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Durante praticamente duas semanas publiquei no Penedo Grande os textos de personalidades que, de uma forma ou de outra, estiveram ligadas ao passado político deste concelho. Agradeço-lhes por aceitarem o convite e espero que todos estejam, de forma ainda mais vincada, ligados também ao futuro de Silves e dos silvenses. Todos somos poucos para superar os exigentes desafios que se vislumbram.

No total fiz mais de 20 convites, quero também agradecer aos que não aceitaram (por razões que compreendo) e aos que ainda não tiveram tempo de escrever. Para esses fica a promessa de publicar, a qualquer altura, os textos que me enviarem. O facto de sermos um concelho pequeno, no qual o maior empregador é a Câmara Municipal, pesa muito na hora de opinar publicamente.

O objectivo deste “rescaldo” foi, essencialmente, dar voz às várias facções e aos vários “interpretes” que estiveram no terreno… uns de forma mais interventiva, outros a “correr por fora”, outros ainda apenas cumprindo o seu dever. Parece-me que esse objectivo foi minimamente atingido. Tivemos opiniões de todos os quadrantes, de todos os partidos, para todos os gostos.

 

Numa espécie de “rescaldo do rescaldo”, e resumindo a minha opinião, que a cada dia que passa se torna menos relevante, diria que estas eleições tiveram um grande vencedor e um grande derrotado. O grande vencedor foi a CDU… com Rosa Palma, Mário Godinho, Analídio Brás, Tito Coelho e João Carlos Correia a merecerem o papel de grandes protagonistas de uma campanha inteligente, ousada e muito eficaz. Conseguiram “correr” ao ritmo certo para chegar à “recta final” com boas hipóteses de ganhar, conseguiram capitalizar os bons presidentes de junta que tinham e ao mesmo tempo atrair os votos de 2 grupos muito importantes: os que queriam penalizar o Governo; os que queriam uma mudança visível e olhando para os rostos locais do "bloco central" apenas viam continuidade.

 

O grande derrotado foi Fernando Serpa. E digo Fernando Serpa porque o PS teve uma noite eleitoral memorável no Algarve, recuperando câmaras importantes ao PSD, e porque esta foi, como sempre aqui afirmei, uma candidatura pessoal, com contornos de capricho, que esteve sempre longe de reunir o consenso e o apoio pleno do partido. Se não conseguiu liderar e unir o partido é porque não era o líder certo (nunca tinha visto tamanha divisão interna). A colagem à Voz de Silves foi o primeiro grande erro, como aqui escrevi. A “colaboração” na viabilização de orçamentos, aumentos de taxas e verbas para gabinetes de advogados foi outro erro crasso. A duração do período de campanha foi outro, vários vultos do associativismo local me disseram que já estavam fartos de Fernando Serpa. A forma como a campanha propriamente dita foi conduzida completou o cenário que justifica os resultados. Foi o próprio candidato que publicou no seu Facebook o “pedido de desculpas” por viabilizar os pagamentos à PLMJ, as fotos da sua equipa a distribuir a Voz de Silves, fotos de gente que não se sabia fotografada e a célebre foto do candidato segurando um folheto de Rogério Pinto.

 

José Mourinho diz que quando a sua equipa ganha o mérito é dos jogadores, quando perde a culpa é dele. Todos os grandes líderes têm essa característica… assumem as suas responsabilidades sem procurarem bodes expiatórios e desculpas esfarrapadas. Na última semana PS e PSD reuniram as suas Comissões Políticas para analisar as autárquicas. De um lado atribuíram-se as culpas a “uma conspiração” e lançou-se uma "caça às bruxas" procurando culpados pelo desaire e “ameaçando” em surdina “fazer a folha” aos “traidores”. Do outro assumem-se as responsabilidades e trata-se de preparar o futuro, aceitando o papel de oposição e deixando que o partido decida o caminho a seguir. Evidentemente os segundos não estão contentes, mas mal ou bem tinham nos cargos de responsabilidade gente que encara a política de uma forma saudável.

 

No início da próxima semana Rosa Palma será oficialmente empossada Presidente da Câmara de Silves. Ao mesmo tempo ficaremos a saber quem serão os vereadores da oposição que a acompanharão. Será por isso uma semana com bastante significado, ficaremos a saber quem cumpre a sua palavra (havia quem dissesse que se não ganhasse abdicaria do lugar) e quem coloca realmente o concelho e o partido à frente dos interesses pessoais. Cá estaremos para analisar, porque este blog não termina aqui. 

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A Dra Ana Sofia Belchior é uma advogada, messinense e militante socialista bem conhecida no nosso concelho. Já desempenhou os mais variados cargos políticos e, ainda recentemente, cessou as suas funções como eleita pelo PS na Assembleia Municipal de Silves. Conheço-a desde que me lembro de ser gente (como atesta o Paulo Dinis, que é como ela me chama), quando ainda criança ia passar uns dias na casa do meu avô, em Messines de Baixo, a pouca distância da casa dela. Mais tarde andamos na mesma escola e, mais tarde ainda, encontramo-nos no Partido Socialista. Para além da amizade reconheço-lhe capacidades políticas importantes, como a capacidade de dialogo, a perseverança, a calma e a vontade de servir.  Agradeço-lhe o texto que enviou, sei bem que não é seu costume fazer comentário político. Obrigado Sofia!


É com grande honra que aceitei o desafio do meu amigo Paulo Dinis, para lhe dar a minha opinião acerca dos resultados eleitorais das eleições autárquicas no nosso concelho, ocorridas no passado dia29/09/2013.

 

Assim, começo por confessar que não fiquei surpreendida com o resultado eleitoral, e que desde cedo sempre me pareceu espectável que o resultado fosse o que realmente veio a acontecer.

 

Como deve ser do conhecimento da maioria dos visitantes deste Blog, sou militante do Partido Socialista há longos anos. Sou militante por convicção e porque acredito nas suas directrizes e nos valores de base. No entanto, não sou obrigada a concordar com tudo o que por lá se faz, nem sou obrigada a concordar com todos os seus protagonistas, nem sou obrigada a concorrer em todas as listas. Mas, no entanto, tenho o direito de respeitar o que a maioria decide e assim o fiz e farei.

Posto isto, vou tentar fazer uma análise imparcial, abstraindo-me disso e baseando-me apenas na minha leitura pessoal dos resultados eleitorais no nosso concelho.

 

A derrota do PSD era esperada, não só pelo facto de ser o partido de Governo, mas, sobretudo, porque a população do Concelho estava farta de 16 anos de gestão PSD, e também porque o rosto da PSD local já não era a Dr.ª Isabel Soares. Porque, também vos digo, acredito que se o fosse, o resultado eleitoral poderia ter sido diferente.

O Dr. Rogério Pinto pese embora seja um homem dinâmico e comunicativo, de fácil trato, não conseguiu passar a imagem de homem com capacidade para continuar à frente dos destinos do município.

Logo após a sua tomada de posse, a natureza deu-lhe a glória do estrelato em todos os canais nacionais, para infelicidade de alguns dos que sofreram com os prejuízos do tornado que assolou o nosso concelho no ano passado. Nessa altura, o Dr. Rogério Pinto ficou conhecido como sendo o novo Presidente da Câmara Municipal de Silves, o que para muitos até então ainda era desconhecido. Na minha opinião esteve muito bem nessa altura, diria mesmo, esteve à altura de um Presidente de Câmara, sempre junto da sua população e pronto a ajudar! No entanto, como não há bela sem senão, a mesma natureza veio-lhe roubar o tal protagonismo, com o triste episódio da praga dos mosquitos que assolou no Verão passado os habitantes e visitantes de Armação de Pêra, e que desesperou tudo e todos. E aqui Rogério Pinto esteve mal, muito mal mesmo.

Também sou da opinião que não foi este episódio que o fez perder as eleições, mas sim a descrença dos cidadãos no PSD. O resultado era expectável.

 

Quanto à derrota do Partido Socialista, bem esta foi sem dúvida alguma a pior de sempre, pois para além de termos virado a 3.ª força política no concelho, obtivemos também o pior resultado no Algarve, quando o Partido Socialista ao nível nacional teve o melhor resultado de sempre depois do25 de Abril de 1974, conquistando aproximadamente 150 municípios.

Esta leitura, por muito que nos custe engolir, tem que ser feita. Algo correu mal no Partido Socialista em Silves, mesmo com os apoios todos que teve, com figuras distintas do PS nacional a apoiar, tais como António José Seguro, Carlos Zorrinho, Vieira da Silva, Inês de Medeiros, João Proença, Maria Amélia Antunes, entre outras figuras também da distrital, este nunca poderia ter sido o resultado eleitoral no Concelho de Silves. Por falta de apoios não foi com certeza.

O excesso de confiança, o menosprezo pelos adversários políticos, os conflitos internos mal resolvidos que alimentam sede de vingança, o desgaste de alguns candidatos na política muitas vezes têm como consequências estes resultados.

Há que haver coragem para reconhecer a derrota, mas acima de tudo há que haver coragem para assumir que fracassamos e que devemos dar oportunidade a outros, sendo certo que nada nos impede de continuarmos de uma maneira activa e leal, a ajudar o Partido Socialista! A ideia será sempre a de união, com a participação de todos a uma só voz. A voz do Partido e não aquela que lhe quiseram dar.

Temos que ser humildes, sensatos mas também ferozes o suficiente para conseguir combater e enfrentar os novos desafios que estes 4 anos nos trarão. Penso que com humildade e sensatez conseguiremos levar a água ao nosso moinho!

 

 

Quanto ao Bloco de Esquerda, este conseguiu manter o seu membro na Assembleia Municipal, o que por si só não é mau. Tendo em consideração os resultados eleitorais ao nível nacional, até nem esteve mal e conseguiu manter mais ou menos o seu eleitorado.

Fizeram, a meu ver, uma campanha limpa, calma, sem grandes alaridos e provocações, o que demonstra carácter e atitude na política, o que faltou em muitas outras campanhas.

Pessoalmente não conhecia o candidato à Câmara Municipal, o Prof. David Marques, mas entendo que esteve à altura do desafio, pois apresentou-se à população com um projecto, com ideias para o concelho. Não foi o suficiente, mas esteve bem.

 

Quanto à CDU, bem a CDU efectivamente foi a grande vencedora destas eleições. Assim sendo, e antes de mais, endereço os meus sinceros parabéns à Sr.ª Presidente eleita, Dr.ª Rosa Palma, e à restante equipa, e faço votos para que cumpram com lealdade o juramento que irão fazer.

A meu ver, a conquista da Câmara Municipal de Silves pela CDU deveu-se ao contributo essencial de duas pessoas: João Carlos Correia e Mário Godinho.

E passo a explicar o porquê desta minha análise. Desde o inicio, i.e., desde há 4 anos atrás, quando João Carlos Correia ganhou a Junta de Freguesia de Messines que eu sempre pensei e disse que a CDU seria o maior adversário politico que nós iríamos ter nestas eleições autárquicas. E isto porque, caso as coisas corressem bem nesse mandato para o João Carlos Correia, como correram, seria difícil conseguir reconquistar a Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines. Em Messines criou-se um mito em torno de João Carlos Correia, um fenómeno chamo-lhe eu! 

Ora, atendendo a este cenário, e tendo novamente como candidata à Câmara Municipal a Dr.ª Rosa Palma, que por sinal é a mulher do João Carlos Correia, significava que provavelmente, por arrasto, os votos da CDU na Junta de Freguesia iriam também para a Câmara Municipal. E não podemos esquecer o facto da Dr.ª Rosa Palma, há 4 anos atrás, sendo a 1.ª vez que concorria numas eleições autárquicas, em que pouca gente ainda a conhecia, ter tido o mérito de ganhar na sua Freguesia por 1 voto ao Partido Socialista. E na altura, quem encabeçava a lista do Partido Socialista para a Câmara Municipal era a Dr.ª Lisete Romão, que é uma pessoa com muito prestígio no nosso concelho, não só pelas suas funções profissionais, mas também pela sua maneira de estar na vida.

Como ia dizendo, era de prever, a meu ver, que nós, Partido Socialista iríamos ter uma luta muito difícil, tanto mais com a escolha de Mário Godinho, em n.º 2 na lista para a Câmara Municipal. Sendo que, a partir daí o resultado estava à vista, os votos que Mário Godinho tinha conseguido há 4 anos atrás iriam com ele para onde fosse, e tal facto aconteceu, também por arrasto, levou consigo os votos da Junta de Freguesia para a Câmara Municipal.

Esta leitura é muito fácil de se fazer, basta perdermos 5 minutos a analisar os resultados eleitorais de 2009, facilmente se chega a este resultado. Mário Godinho, há 4 anos atrás, tinha obtido aproximadamente a mesma votação para a Junta de Freguesia de Silves, que a Dr.ª Isabel Soares obteve para a Câmara Municipal, o que significa que em Silves, quem votava na Dr.ª Isabel Soares para a Câmara Municipal, votava Mário Godinho para a Junta de Freguesia. Com isto quero dizer que as pessoas não votam em partidos, mas sim em PESSOAS!

 

É assim que se ganham eleições, sem se saber como, talvez com um pouco de astúcia política e algum trabalho de porta à porta.

 

Entendo que cada vez mais as pessoas, nas eleições autárquicas, votam em pessoas e não em partidos! A leitura que faço é que as pessoas olham para os candidatos na sua vertente pessoal, humana, profissional, capacidade de liderança e deixam para segundo plano os ideais políticos! Enfim, analisam o perfil das pessoas enquanto cidadãos e depois fazem a sua escolha!

 

Em suma, se me perguntarem se fiquei contente com o resultado eleitoral, a minha resposta é não! Se me perguntarem se já estava à espera deste resultado eleitoral, a minha resposta é sim!

 

Parabéns a todos os que tiveram a audácia de se candidatar a estas eleições autárquicas!

Parabéns aos vencedores e parabéns aos vencidos!

 

Espero não ter ofendido ninguém com esta minha análise, mas é verdadeira e sentida, como tudo aquilo que faço na vida!

 

Bem hajam a todos!

 

Ana Sofia Belchior

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Com muita honra publico um texto da "minha directora" Paula Bravo, aqui na qualidade de Paula Bravo a cidadã silvense. Foi uma sensação estranha para mim ser eu a pedir-lhe que me enviasse o texto a tempo... normalmente é ao contrário. Além de professora, de grande dinamizadora da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense a Paula Bravo é por todos conhecida como a Directora do jornal "Terra Ruiva", do qual sou um dos colaboradores. O meu obrigado pela participação...


Rescaldo, Paulo? Mas está tudo a arder!

 

Pede o Paulo que escreva um texto sobre o rescaldo das autárquicas. Rescaldo, Paulo, qual rescaldo se está tudo a arder?!

 

Antes de avançar, quero fazer dois sublinhados. Em primeiro lugar, salientar que este texto é escrito por mim. O que parece óbvio mas não gostaria que se confundisse a Paula que assina este texto, com a que dirige o jornal Terra Ruiva. Isto porque: trabalho é trabalho, e a opinião pessoal é a opinião pessoal, e “as duas paulas” têm-se esforçado sempre para que o jornal seja um espaço sério e aberto a todas as opiniões, pessoas, entidades e partidos.

O segundo ponto é para exprimir uma ideia e poupar trabalho a alguns leitores: fiquei muito contente com o resultado geral destas eleições, principalmente com a vitória da CDU na Câmara Municipal e na Junta de Freguesia de Messines.

São muitas as razões políticas e pessoais para ter ficado contente. Mas, pondo de parte essas motivações, e tentando olhar para as eleições com objetividade, na posse da experiência e dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos em que tenho acompanhado de perto a vida do concelho e muitos dos protagonistas das últimas três décadas, penso que a vitória da CDU foi o resultado que melhor poderá servir o nosso concelho.

O PSD merecia perder a presidência da Câmara Municipal, pela total desgovernação da autarquia e do concelho. O PS não merecia ganhar por ter sido uma oposição sempre a reboque dos interesses dos candidatos do momento, sempre em guerras internas.

E mudar, MUDAR – era o que a maioria das pessoas queria. E foi o que aconteceu, quando a CDU conseguiu personificar a imagem da mudança.

Depois dos jogos, claro, é fácil fazer prognósticos. Mas em que momento, como e porquê decidem as pessoas em quem votar?

Conto uma situação real: há cerca de três anos, fui residir numa rua, sem nome, nem contentores do lixo. Fui à Junta de Freguesia de Messines, falei com o presidente João Carlos, dei-lhe conhecimento da situação, informei que estavam novos residentes a caminho. No dia seguinte, o pedido de contentores já tinha seguido para a Câmara de Silves. Esperamos meses. Finalmente, vieram dois contentores. Entretanto, há mais de um ano, um dos contentores ardeu, por incúria ou maldade. O lixo começou a amontoar-se no chão, a recolha da Câmara passava uma vez por semana… houve alturas que nem isso… falei de novo com o presidente da Junta. Fiquei a saber que a Junta desesperava havia meses para que a Câmara enviasse contentores e caixotes, que o pessoal da Junta andava pelos sítios menos populosos a retirar daí recipientes para colocar nas zonas mais habitadas, numa troca constante, a tentar colmatar os problemas.

Passou um ano, a minha rua continua com um só contentor verde, sujo, sem pedal para levantar a tampa, cujo conteúdo é recolhido espaçadamente. Mas… não é que nos dias mesmo antes das eleições, o camião da Câmara começou a vir recolher o lixo com tanta regularidade que consegui ver o fundo do contentor?!

Recurso a horas extraordinárias? Mas a Câmara tem dinheiro para isto?

… sei que o lixo é um tema pouco interessante, mas sempre digo que depois das  eleições, nunca mais tive o prazer de ver o lixo recolhido a tempo e a horas. E a minha rua continua sem nome oficial, embora haja pessoas a viver aqui vai para cinco anos.

Nesta história resume-se, penso eu, o estado do concelho – o estado a que isto chegou.

Não se engane quem governa: é o dia a dia das pessoas que determina quem escolhem na altura das eleições. Não são os programas de intenções, as chamadas “promessas” que conquistam as pessoas, são as ações diárias; é a capacidade de resolver os problemas concretos - e bem sabemos como estes são cada vez mais.

Não tenho ilusões de que os próximos anos serão difíceis para a CDU, para a sua equipa, para todos nós.

Em muitos sentidos agora é que a luta vai começar:

  • O PS está em frangalhos e ficará totalmente partido se Fernando Serpa, contradizendo o que afirmou anteriormente, se sentar no seu lugar de vereador.
  • O PSD está sem direção, sem rumo, à procura de protagonistas diferentes, quiçá esperando alguns dos quais recusaram integrar as listas.
  • O BE, refém das listas pejadas de “independentes”, procura uma estratégia e um lugar que ainda não encontrou e dificilmente alcançará nos tempos mais próximos.
  • A CDU sabe que o “estado de graça”, que é suposto ser concedido a uma nova equipa governativa, é um estado efémero, e que a realidade tem de se ajustar às expetativas e vice-versa.

 

Há quatro anos atrás a CDU antecipou-se, optou pela renovação, surgiu com Rosa Palma. A inexperiência da nova vereadora foi compensada com trabalho e muita dedicação: estudou os assuntos, discutiu os dossiers com ex-autarcas e técnicos, visitou associações e entidades. Ouviu, perguntou, muitas vezes com grande simplicidade, não tendo receio de admitir que não sabia e que estava ali para aprender. Coragem, determinação, inteligência e sentido de humanidade são qualidades que reconheço na nossa nova presidenta. (E confesso que me dá um gostinho especial de escrever presidenta – no feminino.)

Não termino sem deixar uma ideia que tenho repetido nos últimos dias: não há milagres, nem pessoas perfeitas, nem pessoas totalmente boas ou totalmente más, não existem caminhos inquestionáveis. Mas a qualidade dos nossos autarcas, e aquilo que conquistam ou deixam por fazer, depende muito da nossa intervenção enquanto cidadãos.

 

 

Paula Bravo

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A Doutora Tânia Mealha é uma referência da minha geração, uma mulher que pensa pela sua cabeça, que se preocupa com as questões locais e ao mesmo tempo assume uma postura activa e denunciante nas, digamos, grandes questões do nosso tempo. Não tenho tido o prazer de falar pessoalmente com ela mas tenho a certeza que trabalhou duro para ajudar a conseguir os bons resultados que a CDU alcançou. Estava muito curioso para saber a sua opinião e, como sempre, não desiludiu. Curiosamente a Tânia é a primeira messinense a opinar sobre as autárquicas num blog dito "de Messines"... obrigado e, mais uma vez, agora publicamente, os meus parabéns!


UM OLHAR SOBRE AS AUTÁRQUICAS 2013 EM SILVES

 

As eleições autárquicas são consideradas pelos cientistas políticos como eleições de segunda ordem por considerarem que as mesmas não têm um impacte directo no controlo do poder executivo nacional, ao passo que as eleições legislativas são consideradas eleições de primeira ordem uma vez que resultam no controlo do poder executivo nacional. 

 

As eleições autárquicas distinguem-se em dois níveis: municipal, elegendo o executivo e a assembleia; freguesia, elegendo a assembleia donde emana o executivo da freguesia. São disputadas de acordo com o método de representação proporcional de Hondt sendo que os eleitores votam em listas fechadas, ou seja não há personalização como nas presidenciais, embora as campanhas tenham como tendência girar em torno do candidato ou candidata à presidência da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia. Ainda em termos estatísticos, os dados nacionais demonstram que o sistema é mais desfavorável aos partidos mais pequenos, bem como os recursos necessários à eleição em termos de recursos humanos, financeiros e organizacionais dificultam a eleição dos partidos com menos estrutura de organização local. 

 

Em termos de legislativas os partidos do centrão - PS e PSD, ou do bipartidarismo que se instalou em Portugal a partir de 1987, sempre tiveram melhores resultados, ainda que a diferença seja pequena - anda à volta de 1,3%, nas eleições legislativas (primeira ordem) que nas eleições autárquicas (segunda ordem). Há que lembrar que o sistema eleitoral das eleições locais favorece os partidos maiores e que a quantidade de recursos necessários para fazer campanha em cerca de 300 municípios será responsável por uma tendência semelhante. Contudo, os partidos considerados médios como o PCP obtiveram sempre melhores resultados nas eleições autárquicas do que nas legislativas, com uma diferença que ronda os 4%. Este resultado deriva quer da força da organização partidária, quer da existência de fortes zonas de influência eleitoral comunista nas regiões do Sul do país, tanto nas cidades como nas zonas rurais. Em traços gerais as eleições legislativas têm vindo a contaminar as autárquicas de há uns tempos a esta parte, isto é, quando os partidos ganham ou perdem peso a nível nacional (legislativas) isso traduz-se nos resultados autárquicos. 

 

Numa análise mais fina relativamente à flutuação do eleitorado: as eleições autárquicas, dados até 2005, são utilizadas por pequenos segmentos do eleitorado de forma a expressarem o seu descontentamento com o Governo. Os outros segmentos do eleitorado votam nos partidos da sua preferência sem darem sinais de protesto. Contudo, sabe-se factualmente que o peso partidário está mais presente nas legislativas que nas autárquicas, sendo até colocada a hipótese de que existem participações diferenciadas no que concerne aos eleitores. Nas autárquicas é possível que participem mais eleitores sem matriz ideológica definida, ou por outro lado que a proximidade com os candidatos coloque a um outro nível em jogo e de forma mais premente questões emocionais, avaliação dos candidatos como juízo de carácter, etc. Assim sendo, se por vezes as pessoas têm mais tendência para transferirem o seu voto entre blocos partidários e ideológicos em eleições autárquicas que nas legislativas, noutras vezes acontece o inverso, sendo a pedra de toque a conjuntura política. À excepção do período de lua-de-mel, primeiros doze meses após as eleições legislativas anteriores, os estudos nacionais constatam que o(s) partido(s) que controla(m) o governo nacional perde(m) sempre apoio eleitoral, ou seja votos, das eleições legislativas para as eleições autárquicas. Ou seja, no nosso país, tal como noutros países, os cidadãos usam as eleições autárquicas para expressarem o seu descontentamento com o Governo. Sendo que esta perda de votos que o Governo regista depende não só da popularidade do governo como da situação económica do país. Esta influência das legislativas nas autárquicas tem efeitos a curto e a longo prazo, esta última no que respeita a alterações no sistema partidário. Os estudos nacionais demonstravam e a realidade das autárquicas no concelho de Silves confirma. 

 

O Bloco de Esquerda que viu a sua votação diminuir no concelho, como noutros concelhos país a fora, terá na forma como está organizado e na estrutura inexistente a nível local pistas para o resultado - mas que em Silves, e apesar do resultado eleitoral, eu diria que está a ser forjada. 

 

O PSD, aglutinador do descontentamento político e económico nacional - que não poderia ter outro desfecho após análise responsável e consciente, com o desgaste que vem sofrendo desde que Passos foi eleito Primeiro-Ministro, a que se junta a deplorável prestação de Cavaco como Presidente da República mais o desgoverno que tem reinado na Câmara Municipal de Silves desde 1997 data em que Isabel Soares foi eleita e que culminou na fuga em direcção a um posto mais apetecível (para a própria, é claro) como Administradora nas Águas do Algarve SA - oferta de outro reputável licenciado relâmpago do Governo PSD/CDS, Miguel Relvas. Única altura em que o PSD Governo fez alguma coisa por Silves - em pleno gozo de uma maioria, um governo e um presidente, mas que representa um avultado custo para o erário público nacional. A ser tão boa administradora como foi presidente, deve ter sido por isso que foi nomeada... Devia ter sido nomeada Administradora do Ar Abafado - porque não se vê como a obra que deixou ao concelho, da Serra ao Mar um vazio de desenvolvimento, mas que nos sufoca com a pilha de dívidas que deixou para pagar e que estão prestes a vencer.

Rogério Pinto viu assim terminado o seu curto mandato, presente envenenado que, por certo, lhe trouxe mais dissabores que alegrias. 

 

O PS que fez uma campanha que supostamente era centrada numa equipa mas cuja campanha eleitoral sempre comunicou como um One Man Show - Fernando Serpa - tal como veio a fazer ao longo dos anos que já contabiliza na Câmara Municipal de Silves, 20! Reparando-se nos cartazes sem alusão ao órgão a que se candidatava, sempre com ele ao centro e apenas com o seu nome, de comunicação de equipa essa imagem valia zero, e a omnipotência era tal que nem carecia de apresentação aos cidadãos do concelho, incongruência sempre! Quase que parecia que o trabalho do PS local tinha sido exímio, ou melhor o seu e, tinha sido tal que falava por ele e o precedia. E talvez tenha sido mesmo isso que aconteceu... Estratégia que também passou por apostar no mediatismo de outras personagens do PS nacional que personificam aquilo que a memória ainda recorda e que os bolsos sentem todos os dias - a depauperização do património nacional, seja ele o dos recursos humanos qualificados ou o das matérias primas, no conluio forjado a nível nacional com o PSD e o CDS, em que todos têm culpas mais que afirmadas e reconhecidas pelos próprios nas assinaturas que constam por baixo do acordo com a Troika. 

 

Recordando um provérbio - "quando descobres que estás a andar num cavalo morto a melhor estratégia é desmontares" - por fim, mas não em último, Agora Silves da Serra ao Mar. O cavalo morto significa aqui a política que vinha a ser praticada no concelho, com os cavaleiros já conhecidos a coordenar e a delinear a sua marcha. Nos anos que a CDU foi governo autárquico e naqueles em que tem sido oposição - desde 1997, a sua posição tem sido sempre uma: a defesa dos interesses da população e do concelho, do litoral ao interior. Uma posição partilhada e defendida por quaisquer membros da CDU independentemente das funções para os quais foram eleitos, desde os Presidentes de Junta e Membros das Assembleias nas suas Freguesias até aos Vereadores Não Permanentes no Executivo e Membros da Assembleia Municipal de Silves. E quem diz a nível autárquicos diz a nível nacional porque a CDU defende sempre os cidadãos, os seus direitos, as suas legítimas aspirações, um país justo com futuro para todos. 

 

Cingindo-me à Câmara Municipal, mas congratulando e reconhecendo o esforço, empenho e trabalho de toda a equipa CDU e todos os candidatos no concelho, muito foi o trabalho desenvolvido nestes quatro anos pela Vereadora Rosa Palma, hoje Presidente eleita da Câmara Municipal do Concelho de Silves. Além do descontentamento com as políticas e as práticas lesivas seguidas até aqui capitalizou-se o seu trabalho feito com honestidade e competência, a proximidade com as pessoas, bem como a sua equipa e a frontalidade na resolução dos assuntos, o assumir de posições e a clara acção em prol de um concelho que é de todos nós, da Serra ao Mar. Há agora muito trabalho a fazer, a começar por uma gestão de 16 anos a apurar e avaliar criticamente, de forma a agir de modo responsável e consciente, sempre no interesse da população e de todo o concelho, à alteração de más práticas já identificadas. Mãos ao trabalho.

 

Fala-se da abstenção que é muita e da não capitalização do eleitorado para os partidos, mas isso é estrutural e prende-se além da descredibilização nos políticos, com o facto de a Comissão Nacional de Eleições fazer um péssimo trabalho no apelo ao voto, na consciencialização da população para a necessidade do mesmo de forma a aprofundar a participação democrática e uma democracia mais participada. Além de que a abstenção no nosso concelho foi menor em 6%, e se contabilizarem os votos perdidos pelos outros partidos e os ganhos pela CDU para a Câmara Municipal de Silves, a margem de diferença é muito pequena. Quanto aos brancos que quase duplicaram e aos nulos é necessário que os partidos tenham em consideração que muitas destas pessoas são militantes dos mesmos com fortes raízes ideológicas e quando descontentes, ou diria num ponto de saturação, há tendência para romperem com o sistema democrático porque não se revêem no seu partido e por isso em mais nenhum - deixa de haver congruência interna devido à enorme ambivalência que sentem (mas isto dava para desenvolver todo um outro texto). Relevar apenas que para aqueles que sentem que o sistema é injusto não votar significa desequilibrar ainda mais a balança, porque em termos de representatividade os seus interesses ficam sempre subrepresentados face àqueles que votam e elegem quem defenda as suas ideias.

 

Há, ainda, que reter um facto, nos locais em que a proximidade entre os eleitores e os eleitos se sente todos os dias na rua e na resolução concreta dos problemas dos cidadãos - congruência, como é o caso de São Bartolomeu de Messines, a votação expressa da maioria é uma realidade. Que continuem o bom trabalho.

 

Uma nota, a abstenção este ano foi a maior nos concelhos onde há mais emprego jovem e a justificação dos especialistas é que os jovens têm menos contacto com os políticos e por isso votam menos, ou sentem que fazem menos parte deste sistema. Ora ainda não tenho valores acerca de Silves, mas é um dado interessante a procurar e analisar, já que na minha freguesia houve muita gente jovem a votar pela primeira vez. 

 

Por fim, agradecer a todos quanto acreditam que é possível um concelho mais justo, mais desenvolvido, mais progressista e próspero e que possibilite melhores condições de vida a quem nele vive e a quem o visita, sem o vosso voto e apoio isso seria impossível. 

 

Obrigada Paulo pelo convite, e desculpa lá a extensão da partilha do meu pensamento! 



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Tânia Martins Mealha
Doutoranda em Psicologia

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação

Universidade do Porto

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O Professor Manuel Ramos é uma das pessoas que mais admiro na política local, pela sua coerência, carácter e dedicação às causas públicas. Durante 4 anos foi Vereador na CMS eleito pela CDU, deixou a sua marca como o mais interventivo e corajoso vereador da oposição dos últimos anos no nosso concelho. É uma pena que não faça parte da equipa eleita pela CDU nestas autárquicas... mas tenho a certeza que não deixará de contribuir na construção de um concelho melhor. Obrigado Manuel Ramos.


As recentes eleições autárquicas, e a sua campanha – que haviam de culminar na derrota do PSD neste concelho após 16 anos -, iniciaram-se com a abdicação de Isabel Soares do mandato que o povo lhe conferira. Uma atitude pouco digna dos políticos eleitos (refiro-me aos que ganham eleições, não aos que as perdem), e que deveria ser penalizada, ao traírem a confiança popular. Revelam calculismo, egoísmo e, no caso, de alguém que sempre afirmara ter “Silves no coração”. Porém, “valores mais altos” se levantaram fazendo esquecer amores, promessas, e mesmo o juramento efectuado. Mas o exemplo era anterior, e viera de cima: não esquecemos Durão Barroso!

Rogério Pinto ficou com o “menino” nas mãos. E sem a mãe para o ajudar…

Do PSD nacional, do governo, nem conviria falar ou pedir socorro. Era lenha para se queimar! E os bombeiros andaram este Verão muito ocupados. Do estado do concelho, dos seus projectos, enfim, das suas finanças… bom, isso era melhor esquecer. O concelho está muito mais endividado, parado, enredado em processos judiciais, e sem perspectivas, do que estava em 1997 quando Isabel Soares chegou à Câmara e prometia fazer de Silves a “Sevilha do Algarve”. É fácil agora verificar. Nem o Polis de Sócrates salvou a face; em muitos casos, antes pelo contrário. A mudança era, vistas as coisas assim, expectável. A surpresa veio de S. Marcos da Serra: fiquei curioso em saber quem é e o que irá fazer Luís Cabrita pela freguesia.

 

Mas quando alguns já comemoravam a vitória do PS, com sondagens a seu jeito, numa conjuntura aparentemente muito favorável, e que se revelou assim por quase todo o país, eis que chega o duche frio: o partido Socialista tinha um dos piores resultados de sempre, e atrás do PSD! Com um cabeça de lista que conta vinte anos de casa, o caso é grave: traduz-se, afinal, num rotundo NÃO! Foram os grandes derrotados.

Fernando Serpa deveria tirar ilações imediatas quanto ao significado disto e da sua actuação como vereador. Havendo uma maioria de esquerda no anterior mandato, raras foram as vezes que esta funcionou. E não foi por culpa de quem só tinha um vereador(a) e que, parte das vezes, apresentava o seu trabalho e via depois F. Serpa e o PS colher louros via Correio da Manhã ou Voz de Silves (essa “Santa Aliança” com o inimigo foi outro erro estratégico!). Uma posição na Câmara, outra na Assembleia Municipal, um voto aqui, uma falta de presença, estratégica, ali. Incoerência! Muita parra e pouca uva! O pessoal não é cego…e não perdoou.

 

Passamos ao Bloco de Esquerda. Moços porreiros, muitos jovens, muitos amigos, uma campanha à Bloco, para o bem e para o mal. Ficaram longe dos pretendidos 2000 votos, ficaram afastados da Câmara (melhor seria se tivessem tirado alguém do PSD ou do PS!!), mas com voz activa na Assembleia, o que é sempre bom. Espero que o grupo se mantenha e proporcione massa crítica: bem necessitados estamos no concelho!

Por fim, os vencedores, os certos e os incertos. Aqueles em que votei, e assim fica manifesta a minha clara declaração de interesses que, espero, não pesem demasiado em toda esta singela análise.

Tito Coelho em Silves era, para mim, caso quase certo, e confirmou-se. Esperemos que a Junta, agora em consonância com a Câmara, beneficie do seu reconhecido dinamismo e entusiasmo; João Carlos, em Messines, mais do que certo, era uma certeza. E arrasou! Assim se provou que os comunistas, pelo menos a nível local, não comem criancinhas. Foi o reconhecimento do seu empenho e dedicação à freguesia nos últimos quatro anos. Incerta foi a eleição de Rosa Palma, após tanta contra-informação, ainda que os resultados fossem claros no final. Merecida recompensa pelo penoso, diligente e honesto trabalho que desenvolveu no solitário mandato de vereadora que agora cessa. As dificuldades existentes são agora muitas, todos sabemos, e o equilíbrio de forças difícil de gerir, mas a sua determinação e positivismo em muito a ajudarão. Mesmo sem muitos recursos, muito se poderá fazer através de uma simples mudança de atitude, de bom senso e de boa vontade. Saibamos todos nós - políticos e munícipes - participar, livremente discutir e ouvir, consensualizando, e a partir daí sair para a acção sem demoras e hesitações, libertando a energia da sociedade civil agora silenciada.

A bem do nosso histórico Concelho, e do seu melhor futuro, precisamos exigir mais de nós e dos políticos que elegemos.

E Viva Silves, cidade e concelho!

 

(este texto ignora, por vontade própria, o Acordo Ortográfico, ora moribundo)

 

Silves, 11 de Outubro de 2013

Manuel Castelo Ramos

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O Engº Carlos Cabrita será porventura o mais conhecido "bloquista" deste concelho. Conheço-o há vários anos e considero-o um pensador político brilhante. Quando nos sentamos para falar sinto-me como se estivesse perante o Kasparov com um tabuleiro de xadrez pelo meio: todas as jogadas ou movimentações que penso, ele já as antecipou! Tem sido persistente e com pouquíssimos meios conseguiu criar um espaço politico para o Bloco de Esquerda no concelho de Silves. Apesar de nestas eleições a votação não ter correspondido às suas expectativas, sei que está satisfeito com o que foi conseguido... mais importante do que umas centenas de votos é o respeito e admiração dos líderes de opinião e das forças vivas da terra. Obrigado Carlos pela sua participação.


 

O BE nas Eleições Autárquicas 2013: em SILVES, no ALGARVE, no CONTINENTE e na MADEIRA

 

Nos últimos 4 anos não fizemos suficiente trabalho sócio-politico local que justificasse a votação em nós……    A Juventude e a abstenção “deixaram-nos”.

 

Os outros fizeram esse trabalho!? …

 

 --- A CDU fê-lo sobretudo a partir na JF de São Bartolomeude Messines e do contexto Nacional da votação nestas eleições;

--  o PSD fê-lo no Governo, pela negativa e na Câmara de Silves nos últimos 16 anos;

--- o PS teve Fernando Serpa como vereador na CMS durante mais de uma década e este nos últimos 4 anos, até teve um Blog, faltou-lhe……

 

Estas eleições autárquicas de Setembro de 2013 realizaram-se na conjuntura sócio-política que todos vimos sentindo “na pele e já no osso”.

 

O BE em Silves, muito cedo percebeu essa conjuntura e não deu empenho significativo a estas eleições autárquicas. Preferimos concentra-nos na luta contra as políticas do “Governo da Troika” que vem sendo “encabeçado” pelo PSD.

 

Em face desta situação, pareceu-nos politicamente ajuizado, definir como objectivo principal a luta contra o PSD, como a mais importante e decisiva para pôr termo a estas políticas que actualmente nos (des)governam.

 

Nesse sentido, enquadrou-se também, outro objectivo de fortalecimento desta luta, contra o PSD. Tentámos agrupar forças com a chamada esquerda (CDU e PS) e encetamos contactos formais e informais para o efeito. Idem com o movimento “independente”, entretanto surgido o MMS.

 

Tal não foi possível. Em geral não tem sido concretizado. Coube-nos e cabe-nos tentar.

No Funchal concretizou-se e foi infligida uma grande derrota ao PSD, depois de várias décadas de domínio deste partido na Câmara da capital da Madeira.

 

Em Silves o PSD também sofreu pesada derrota. Penso que também demos o nosso contributo para o efeito tal como mencionámos no texto acima.

 

A CDU venceu as eleições autárquicas para a Assembleia Municipal e Câmara de Silves, concorrendo de forma isolada, sem coligações, não aceitou o(s) nosso(s) repto(s) para conversações ou coligações. Tal como no Funchal não integrou a coligação vitoriosa.

 

Quiçá o entendimento BE & CDU em Silves, tivesse obtido a maioria absoluta na votação para Câmara. O concelho e os munícipes teriam muito a ganhar com isso.

Aguardamos o que irá acontecer e com quem a CDU privilegiará os seus entendimentos nos próximos 4 anos e quem lucrará com isso!?...Outra curiosidade, dentro da CDU, será “observar a balança(o)” São Bartolomeu Messines / Silves e se penderá para algum lado!?...

 

Parabéns à CDU que conseguiu a simpatia dos eleitores. Obrigado aqueles que também nos confiaram o seu voto e que permitiram a manutenção de 1 eleito na Assembleia Municipal. Tentaremos não os defraudar.

 

Em face do cenário que se nos deparou: concorrer de forma isolada, sem acordos ou coligações; pouco tempo para preparar a candidatura; pouco dinheiro disponível; pouco trabalho local desenvolvido nos últimos 4 anos; pouco militância local; …. Ainda admitimos concorrer só à Assembleia Municipal, não concorrendo à Câmara nem a nenhuma freguesia.

 

Apesar destes constrangimentos o “Grupo” (BE e Independentes) ganhou ânimo e força e encetou o processo de construção da candidatura que foi apresentado e com os resultados também conhecidos.

Um resultado muito honroso no contexto do Algarve (3.º lugar) e Nacional. Um pouco acima dos 5%, tendo ficado por exemplo, Lisboa e Porto abaixo desta fasquia.

Ficamos sem o eleito (por 4 votos) na Assembleia de Freguesia de Silves e mantivemos a eleição de 1 elemento para a AM, agora Carlos Cabrita.

 

A campanha do BE em Silves apesar de tudo conseguiu ser “engraçada”.

Fizemos uma boa pré-campanha em que a acção de distribuição do papel higiénico pelos serviços da CMS deu que falar. A outra acção principal de pré-campanha a distribuição dos “Mata-Mosquitos”, pelo litoral do concelho, nem tanto.

Na campanha propriamente dita sobrepuseram-se as nossas fragilidades, os nossos problemas e fomos ofuscados pelo mérito dos vencedores, a CDU.

Só o “Facebook” foi insuficiente… e suficiente para mostrar desentendimentos.

 

A CDU conseguiu a enorme proeza de vencer as eleições para a AM e CM de Silves a partir sobretudo da actividade da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines e do contexto nacional desta votação autárquica que a favoreceu aqui e noutros concelhos.

A mensagem passou, espalhou-se desde São Bartolomeu de Messines.Inicialmente a Silves, depois a todo o concelho. Paulatinamente de “boca em boca”, “sem ondas” ou polémicas, contrariando os “especialista locais” que diziam que esta vitória seria impossível e sob a “direcção” de um seu grande especialista local, nesta matéria.

 

O PSD foi penalizado pela conjuntura Nacional, pelos seus 16 anos de liderança local, pela mudança (recente) dessa liderança, Isabel Soares por Rogério Pinto.

 

O PS apesar da intensa campanha e pré-campanha não conseguiu capitalizar em Silves o que conseguiu noutros concelhos apesar de também ter perdido noutros concelhos do País ( Beja, Évora, Loures,) na sua disputa com a CDU.

Quiçá o candidato em Silves!?...

 

Perdemos TODOS, perde o País, perde a Cidadania: muito embora uns mais que outros, PERDEMOS para a abstenção e os votos brancos e nulos.

No concelho de Silves a abstenção foi acima de 50% e os votos brancos e nulos somados passam em muito os do BE. A Juventude foi uma das responsáveis por isso….

 

O BE, claramente em Silves e no País não conseguiu atrair votantes descontentes com as politicas em curso. A CDU parece ter sido quem capitalizou desta vez, esse descontentamento.É necessário perceber porquê!

 

O BE terá que trabalhar, sempre mais, ao longo do tempo, para conseguir crescer e implantar-se…se conseguir sobreviver…as lutas e o desenvolvimento precisam de protagonistas. Este é o “caldo” para a Esquerda trabalhar a Direita “move-se noutra águas”.

 

 

Carlos Cabrita, 10-10- 2013

 

 

PS - O autor deste texto, não é da UDP nem entrou para o BE por quaisquer das outras

        duas“correntes fundadoras”… embora assuma as suas preferências e opções.

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Eu e o Ricardo Luz já tivemos acesas discussões, tal como já estivemos juntos em causas nas quais acreditavamos. É um homem de esquerda, foi o líder da JS de Silves, desempenhou vários cargos dentro das estruturas do PS e posso afirmar que sempre defendeu o Partido Socialista... muitas vezes as nossas discordâncias nasceram ai. Poucos conhecem o interior da política local como ele, achei por isso que deveria convidá-lo mas confesso que não pensei que aceitasse. Ainda bem que aceitou pois julgo que contribuiu com uma boa reflexão. Obrigado Ricardo.


Quero começar por agradecer ao Paulo o convite que me endereçou, uma pessoa que aprendi a gostar pela intransigência e pró-atividade na defesa das causas em que acredita. Nem sempre concordamos mas isso prova o espirito democrático que existe nas novas gerações de pessoas atentas à política.

Olhei para esta campanha com especial atenção, tenho uma ideia muito concreta em relação ao modelo de governação autárquica atual que considero esgotado.

Acredito que é urgente reformular a lei eleitoral autárquica no sentido que permita maior participação dos cidadãos nas decisões que os influenciam diretamente, mas até isso acontecer teremos que viver com o modelo que existe.

A prova que a minha observação é cada vez mais real, foi precisamente a campanha autárquica de 2013, onde percebi que nenhum dos candidatos apresentou um verdadeiro projeto de desenvolvimento local que realmente mobilizasse os eleitores, prova disso foi a abstenção e o número de votos brancos e nulos crescente.

Todo o processo político foi invertido, primeiro escolheu-se os candidatos, depois definiu-se a imagem de campanha e só por último se compôs algumas propostas que apontavam em determinado caminho para o futuro e tudo isto sem realmente perceber o que as pessoas do concelho gostariam de ver nesse futuro.

Acredito que a política deve ser praticada com e para as pessoas, o que me leva a dizer que não me revejo em nenhum dos projetos políticos que se apresentaram a votos, não pelas pessoas que os encabeçaram mas sim pela forma como todo o processo foi conduzido, o que levou a que a campanha se alicerçasse em acontecimentos que foram ocorrendo ao longo da pré-campanha e campanha (ora foi a venda da praia, ora o tornado, ora os mosquitos, ora os fait-divers de maledicência entre candidatos), nunca conseguindo criar a envolvência entre projetos políticos e eleitores que acho que era o desejável …

Nos livros de gestão, fala-se muitas vezes da diferença entre chefes e líderes, e o antigo presidente americano Franklin Roosevelt definiu a diferença entre líder e chefe de uma forma que me identifico particularmente, que é a seguinte:

As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia.”.

Os políticos devem ser por definição líderes, devem ser transparentes nas suas intenções e devem trabalhar com todos no sentido de construir algo comum à generalidade dos seus concidadãos. Isso leva também a que se aproximem da matriz e marca ideológica que o seu partido defende, como meio de potenciar a sua mensagem e comunicação politica bem como a sua identidade politica.

Quem melhor conseguiu esse desígnio foi a candidata que ganhou, mantendo uma comunicação e mensagem política coerente com o seu partido e com o trabalho desenvolvido nos últimos 4 anos, e só por isso merece os meus parabéns.

Apesar desta análise, acredito que o concelho de Silves precisa de políticos, de líderes que apontem caminhos e não chefes que guiem os destinos do concelho mediante os desafios de determinado momento.

Ainda tenho esperança que esses líderes apareçam para tornar a nossa vida melhor, as pessoas do concelho de Silves merecem esse sonho.

Ricardo Luz

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Fiz questão de convidar o Rui Grilo a partilhar a sua opinião sobre o último acto eleitoral. Conheço poucas pessoas com tamanha disponibilidade para ajudar e defender a sua terra, São Marcos da Serra. Apesar de termos concepções ideológicas diferentes sempre nos entendemos e respeitamos mutuamente porque somos capazes de aceitar ideias diferentes, desde que vejamos nelas boas intenções e genuidade. A luta em São Marcos foi acesa e antes de mais nada quero dar a oportunidade a todos de enterrarem o assunto eleições e retomarem as boas amizades, tão necessárias ao futuro daquela freguesia. Para isso é bom que se fale agora... Obrigado Rui.


Confiança na Mudança! Trabalhar sempre! Agora Silves da Serra ao Mar!

Senti-me de certa forma surpreso e lisonjeado, em ser abordado pelo meu prezado amigo Paulo Silva, para alvitrar no âmbito das eleições autárquicas e dos momentos inconfundíveis que deram ao concelho de Silves, alguns momentos anedóticos e que por ventura irão ficar na história política do nosso concelho.

O tempo o dirá se as escolhas foram positivas e benéficas para o concelho e população na sua generalidade, mas vamos por agora acreditar que sim e ter crença que a maioria escolheu de forma consciente e acertada.

Embora o meu espectro político seja conhecido, vou tentar deixar aqui o meu testemunho de forma imparcial, deixando as ideologias politicas para enésimo plano, sobrepondo-se por isso o valor e a dignidade das pessoas que integram as mais variadas organizações politicas, neste caso as candidaturas que existiram para a Câmara Municipal de Silves e para a Junta de Freguesia de São Marcos da Serra em particular.

Todavia, começo por dizer que os resultados para a Camara Municipal, me deixaram de certa forma boquiaberto, no que respeita á vencedora do procedimento eleitoral que se realizou no passado dia 29 de Setembro, não por falta de mérito da candidata, não por falta de conduta, de seriedade e de honestidade e até mesmo duma presumível competência para o cargo que agora vai ocupar, mas sim por verificar um descomedimento de confiança exacerbada por parte dos outros dois candidatos, o Dr. Fernando Serpa e o Prof. Rogério Pinto, PS e PSD respectivamente, que ainda não tinham contactado com a população e já tinham ganho as eleições. Os resultados foram elucidativos, mostrando que NUNCA há vencedores antecipados!

A Prof. Rosa Palma, pela forma dedicada como fez campanha, apostando na proximidade com os munícipes, trazendo para debate coisas simples mas uteis, foi reconhecida e ganhou.

 Há que admitir que mereceu por isso ganhar as eleições, e mesmo eu que votei PSD, lhe reconheço mérito e dedicação, desejando-lhe terminantemente felicidades e força de vontade no exercer das suas funções autárquicas.

O Dr. Fernando Serpa, pouco, mas muito pouco tenho que dizer acerca dele, conheço mal o Sr. Dr., tendo falado com ele duas vezes, uma conversa breve de escassos 20 ou 30 minutos, parecendo-me uma pessoa educada e formal, muito teórico e pouco realista acerca das necessidades do concelho e deu-me a entender que havia falta de substancialidade nas suas propostas e em quem o rodeava. Mas isto sou eu a palpitar, respeitando quem diverge da minha opinião.

O Prof. Rogério Pinto, deixem-me que vos diga, mostrou-me ser um homem não político, dedicado, sério, honesto, prático, apostado em contribuir de forma indubitável para uma melhoria da qualidade de vida no concelho de Silves, que foi apanhado de surpresa no estrear das suas funções como Presidente da Câmara por uma catástrofe que atingiu a cidade, que com a ajuda de todos, mostrou celeridade e competência na resolução dos problemas que na altura se lhe colocaram. Esteve bem em várias situações, diria até em muitas situações, mas errou na fase final, errou ao apresentar na lista de vereação algumas pessoas que por si só nunca deram nada ao concelho, extenuadas de ideias e de soluções, sem carisma nem aceitação, e algumas delas sem credibilidade reconhecida. Pagou o justo por o(s) pecador(es)!!

 

Agora São Marcos da Serra, esta sim, a Serra esquecida durante muitos anos, mas lembrada pontualmente quando há festas e provas gastronómicas.

É bom saber que todos os políticos do nosso concelho se batem por uns escassos oitocentos votos que assiduamente vão ás urnas por altura de eleições autárquicas na nossa freguesia, diria mesmo que espremer o sumo da laranja, cheirar as rosas ou ceifar as poucas espigas que ainda existem na freguesia é ponto de ordem para todos os que se candidatam á Câmara Municipal, mas depois desaparecem, aparecendo só nas tais situações pontuais que acima referi.

Podem não gostar que diga isto, mas a Dr.ª Isabel Soares, fazia a diferença no que respeita á proximidade com a população de São Marcos da Serra e sendo essa a minha opinião, há que ser aqui dita, porque vi e presenciei muitas vezes isso acontecer.

Começaria por reconhecer na candidatura da Eng.ª Rosa Guerreiro, uma saudável alternativa por parte da CDU para a Junta de São Marcos da Serra, quando no passado se verificava uma certa névoa permanente por parte de quem encabeçava a lista daquela estrutura para a junta, agora até eu senti uma lufada de ar fresco, com alguém útil, dedicado e com vontade de contribuir para o bem comum, séria e honesta, em suma transparente e sem interesses pessoais aparentes. Embora fosse visível a inexperiência e algum desconhecimento no contorno da gestão autárquica, pois ninguém nasce ensinado, mas estou certo que a candidata com a sua persistência, aprenderia com a maior brevidade possível.

O Eng.º Ricardo Guerreiro, jovem empresário, secretário da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra desde 2009, foi com alguma certeza que vi na sua candidatura á presidência da Junta de Freguesia uma continuidade agoniada, onde lhe faltava alguma, senão muita autonomia na apresentação de propostas com exequibilidade e dotadas de realismo, até ouso dizer que talvez isso se devesse a um número dois da sua lista, impossibilitado de se candidatar, que veio a contribuir junto de outros factores para uma vitória FOLGADA e merecida por parte do candidato do PSD.

Dizia o candidato do PS numa rede social há tempos atrás

 “Conheço muito bem a freguesia de São Marcos da Serra, casa a casa, pessoa a pessoa... A nossa freguesia é grande, conto com a colaboração de todos. Ninguém ficará para trás! Adquiri experiencia e conhecimento enquanto secretário e estou disponível para São Marcos da Serra, conto com todos! Votem PS!!! “

 Não digo que não tenha algo de verdadeiro no que escreveu, até reconheço que possa ter, não teve foi a aceitação que queria ter ao escrever isto, pois quem conhece a freguesia muito bem, casa a casa, pessoa a pessoa, pode, mas não deve prometer o impossível.

Perseverança, força de vontade, seriedade, honestidade, calma e serenidade, vitalidade e dinamismo, são algumas das características do candidato vencedor nas eleições do dia 29 para a Junta de Freguesia de São Marcos da Serra. Se numas situações á terceira é de vez, nesta situação em particular á quarta foi de vez! Integrei a lista do PSD á Junta de Freguesia de São Marcos da Serra, pela primeira vez há quatro anos atrás, o candidato era Luís Cabrita. Passados quatro anos, voltei a integrar a lista, precisamente com o mesmo candidato, fi-lo porque tinha a certeza que a opção era correcta e a alternativa era certa e ajustada às necessidades da população. Tentando ser o mais imparcial possível, apartidário de todo e defensor do bem-estar comum na plenitude, não posso deixar de reconhecer as mais-valias que este candidato, agora presidente, trará a São Marcos e á população, o simples facto de saber ouvir os outros representa uma ferramenta única e indispensável numa boa e recomendada gestão autárquica, e nisso tenho a certeza que estará á altura das suas funções. O amor e o gosto pela terra, faz-se com provas dadas, o singrar fácil noutro sitio pode ser por vezes o caminho mais escolhido, mas o facto de se provar que na nossa terra também há gente que luta por uma vida melhor, gente empreendedora e capaz de vencer, faz-nos acreditar que também há gente capaz de olhar por o bem-estar dos outros, nisso tenho que admitir que tanto o Luís Cabrita como a Rosa Guerreiro, demonstram gostar verdadeiramente de São Marcos da Serra.

Porém, gostaria de concluir dizendo que na generalidade, o debate autárquico no concelho de Silves foi marcado por um vazio muito extenso, decepado de ideias e propostas válidas para a dignificação da qualidade de vida dos munícipes, principalmente das camadas mais jovens e muito rico em difamações pessoais, muitas delas baseadas em mentiras de camaradas e companheiros feridos e talvez com algum reumático cotovelar, que com o tempo irá passar.

A história diz-nos quem fomos, mas é a política que tem de nos dizer quem iremos ser!

Para isso muita coisa tem de mudar, principalmente os intervenientes do combate político e bem assim os temas que nele são discutidos.

Obrigado a todos.

Rui Grilo, São Marcos da Serra

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Apesar de nem sempre estarmos de acordo, considero o Luís Ricardo uma voz importante e pertinente deste concelho. Defende as suas ideias com convicção, não se limita a ser critíco... apresenta propostas e soluções. Vive intensamente Armação de Pêra e louvo-lhe a coragem de assumir as posições que assume numa freguesia onde a militâcia PSD é, por assim dizer... "intensa". Obrigado Luís Ricardo.


A transcendência das eleições autárquicas de 2013.

 

----Já andava com uns fernequitos para escrever o que me vai na alma, sobre o resultado das eleições autárquicas do passado 29/9, mas contive-me, achei por melhor deixar que a espuma das emoções e frustrações acalmasse. Mas precisava de tornar público, -para além do ciclo íntimo –as minhas satisfações; dúvidas; angústias e acalmias.

O resultado destas eleições era de uma transcendente importância para Armação de Pêra. Não sei se todos os protagonistas assim o intuíram – espero que a CDU sinta essa responsabilidade-, mas era o futuro de Armação de Pêra que estava em causa; a dignidade e honestidade das instituições públicas; a defesa do Património Público, e, e sobretudo, o extermínio deste lodaçal promíscuo, ilegal e infeccioso que tem sido a actuação dos responsáveis pela Câmara de Silves que em conúbio com interesses particulares, tem vindo a congeminar acções e “promessas”, manifestamente ilegais e altamente lesivas a Armação de Pêra.

----A realidade autárquica não se irá alterar grandemente na gestão da maioria das freguesias: para além da mudança de alguns protagonistas e o sempre bem-vindo refrescamento com novos eleitos e ideias novas. Aos autarcas eleitos para cada Junta, pede-se: dedicação; capacidade imaginativa e sobretudo, proximidade na resolução dos problemas mais prementes em cada comunidade local. Os fracos recursos financeiros não permitem grandes obras. Exceptuam-se a este panorama geral, a gestão corrente nas Freguesias de Silves e Armação de Pêra. Na Freguesia de Silves a gestão corrente é mais desafogada: em virtude das receitas (boas, comparativamente) e dos encargos/despesas (menores) comuns às outras Freguesias e que na sede do concelho são suportados pela Câmara, o que continuará a permitir ao novo executivo, tal como o anterior, ter uma política quase que filantrópica junto dos agentes e associações locais: (música; bombeiros; Silves F.C. e outros). Já em Armação de Pêra, as coisas mudam radicalmente de figura. Nos últimos 16 anos a Junta de Freguesia: para além de dispor de recursos extra às outras freguesias –a exploração balnear de concessões na praia- não realizou qualquer obra –exceptuando a execução do protocolo de descentralização acordado com a Câmara- tem servido como entidade menor a mando dos interesses e pulsões do executivo camarário. Em Armação de Pêra não existem quaisquer equipamentos que contribuam para a coesão social/cultural/recreativa, propostos ou criados com a iniciativa da Junta de Freguesia. Para além da listagem de intenções proposta nos programas eleitorais, a que chamam: “Projectos a executar nos próximos 4 anos”, não se vislumbra a concretização de nenhuma promessa eleitoral.

A equidade, que se espera, no apoio às Juntas de Freguesia, por parte da Câmara, não permitirá que a inercia e amorfismo, quase que endémico: de como a Junta de Freguesia tem funcionado, se prolongue. Nem nos parece –para mal de Armação de Pêra- que os novos eleitos tenham –e desejem-capacidade de reformular práticas e vícios antigos: com os quais já conviveram e até alimentaram.

----É pois, na nova gestão da Câmara de Silves, que residem as nossas –fundadas- esperanças na defesa e dignificação de Armação de Pêra.  O passado foi-nos demasiadamente penoso e usurpador: delapidaram muito do nosso Património e não apetrecharam esta comunidade de quaisquer equipamentos que contribuam para a coesão social e o amenizar da exclusão e precariedade de trabalho/rendimento –fruto de uma cada vez mais curta e acentuada sazonalidade da época turística -.

O passado da gestão CDU, não nos deixou boas memórias. A irresponsabilidade de como foi tratado o património herdado á Junta de Turismo local, é de isso exemplo. O terreno a norte do antigo Hotel Garbe e que confina com o barranco de Vale de Olival, um nobre espaço que hoje poderia albergar alguns dos equipamentos necessários à melhoria e dignificação da principal –única!-actividade desta terra: o turismo, que por inépcia e laxismo do anterior executivo de responsabilidade CDU, não está devidamente disponível e legalizado como Património Público, tal como foi legado.

Estamos confiantes que as práticas do novo executivo camarário, presidido por Rosa Palma, para Armação de Pêra, seguirão em coerência com as acções e promessas, expressas e prometidas. Isto é: a reabilitação patrimonial e ambiental; a dignificação dos espaço públicos e a conclusão das obras do POOC –Plano de Ordenamento da Orla Costeira -; a inclusão do PPAP-Plano de Pormenor de Armação de Pêra- na revisão do PDM –Plano Director Municipal- e a salvaguarda de todas as zonas REN –Reserva Ecológica Nacional- não permitindo o branqueamento de projectos ilegalmente aprovados em zonas de exclusão.

----Armação de Pêra, hoje respira com algum alívio, depois de remoção do torniquete que a amordaçava há mais de 16 anos.

Temos esperança e acreditamos que o novo executivo camarário saberá harmonizar as sempre bem-vindas iniciativas dos agentes empresariais particulares, com os interesses superiores do progresso, da melhoria da economia local e concelhia, e, e sobretudo, com a defesa intransigente dos valores: da nossa memória colectiva; do nosso património e das aspirações legítimas, de melhoria de vida para a nossa comunidade.

----Esperemos que nenhum canto de sereia perturbe a determinação que Rosa Palma prometeu para Armação de Pêra----

----Não me debrucei e propositadamente, sobre os protagonistas das diversas vicissitudes da última campanha eleitoral autárquica: partidos e movimentos; listas; programas; promessas e outros actos de natureza menos digna. Sou militante do PS, e era apoiante incondicional do candidato proposto à Câmara Municipal: Fernando Serpa, não me revia em muitas das propostas programáticas para o concelho, mas no essencial, e sobretudo, o que era proposto para Armação de Pêra, tinha o meu aval e concordância.

Sentir-me-ia muito mais confortável e agradado se o PS tivesse ganho!

Mas como armacenenses e preocupado com o futuro de Armação de Pêra e suas gentes, o objectivo primeiro e o essencial, era a remoção de Rogério Pinto e o PSD da gestão da Câmara de Silves. As sanguessugas e abutres que dilaceravam ebanqueteavam com Armação de Pêra, morrerão naturalmente e pela falta de alimento que o PSD durante mais de 16 anos lhes franqueou.

 

----Nas eleições de 29 de Setembro, Armação de Pêra ganhou! Ganhou, pelo menos, o sonho de aspirar a um futuro mais digno e promissor!

----Eu, como armacenense que ama a sua terra, também ganhei!

Parabéns aos vencedores: sobretudo à Rosa Palma e à CDU e que não se esqueçam que estamos cá para lhes escrutinar o cumprimento das promessas!

 

Armação de Pêra, 5 de Setembro de 2013

Luís Ricardo

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Para muitos Joana Cabrita será um nome desconhecido no panorama político silvense. É uma jovem, natural de São Marcos da Serra, que está no segundo ano da Faculdade de Medicina de Lisboa, e que, na minha opinião, tem pela frente um futuro promissor... Não só como médica, mas também como cidadã influente deste concelho. Apesar de a conhecer desde pequena, apenas recentemente lhe conheci os dotes de liderança, as ideias bem definidas, a garra e o gosto pela política. É assumidamente uma mulher de direita e alguém que temos que nos habituar a ouvir, para bem do nosso concelho. Obrigado Joana.


 

Encerrada a agitação em torno das Eleições Autárquicas 2013, chega a altura de reflectir sobre tudo o que se passou, nas últimas semanas, no concelho de Silves. Das várias eleições a que assisti na minha vida, foram talvez as mais imprevisíveis, sobretudo importantes. Não só para mim, que votei pela primeira vez, mas também por aquilo que representam as eleições, face a actualidade do país. Estive a par, desde cedo, das campanhas dos vários candidatos do concelho, para a Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, sobretudo daquela que me diz respeito, São Marcos da Serra. E tenho que admitir que os resultados me surpreenderam.
Em relação ao PSD, notou-se a diferença de investimento na campanha deste ano em relação a campanhas passadas. Deveria ter começado mais cedo. Apesar de acreditar que Rogério Pinto tinha capacidade para continuar como presidente, reconheço que era preciso mais. Mais força, mais mobilização nesta campanha. O melhor e o pior de vários mandatos PSD em Silves, nas últimas décadas, em conjunto com a imagem actual do PSD no país, influenciaram decisivamente o desfecho. Quanto à Junta de Freguesia de São Marcos, foi imensa a felicidade na hora do resultado final (esta minha apreciação vale o que vale, seria a mesma caso não fosse tão próxima do candidato): finalmente fomos capazes de votar pelos candidatos e de dar oportunidade a quem quer fazer algo.
Do lado do PS, a festa foi grande. Sim, a festa pré-autárquicas, pois a posterior fora cancelada pelos resultados. De facto, este foi o grande erro da campanha. Se o PSD começou um pouco tarde demais, o PS foi o extremo oposto e cansou as pessoas. Quem observasse de fora diria que seria o vencedor do concelho, tendo em conta o que investiu na campanha. Porém, faltou conteúdo. Além disso, não foi uma campanha isenta, como considero as restantes, na generalidade. Houve intrigas e descredibilização de listas adversárias, referindo-me a certos episódios. Portanto, acho que o desenlace falou por si, e mostrou que a democracia ainda sabe ser justa.
Quanto à CDU foi, sem dúvida, a grande vencedora do concelho. Foi uma campanha serena, idealista, que moveu as pessoas. Ainda que não seja apoiante do partido, penso que os candidatos mostraram credibilidade (e em autárquicas os candidatos são o fundamental). Tal facto, em conjunto com a situação do país e o sentimento das pessoas em querer mudar, proporcionou o resultado final. Parabéns, espero que Rosa Palma seja uma boa autarca, gosto de ver uma mulher a comandar Silves.
Por fim, mas não menos importante, o BE afirmou-se nestas eleições. Ainda que não tenha obtidos os resultados pretendidos, acho que foi um passo para aqueles que acreditaram no projecto. Desde início, simpatizei com a campanha. David Marques tinha boas propostas, de futuro. Conheço vários membros das listas e sei que poderiam trazer imenso ao concelho. Tenho pena que a votação não tenha sido mais expressiva para este candidato.
Enfim, após estas reflexões, é altura de pensar no futuro do concelho. Houve mudança, foi bom, a democracia é assim mesmo.
Espero que os próximos 4 anos marquem a diferença, e que Silves tenha a oportunidade de mostrar o que vale, que é imenso.

 

Joana Cabrita

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