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Congresso

27.04.13

O Partido Socialista está por estes dias em congresso. Estimo que de entre todo o “teatro” que envolve estes eventos se encontre tempo para discutir alguns pontos essenciais.

António José Seguro é, tal como Passos Coelho, um político de aviário. Nunca na vida teve que optar entre pagar aos empregados ou pagar ao Estado, nunca na vida teve que abdicar do seu património em consequência de responsabilidades que lhe assistem. Além disso Seguro é a personalização do pior PS. O PS dos caciques, dos interesses instalados, dos favores, dos lobbys… foram esses os que o elegeram, na esperança de continuar a protelar a sua influência e a proteger os seus interesses.

Pessoalmente apenas conseguirei olhar de forma diferente para este PS quando forem capazes de assumir as responsabilidades óbvias no estado em que o país está. Não confio em gente que afirma ter feito tudo bem e sacode do capote qualquer responsabilidade. Apenas o reconhecer dos erros levará à adopção de um caminho diferente. Ficarei à espera de um PS que reconheça o péssimo contributo do partido para o país nas últimas duas décadas.

Enquanto isso não acontece temos uma coisa chamada “realidade”. E essa não perdoa. É urgente retirar das autarquias, do Governo, da Presidência e dos comandos da Europa este movimento fascizante que açambarcou o poder. Essa deve ser a prioridade de todos os homens e mulheres que estimam a liberdade e essencialmente a Governação do Povo para o Povo. Para isso o PS é fundamental, há que reconhecer. 

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Mudar de vida

22.01.13

Depois de destruído o aparelho produtivo, depois de colocar de joelhos as pequenas e médias empresas, depois de fechar milhares de pequenos negócios e colocar muitos mais milhares no desemprego o Governo chega à conclusão de que “é necessário” despedir funcionários públicos? Brilhante, já valeu a pena o dinheiro que o erário público investiu na educação do sr Gaspar e do sr Coelho.

Há muitos anos que vários especialistas dizem que temos funcionários a mais no Estado. Se, em 2008, quando a crise começou, Sócrates tivesse tido os “tomates” de o assumir, tudo seria diferente. Já mais tarde, em 2011, “Gaspassos” deveria ter começado por ai as urgentes reformas para salvar o país. Se o tivesse feito teria sido mais contestado nessa altura mas teria forças para atacar o monstro e com essa medida pouparia muitos milhares de postos de trabalho no privado.

Em vez disso matou-se o privado para salvar o público e agora, com o privado morto é inevitável matar o público. Está lá tudo, nos livrinhos de Keynes. Livros esses que Seguro, essa “nódoa” que é apenas e só o político português mais preso ao podre sistema partidário, também não leu… diz ele que não despede, que não destrói o Estado Social, mas também não pode “prometer que baixa impostos”! Como é evidente, se não despede tem que subi-los!!!

Nos municípios portugueses o cenário é o mesmo, mas com uns meses de atraso… durante anos pagou-se lealdade com emprego, amizade com carreira, favor com ordenado e hoje é o que está à vista. Para não dar tanto nas vistas a câmara A contrata os amigos da câmara B e umas tantas empresas municipais tratam do resto. Tal qual mexilhões continuam agarrados à “rocha” com todas as forças que têm, mesmo quando as evidências e o bom senso mandariam que já tivessem na mão a “guia de marcha”.

Para mim não é importante que Silves seja um concelho fantástico para se vir ver. Para mim é muito mais importante que seja um concelho fantástico para se viver. Já aqui escrevi que isso passa por retirar privilégios “boys e girls” do sistema, passa por investir no concelho, criar valor e potenciar vantagens inegáveis a quem queira cá montar a sua empresa ou morar. Existem dezenas de grandes ideias para tornar este concelho naquilo que os silvenses merecem, mas todas elas estão fora dos programas copy/paste das principais forças políticas. Por isso mesmo, eu e um grupo de silvenses preocupados com o futuro deste concelho, temos feito esforços no sentido de dar aos cidadãos, já nas eleições de Outubro, uma alternativa de confiança. Já falta pouco!!

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Coragem e determinação é algo que escasseia no nosso espectro político. É preciso que alguém de fora venha impor mudanças para que alguma coisa aconteça. É como se, tolhidos pelo medo, aqueles que elegemos prefiram ficar dentro de uma casa com o teto a ruir na esperança que aguente mais uns tempos ou que não os magoe muito quando desabar.

Em Lisboa fala-se de uma “reforma do Estado”, fala-se de uma “refundação do consenso”, mas ninguém tem coragem de dizer o que isso significa! Como é evidente, e já aqui se escreveu, o Estado tem gente a mais. Estamos a chegar ao ponto em que temos 2 trabalhadores do privado para cada trabalhador do Estado (ou pago pelo Estado via Institutos e outros subterfúgios), sendo que, além de pagar o salário dos do Estado, o trabalhador privado ainda tem que pagar reformas, pensões sociais, escolas, hospitais e soldadinhos de chumbo. Só um lírico pode sequer sonhar que tudo se vai resolver sem colocar em causa o atual modelo de Estado Social.

Na verdade Seguro, Passos, Portas e até Jerónimo de Sousa e Louçã têm consciência disso, mas o tacticismo político e um medo descontrolado tolda-lhes o discurso e da boca de nenhum se vai ouvir dizer que é necessário dispensar pessoas. E é bom que se saiba, se este péssimo Governo cair, o próximo, de António José Seguro, será o golpe final na confiança dos portugueses nos seus políticos… porque evidentemente não fará nada do que apregoa e será forçado a ser ainda mais duro.

No Algarve as coisas não são diferentes. Mendes Bota anda “acagaçado” com tudo o que se passa no país e, em pouco mais de 2 anos, passou de primeiro antagonista algarvio ao Primeiro-ministro Sócrates a único defensor do Primeiro-ministro Passos. O seu discurso por estes dias faz lembrar um rapazinho, sozinho, com um minúsculo balde, a tentar tirar água de um petroleiro que se afunda a uma velocidade vertiginosa.

Mais à esquerda, o ex-boss do PS Algarve, Miguel Freitas, vem a público dizer que a questão “fronteiriça” de Faro-Loulé “exigia mais tempo e debate público”, razão pela qual o PS votou contra. Para quem não sabe existia entre Faro e Loulé uma “terra de ninguém”, com prejuízos evidentes para as populações. Agora, mais de 170 anos depois de criado o problema, os presidentes de câmara de Loulé e Faro conseguiram resolver o problema e aquilo que ocorre dizer a Miguel Freitas é que “era melhor ter feito isto com mais tempo”!!! Mais tempo!!! 170 anos não são tempo suficiente! Não estará o PS a pensar, mais uma vez, primeiro nos interesses do partido e depois nos interesses do Miguel Freitas?

Em Albufeira a Assembleia Municipal chumbou o projeto de construção de um aeroporto civil que serviria para aviões particulares. O projeto, que envolvia a ANA e parceiros privados, significaria um investimento de 110 milhões de euros e potenciaria o turismo de luxo no Algarve. Todas as outras câmaras envolvidas no projecto aprovaram a ideia sem passar pela Assembleia Municipal. Em Albufeira a coisa foi para votação e foi “chumbada” categoricamente. As razões para o chumbo são inacreditáveis e demonstram bem que o modelo autárquico composto por Presidentes de Junta em part-time, comprometidos com os partidos a full-time, apenas prejudica os cidadãos. Imagine-se que a impossibilidade de “mandar foguetes durante as festas” e “as restrições impostas ao Campo de Tiro de Paderne” com a construção do aeroporto foram as principais razões para o chumbo!!!

Em Silves, contra a opinião de praticamente todos aqueles que pensam o concelho, os “corajosos” políticos com assento na vereação da Câmara resolveram proclamar a manutenção das 8 freguesias no concelho. Como é evidente uma boa parte dos habitantes das freguesias extintas ficaria indignado e esta gente não pode bem com indignação popular sectária. São “cavaleiros” que lutam por causas nobres, como a localização de farmácias, os buracos do caminho do Talurdo, ou os apoios de praia ruidosos… mas na altura de criar condições para que todos beneficiem, para que se projete alguma coisa no futuro… têm medo. Têm medo porque a oposição ainda poderá tirar algum benefício, ou porque o amigo pode deixar de o ser. Agora vamos ter que esperar que venha alguém de fora meter ordem na nossa casa e dizer-nos como vamos organizar-nos de futuro, e quiçá acabar com o próprio concelho, dividindo-o às fatias e criando um novo mapa de concelhos na região.

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O PS anunciou hoje que é contra a privatização das Águas de Portugal. Este é um assunto em que eu e o PS estamos de acordo, mesmo que por razões diferentes.

Nos tempos em que eu era um jovem naif, que acreditava poder mudar o Mundo, estaria por esta altura “extasiado” com a coragem do “brilhante líder”. Hoje em dia, sabendo eu que é mais fácil mudar o mundo do que mudar o PS, sinto-me… agastado.

Acredito que a água é um recurso que jamais poderá estar em mãos privadas. Esse é o meu motivo. Mas, qual será o motivo do PS?!

Eu arrisco um. António José Seguro é o líder do PS mais comprometido com o aparelho de que eu me lembro. Todos os que o colocaram no poleiro fizeram-no com contrapartidas e tendo em vista a preservação do “modo de vida”. Não existe maior “covil” de boys do que as Águas de Portugal e seus “adjacentes”, é por isso normal que Seguro tente preservar os seus. Aposto que, uma vez no poder, e uma vez transferidos para outro poleiro todos os parasitas, o PS não terá grandes remorsos em privatizar as águas, e até o ar, de Portugal.

Das portas para fora o PS diz que é importante que as pessoas se aproximem do partido, das portas para dentro o grande objectivo é que ninguém chegue perto. É por essas e por outras que mais facilmente mudará o Mundo.

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“As autarquias não dão prejuízo.” – dizia um autarca, inflamado, enquanto apupava Miguel Relvas. Eu se pudesse apupava Miguel Relvas e, tendo à mão um “tomatito” maduro, não hesitava em apontar-lhe à cabeça… no entanto, desta vez, tenho que gritar: FORÇA MIGUEL RELVAS! Contra o sistema marchar, marchar!

Qualquer analfabeto já teria imaginado que mexer nas freguesias seria o mesmo que mexer num “vespeiro”. Não precisamos de ir muito longe para perceber que as freguesias são para muitos uma verdadeira obsessão. De facto elas não dão prejuízo apenas e só porque não podem dar! A Junta de Freguesia é como um funcionário público: custa por ano “X” ao erário público, quer trabalhe ou não, quer seja produtivo ou não… o certo é que mais que “X” não custa, e se custar não tem legitimidade nenhuma para pedir reembolsos.

Tal como os funcionários públicos, as juntas de freguesia são bastante diferentes umas das outras. Há algumas que nem se sabe que existem, há outras que se não existissem estaríamos bem melhor, há ainda outras que são fundamentais. São 1.200 as que irão ser extintas e todos os cidadãos contribuintes devem apoiar a reforma, nem que para isso tenham que apupar alguns caciques e seus seguidores.

E já agora, porque falamos em demagogia… António José Seguro é, em menos de 6 meses, a maior nódoa que já vi à frente do PS! Inacreditável!!!

 

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Ruptura

19.07.11

Um painel de politólogos juntou-se no final do ano passado para debater o futuro dos partidos políticos em Portugal. As conclusões a que chegaram foram claras:

 

É necessária uma profunda transformação nas estruturas partidárias para inverter o ciclo de afastamento face aos cidadãos em que os principais partidos entraram. São apontadas várias falhas graves no funcionamento interno dos dois principais aparelhos partidários – PS e PSD – que têm contribuído para um crescente isolamento e afastamento da realidade com consequências directas na qualidade da democracia que hoje temos.

Nada disto são novidades. Todos sabemos que as estruturas partidárias estão montadas para “blindar” o acesso ao poder e impedir que alguém estranho às cúpulas e jogos de favores estabelecidos consiga chegar a lugares de destaque. De facto todos aqueles que têm propostas de mudança nem sequer conseguem ser ouvidos.

No actual sistema contam mais os apoios - sempre dados em função do grau de ameaça que cada candidato representa – e o “carreirismo” do que as competências e as capacidades individuais de cada um. Um dos problemas detectados é precisamente a qualidade dos candidatos que representam cada partido em eleições. Raras são as vezes que o candidato representa uma mais-valia, leia-se: consegue captar mais votos dos que o respectivo partido tem garantidos.

Nas conclusões aponta-se como solução a abertura dos partidos à sociedade civil, dando voz às pessoas e aproximando-as dos centros de decisão. Isto é como um clube de futebol… se as pessoas tivessem que começar por ser sócias antes mesmo de se tornarem adeptos participantes nenhum clube vingaria. Primeiro é preciso dar a oportunidade de que participem, mesmo como espectadores, na vida do clube. Só depois vem o assumir da “paixão” e a participação mais activa enquanto associado.

Ninguém tenha dúvidas que a esmagadora maioria dos militantes partidários começaram por ser simpatizantes a quem foi dada a oportunidade de contactar de perto com os aparelhos partidários. Infelizmente nos últimos tempos as pessoas tornam-se militantes por outros motivos, mais relacionados com a ambição pessoal ou com o interesse de determinados grupos. É por isso natural que todos os “verdadeiros sócios” se sintam preocupados.

Muito antes de Francisco Assis apresentar estas ideias (e quiçá inspirado por este estudo) estes especialistas defendem que é preciso, numa palavra: ruptura. O PS prepara-se para desperdiçar, quem sabe irremediavelmente, a oportunidade de ganhar vantagem ao PSD na inevitável mudança que terão de sofrer. À semelhança de todos os governos dos últimos 20 anos, que apontavam a diminuição do peso do Estado como medida principal sem nunca terem conseguido inverter a tendência, também nos partidos as mensagens de renovação são uma constante mas rapidamente se desvanecem vencidas pelos hábitos e vícios instituídos. Será que é necessária uma grave crise (ainda mais grave que a que assola o PS) ou surgimento de outras forças para que essas reformas sejam verdadeiramente equacionadas? Infelizmente parece que sim…

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À medida que vamos conhecendo as propostas e as ideias dos dois candidatos à liderança do PS fica claro que entre eles existe uma grande diferença. Separa-os o fosso “lamacento” que sempre existe entre o ficar tudo na mesma e o mudar.

A natureza humana é avessa às mudanças, ao desconhecido. É sempre mais confortável ficar no nosso “mundo”, mesmo imperfeito, do que arriscar e ir para o desconhecido. Apenas os que nada têm a perder e os visionários arriscam sistematicamente mudar. Pensar nas consequências que a mudança pode trazer é também difícil e complexo, pelo que muitas pessoas preferem nem ter esse trabalho.

Neste caso, da liderança socialista, é preciso separar as simpatias dos projectos. Sempre achei Seguro um simpático e coerente político. Bem sei que colhe mais simpatias na “ala mais à esquerda do partido” mas quase todos são unânimes em considerá-lo um forte activo do PS. Assis é um tipo de aspecto duvidoso, com uma apuradíssima retórica que está próximo das elites que controlam o país. Demasiado próximo quiçá. Se não houvesse mais nada Seguro seria o meu preferido e por certo o futuro Secretário-geral do PS.

Olhando para os projectos e para os apoios que cada um contabiliza a coisa muda de figura. Assis é claramente o candidato da ruptura, da mudança. De Seguro apenas podemos esperar que fique tudo na mesma. Em troca dos apoios que lhe dão, e se vier a ser eleito Secretário-geral, António José Seguro terá que proteger os “feudos”e dessa forma o PS continuará a definhar, a envelhecer e a afastar-se cada vez mais de um Mundo que não pára de girar. Com Seguro o PS será o bastião da luta contra a extinção de municípios e freguesias e os candidatos socialistas a eleições continuarão a ser escolhidos em função da sua fidelidade, antiguidade e histórico de apoios que mantêm com as lideranças.

Por muito que simpatize com Seguro, para ser coerente com o que defendo há anos, não posso desejar a sua vitória. Alguns seus apoiantes acenam já com os fantasmas que as medidas de Assis podem trazer. “Ah, já pensaram no que acontecerá se quem não é militante e não paga quotas vier escolher os nossos candidatos? Virão logo os neo-liberais votar no candidato mais fraco para comprometer o PS.” Respeito esta forma de pensar mas não concordo. Para mim esta medida trará mais militantes, aproximará os simpatizantes da vida do partido e sobretudo acabará com os pobres candidatos que temos tido. No EUA as coisas funcionam assim há décadas e os resultados são excepcionais, cada americano assume o seu partido e luta por ele porque sabe que tem voz activa na escolha dos líderes. Perguntem a um americano se é Republicano ou Democrata e verão. Quase todos respondem imediatamente e ninguém paga quotas (muitas vezes até contribuem muito mais com as doações antes de campanhas).

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Continua a disputa para a liderança do PS e começamos a conhecer as propostas dos dois candidatos a líder… apesar de já não ser militante ainda recebo SMS do partido e na segunda-feira recebi, espaçadas por poucas horas, as seguintes:

- De António José Seguro: Caro camarada, na próxima quinta,  Junho, 21h, estarei no Teatro Municipal de Portimão para apresentar as minhas ideias para O NOVO CICLO e ouvir as suas.Conto consigo.

- De Francisco Assis: É pela força das ideias que voltaremos a ganhar. Serei Secretário Geral de um PS leal ao país e enérgico contra o Neoliberalismo. Conto consigo.

Sem prejuízo de considerar que Seguro será o escolhido pelas bases, e de manter a minha opinião sobre a “viscosidade” política de Assis, tenho a mente aberta para ouvir as propostas e pensar nas consequências. Por isso mesmo, de acordo com as últimas notícias, diria que Assis leva vantagem se o que se pretende é reformular o PS e evitar que definhe.

Já percebemos que a maioria dos líderes das Federações e das Concelhias apoiará Seguro. Isso quer dizer que esperarão em troca a manutenção do seu “feudo”, o que dificultará ao máximo todas as reformas a impor.  A aparente vantagem de quebrar de vez com o “sócratismo”esfuma-se com o afastamento de Sócrates. Tínhamos um “one-man show” que abafava todos os outros membros directivos e lhes retirava a capacidade de agir e de pensar. Isso agora deixa de ser verdade e é preciso reconhecer que muita gente da equipa do ex primeiro-ministro tem capacidade e pode ser muito útil ao partido.

Assis apela aos militantes com uma ideia que defendo e aplaudo. A escolha de todos os que irão a votos pelo partido através de eleições primárias. Mais, Assis acena com o modelo norte-americano e sugere que todos os que queiram participar na escolha dos líderes do PS o possam fazer, mesmo que não sejam militantes. Para isso apenas têm que se inscrever para votar. Não posso deixar de aplaudir essa ideia. Seria por certo uma revolução que colocaria o PS na linha da frente e faria com que os seus candidatos fossem mais fortes, mais sintonizados com os eleitores e mais responsáveis perante os seus actos.

Com o sistema de primárias alargado a todos os actos eleitorais acabavam-se os deputados “mercenários”, os candidatos autárquicos que afastam os eleitores e os candidatos a primeiro-ministro que lá chegam pela troca de favores com as Concelhias e Federações. Passávamos a ter um partido mais próximo das pessoas, mais activo e, sobretudo, mais transparente.

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A semana...

11.06.11

Enquanto Passos e Portas “dividem o saque” em segredo, o Partido Socialista viveu mais uma semana “esquisita”.

Como se esperava António José Seguro apresentou-se como candidato a Secretário-geral do PS. O “jótinha” cresceu e agora está um homem. No mesmo dia também Francisco Assis avançou para a corrida e no dia antes António Costa disse que “ainda” não é tempo de se meter nestas “alhadas”.

Seguro é um homem por quem todos os socialistas nutrem um carinho especial. Apesar de encontrar maior suporte na ala esquerda do partido parece-me que pode ser uma boa solução para os tempos que se esperam. Saberá sempre dialogar ou negociar e tenho a certeza que poucos têm tão claras as concepções ideológicas da esquerda como ele. Pessoalmente ainda não aprendi a olhá-lo como um líder, parece-me que lhe falta energia e alguns cabelos brancos.

Assis é mais do mesmo. Chamaram-lhe o “cão de fila” de Sócrates. A imagem que tenho de Assis é a pior possível, a de um político envolto numa retórica apurada (que nunca diz a verdade completa, sempre pensando nos prejuízos que dai podem advir) mas totalmente moldado ao “sistema” e conivente com todo o aparelho socrático. Francisco Assis parece-me pouco talhado para líder e por certo foi empurrado para esta posição por todos aqueles que esperam manter o seu “modo de vida”.

Sobre António Costa posso dizer que seria o líder perfeito. Era difícil que aceitasse tal tarefa sem estar preparado e sabendo o desgaste enorme que espera o protagonista deste “filme”.

A semana fica ainda marcada, na esfera socialista, por 3 outras notícias que merecem uma reflexão:

Ana Gomes disse o impensável sobre Portas, chegando ao ponto de o comparar ao também socialista Strauss-Kahn. É habitual Ana Gomes dizer coisas que nenhum eurodeputado pode dizer e que muitos “opinion-makers”, sem um décimo das suas responsabilidades, não se atreveriam a dizer, esta foi só mais uma e é condenável. Quem apoiou Paulo Pedroso, Sócrates e foi conivente com Armando Vara não pode vir dizer que as suspeitas sobre alguém são quanta basta para traçar o seu carácter.

Mário Soares em entrevista ao “I” disse que o PS precisava desta “cura de oposição” e de muitas mudanças. Posição coerente do histórico fundador do Partido que, pelas responsabilidades e peso que tem, nem sempre pode assumir posições de ruptura. Compreende-se… de “Carrilhos” já temos que chegue. Já não se compreende é que um qualquer anónimo militante de base seja tratado como uma “besta maldita” por criticar as posições e a organização socialistas.

O “Jornal Barlavento” publica uma notícia sobre os maus resultados do Partido Socialista no Algarve. Em 5 anos o PS em Faro passou de 6 deputados para 2. Inédita a derrota em todos os concelhos do Algarve e percentagem de votos PS mais baixa do território continental. Estes números deverão forçar a uma reflexão na federação… ninguém acreditará que tudo isto (e o que se passou nos últimos 3 actos eleitorais) são responsabilidade única de Sócrates. Existe por certo muita incongruência, muita falta de dinâmica e uma fraca liderança a discutir por cá.

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