulando e reconhecendo o esforço, empenho e trabalho de toda a equipa CDU e todos os candidatos no concelho, muito foi o trabalho desenvolvido nestes quatro anos pela Vereadora Rosa Palma, hoje Presidente eleita da Câmara Municipal do Concelho de Silves. Além do descontentamento com as políticas e as práticas lesivas seguidas até aqui capitalizou-se o seu trabalho feito com honestidade e competência, a proximidade com as pessoas, bem como a sua equipa e a frontalidade na resolução dos assuntos, o assumir de posições e a clara acção em prol de um concelho que é de todos nós, da Serra ao Mar. Há agora muito trabalho a fazer, a começar por uma gestão de 16 anos a apurar e avaliar criticamente, de forma a agir de modo responsável e consciente, sempre no interesse da população e de todo o concelho, à alteração de más práticas já identificadas. Mãos ao trabalho.

 

Fala-se da abstenção que é muita e da não capitalização do eleitorado para os partidos, mas isso é estrutural e prende-se além da descredibilização nos políticos, com o facto de a Comissão Nacional de Eleições fazer um péssimo trabalho no apelo ao voto, na consciencialização da população para a necessidade do mesmo de forma a aprofundar a participação democrática e uma democracia mais participada. Além de que a abstenção no nosso concelho foi menor em 6%, e se contabilizarem os votos perdidos pelos outros partidos e os ganhos pela CDU para a Câmara Municipal de Silves, a margem de diferença é muito pequena. Quanto aos brancos que quase duplicaram e aos nulos é necessário que os partidos tenham em consideração que muitas destas pessoas são militantes dos mesmos com fortes raízes ideológicas e quando descontentes, ou diria num ponto de saturação, há tendência para romperem com o sistema democrático porque não se revêem no seu partido e por isso em mais nenhum - deixa de haver congruência interna devido à enorme ambivalência que sentem (mas isto dava para desenvolver todo um outro texto). Relevar apenas que para aqueles que sentem que o sistema é injusto não votar significa desequilibrar ainda mais a balança, porque em termos de representatividade os seus interesses ficam sempre subrepresentados face àqueles que votam e elegem quem defenda as suas ideias.

 

Há, ainda, que reter um facto, nos locais em que a proximidade entre os eleitores e os eleitos se sente todos os dias na rua e na resolução concreta dos problemas dos cidadãos - congruência, como é o caso de São Bartolomeu de Messines, a votação expressa da maioria é uma realidade. Que continuem o bom trabalho.

 

Uma nota, a abstenção este ano foi a maior nos concelhos onde há mais emprego jovem e a justificação dos especialistas é que os jovens têm menos contacto com os políticos e por isso votam menos, ou sentem que fazem menos parte deste sistema. Ora ainda não tenho valores acerca de Silves, mas é um dado interessante a procurar e analisar, já que na minha freguesia houve muita gente jovem a votar pela primeira vez. 

 

Por fim, agradecer a todos quanto acreditam que é possível um concelho mais justo, mais desenvolvido, mais progressista e próspero e que possibilite melhores condições de vida a quem nele vive e a quem o visita, sem o vosso voto e apoio isso seria impossível. 

 

Obrigada Paulo pelo convite, e desculpa lá a extensão da partilha do meu pensamento! 



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Tânia Martins Mealha
Doutoranda em Psicologia

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação

Universidade do Porto

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