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Gostei da entrevista que a Presidente Rosa Palma deu ao Terra Ruiva este mês. Gostei sobretudo da franqueza do seu discurso, do pragmatismo com que encara os problemas e da boa vontade revelada.

Capa 151 -

 

Evidentemente,  em 4 páginas de entrevista, não podia ficar agradado com tudo. Notei alguma resignação em relação ao facto de a CDU não ter a maioria dos votos com os quais se tomam as grandes decisões. .. é preciso acreditar que é possível envolver e seduzir outras forças políticas.  Acredito que, mantendo o rumo, daqui a 4 anos o executivo deixará de precisar do favor alheio. .. mas para já há que "calçar as galochas" e entrar no "lodo político" deste concelho.
Também não me agradou, apesar de compreender, a cedência política às pressões do PCP, e dos sindicatos que o orbitam, na questão das 35 horas semanais. Esta é uma questão nacional da qual um executivo independente se deveria abster. Diz a Presidente que "não é preciso ter formação em Economia para ver" que tal medida não trás vantagens. Voltamos à questão do "cafezinho por dia" vindo dos tempos da "outra senhora". Se aumentarmos em  15% as horas de trabalho produzimos mais 15%, se produzimos mais 15% necessitamos de menos mão-de-obra. Se necessitamos de menos mão-de-obra precisamos de menos dinheiro para pagar ordenados, logo temos mais dinheiro para investimentos ou para aliviar os encargos das pessoas. Admitindo que o custo com pessoal é, em média,  800 euros mês por funcionário,  teríamos uma poupança anual de 1.200.000, valor que significaria um aumento tremendo na verba disponível para investimento no concelho… investimento que cria trabalho e dinamiza a economia local.

 

Bem sei que estou a ser simplista, que mais horas de trabalho não significam maior produtividade e motivação dos funcionários, na verdade a motivação e a produtividade advêm em grande parte dos exemplos que temos em redor e é óbvio que, nem com 10 horas semanais, alguém trabalha com vontade enquanto outros, mesmo ali ao lado, se “encostam” e ganham muito mais.

E já que falamos de escritos em jornais, não pude deixar de reparar no “vazio ideológico” que se abateu sobre a Voz de Silves. Alguns “figurões”, que diziam escrever em prol da causa pública perderam a “inspiração” assim que a “causa própria” deixou de fazer sentido. A vitória de Rosa Palma foi tão boa para este concelho que “saneou” até aquilo que se julgava para sempre insano. É a vida…

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Os gémeos

20.03.13

Uma vez que o este mês o meu texto não chegou a tempo à redacção do Terra Ruiva, aqui vos deixo a crónica e o cartoon:


Começo por fazer uma declaração de interesses: pertenço ao grupo de fundadores do MMS – Movimento Mais Silves. Não quero que me acusem de ser como a “outra senhora”, que desempenhava à vez, e consoante melhor lhe convinha, o papel de candidata e de Delegada de Saúde. Não será novidade para muitos, mas faço questão de deixar claro para todos.

Pressupondo-se que um artigo de opinião deve reflectir a opinião de quem o escreve, coisa que não é tão redundante assim (nos tempos que correm há quem escreva artigos de opinião que reflectem a opinião de quem paga), parece-me meu dever explicar porque considero este Movimento um importante passo na mudança que tarda em chegar ao nosso concelho. Começando justamente por dizer que a minha envolvência neste projecto se deve à falta de alternativas, ou, sendo mais directo, às fracas alternativas que se vislumbram para Silves.

Estamos a 6 meses das autárquicas. Estamos a 6 meses de ter que escolher entre os “gémeos” que PSD e PS apresentarão a eleições. E digo gémeos porque, tal como os bebés, tiveram a mesma “mãe política” e “alimentaram-se da mesma tetina”, embora um seja destro e outro alegue ser “canhoto”. Aos meus olhos, estes dois, representam claramente aquilo que não convêm a Silves. Um será a “garantia” da protecção de interesses instalados, o outro a “garantia” da transferência desses interesses sem nenhuma vantagem evidente para a comunidade. Os dois serão claramente candidatos por razões que nada têm a ver com Silves, mas antes com a sua ambição política e, quiçá, com o sonho de administrar uma empresa pública… ou “privada em regime de monopólio”.

Algo vai mal na lógica partidária quando a convicção na vitória de um candidato parte de pressupostos como a “visibilidade e protagonismo” que uma catástrofe natural lhe trouxe; ou como a penalização eleitoral esperada para o candidato adversário, que representa o partido do Governo. Algo vai mal na lógica partidária quando um candidato é escolhido por uma só pessoa e o outro se escolhe a si próprio. Algo vai mal na lógica partidária quando, ao abrigo do código protocolar interno, os seus militantes apoiam com o mesmo entusiasmo e convicção um “Sá Carneiro” ou o “Pato Donald”, sem questionar, sem raciocinar.

José Miguel Júdice fez as contas e disse há tempos que “o número de militantes que elege os representantes sujeitos a sufrágio é praticamente igual ao número de eleitos em eleições autárquicas pelos partidos”, coisa que diz muito sobre o sistema político que temos. Fazer parte de um partido garante um cargo político, por mais modesto que seja, mas nem assim as pessoas parecem estar dispostas a filiar-se e a debater política. Pelo contrário, o alheamento é cada vez maior, a confiança nos partidos é cada vez menor e eu, enquanto cidadão, não fujo à regra. Não é aceitável colocar o ónus desta situação nas pessoas, se a política não as consegue atrair a falha tem que ser dos políticos.

Pessoalmente não acredito que a ideologia política vencedora numa autarquia tenha relação com o modelo de desenvolvimento que será seguido. O modelo a seguir é definido pelo projecto que se candidata a eleições. Não compete a uma autarquia legislar, supervisionar ou fazer cumprir orientações e leis. Compete-lhe sim gerir o território e os recursos da forma mais eficiente e a prova disso é que duas autarquias geridas há 16 anos pelos mesmos partidos, como são Silves e as Caldas da Rainha, estão nos antípodas da eficiência autárquica.

Faltará falar do papel da CDU e do BE no processo eleitoral que se aproxima. A primeira tem um histórico de responsabilidade e gestão acertada neste concelho, mas continua a faltar-lhe, na minha opinião, o pragmatismo necessário para poder ser encarada como uma forte alternativa. O segundo não tem capital humano nem força para poder ser sequer essa alternativa. A entrada do MMS neste cenário terá o mérito de transformar a tradicional luta a 2 numa mais acesa luta a 4, onde se incluirá a CDU, com evidentes vantagens para todos os silvenses. Só por isso o MMS já merece o meu apoio. 

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Levo tantos anos a escrever neste jornal e é precisamente num curto período de ausência que tudo acontece neste concelho! Não é justo. Se tivesse a mania das grandezas era “gajo” para dizer que estiveram a ver se me distraia para “fazê-las”.

E passo a enumerar: 1. O PS escolhe Fernando Serpa como candidato à Câmara Municipal de Silves. 2. Isabel Soares cede o seu lugar na presidência a Rogério Pinto. 3. Isabel Soares assume um cargo na Administração das Águas do Algarve. 4. Após indecisão política local, Silves vê extintas 2 das suas 8 freguesias. Uma canseira… só faltou venderem o Castelo ao Grupo Pestana!

Sobre o ponto primeiro, pouco a dizer. Era esperado, é despropositado, estava cozinhado e tem tudo para dar… errado. O PS não soube ver que era altura de trazer sangue novo, projectos novos, energia… vai dai, apresenta como “alternativa” quem durante 16 anos colaborou com todas as políticas e erros que afundaram o concelho, na esperança que 2 anos a “assobiar para o lado” e a dizer “não tive nada a ver com isto” sejam suficientes para apagar da memória dos silvenses toda a procrastinação passada. Ainda assim os socialistas do concelho têm razões para estar empolgados. O candidato não ajuda, mas o fim de ciclo no PSD local e o, mais que certo, “puxão de orelhas” ao Governo nas próximas autárquicas permitem sonhar.

Sobre o ponto dois… uma desilusão. Senti-me defraudado. Eu sempre esperei uma cerimónia de sucessão digna das melhores “cortes europeias”, com uma semana de festa, a cidade engalanada, acontecimentos culturais, discursos, inaugurações, fogo-de-artifício e um final apoteótico, com Isabel Soares a chorar em cima do palco e o povo em pranto cá em baixo a despedir-se. O que tivemos foi uma diminuta nota na imprensa a dizer que já não tínhamos presidente e um grande Tornado, que devastou a cidade de Silves, a dizer “habemus” presidente… não fosse isso e, estou convencido, muitos silvenses ainda hoje se julgariam “órfãos de cacique”.

E chegamos ao ponto três. As Águas do Algarve, essa Meca do “tacho e do job”, necessitava de “experiência” nos seus quadros administrativos e escolheu Isabel Soares para o cargo. Alguns, seguramente pouco informados, alegam que a nomeação foi consequência da “amizade íntima” entre a ex-presidente e o “Sr” Miguel Relvas, com o objectivo de… premiar a lealdade (diz que o preço da lealdade está a 4.500 euros por mês e um BMW…) e ao mesmo tempo abrir caminho a Rogério Pinto, para assim ganhar vantagem na corrida autárquica de 2013. Eu, como não sou “anjinho”, vou mais pela da “experiência” (não tarda ainda dizem que foi Relvas quem “encomendou” o Tornado), e quem me dera ter a experiência para levar avante um dos meus projectos: a “Ar de Portugal”, uma empresa que venderia ar aos portugueses. A coisa era simples: mediam-se as caixas torácicas de cada cidadão, calculavam-se os m3 que consumia (se praticasse desporto levava com um agravamento do preço e se fumasse levava com uma taxa de poluição) e mandava-se a factura todos os meses. Se não pagasse… cortava-se o ar! Como é óbvio o Estado pagaria toda a logística e depois entregava-me a dura tarefa de cobrar os dividendos. Fica a ideia, até porque daqui a 12 anos há-de ser necessário “alojar” mais uma “carrada” de presidentes de câmara e eu estou disponível para os receber se me derem a concessão.

E finalmente o ponto quarto. Quem mora na Aldeia Ruiva, “bairro” que fica numa das extremidades da vila de Messines, e se quer deslocar à Junta de Freguesia local terá que percorrer uma distância superior àquela que separa a Junta de Freguesia de Pêra da de Alcantarilha… talvez por isso o Governo tenha optado por agregá-las numa só, tal como Algoz e Tunes. Como é evidente todos somos a favor de poupar na despesa do Estado… desde que não nos toque essa poupança. É claro que a Junta faz falta, mas a verdade é que faz mais falta a uns do que a outros e é preciso tomar opções. Com medo de se queimarem as forças políticas do concelho votaram em bloco sob o lema: “Manter tudo na mesma”… e esperar resultados diferentes! A coragem, a visão e a estratégia no seu expoente máximo… e aplicada por igual por PS, PSD e CDU.

Quando foi criado o actual mapa autárquico, e já tem mais de 100 anos, as pessoas deslocavam-se de burro, comunicavam por carta (as poucas que sabiam escrever) e necessitavam como do pão para a boca da proximidade de uma entidade como a Junta de Freguesia. Hoje a maioria das Juntas pouco mais faz do que gerir o cemitério e alimentar os egos políticos de malta na pré-reforma. Com a facilidade de transporte, com as ferramentas de comunicação existentes, com cada vez mais serviços disponíveis através da Internet ou do telefone há muitas Juntas que se assemelham demasiado com um “brinquedo” muito caro que funciona com “pilhas” também elas muito caras. E digo caro não só pelo que custam directamente, mas sobretudo pelos custos indirectos com as questões de, digamos, “igualdade saloia”… um campo de futebol para cada freguesia, um lar de terceira idade para cada freguesia, uma cresce para cada freguesia, uma carrinha nova para cada freguesia… mesmo que não hajam jogadores, velhos, crianças ou passageiros em quantidade suficiente. Igualdade é igualdade e se “Monte Abaixo” tem, “Monte Acima” também tem que ter.

PS. Quero prestar a minha homenagem ao grande messinense e colaborador deste jornal Silvério Martins, que nos deixou recentemente. Deixa saudades pela amizade com que sempre me tratou, pelo muito que me ensinou e pelo exemplo que foi. Um grande abraço ao Francisco, o seu filho.

In: Terra Ruiva - Janeiro de 2013

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Anjinhos

21.09.12

Uma coisa que me surpreende é que, apesar de tudo o que vivemos nas últimas três décadas, continuamos a ser “anjinhos”! Leio na primeira página do “Terra Ruiva” que “Praia Grande chega a Cavaco Silva” e, apesar de compreender perfeitamente a posição de um jornalista perante esta situação, não posso deixar de pensar que, entre os leitores, uma grande quantidade de “almas” irão dormir mais descansadas na esperança de que o Sr. Presidente da República tome o partido da inviabilização daquele atentado.

Não é que queira retirar a essas “almas” a esperança, mas só a falta de informação e a ingenuidade justificam que alguém neste concelho acredite numa solução vinda de Cavaco Silva. O projecto que ali nascerá (a não ser que uma nova revolução aconteça) é uma verdade mais absoluta do que a matemática. A empresa por trás do projecto emana do BPN e conta com a liquidez que os 4.8 mil milhões de euros dos contribuintes lá injectaram. O BPN, esse mesmo banco que deu a Cavaco o conhecido “jackpot” e muito provavelmente outros ainda maiores que não conhecemos. O mesmo BPN que teve nos seus quadros praticamente toda a geração de políticos que rodearam Cavaco nos seus dourados anos do betão e dos CCB’s. Provavelmente Cavaco até terá comissão no projecto.

Já sabemos que Isabel Soares, Rogério Pinto e Fernando Serpa vêem inegáveis qualidades no projecto e tudo farão para que vá em frente. Não pelo emprego, não pelo concelho… mas sim porque estão em jogo 30.000.000 de euros de taxas e licenças que a autarquia arrecadará. Com esse dinheiro (o equivalente a mais de 1 ano de receitas do concelho) este tipo de políticos, que nos trouxe a este estado de coisas, manterá o poder, o séquito, o concelho a viver acima das suas possibilidades sem nada produzir, sem ter que mexer uma palha ou ter uma ideia… e no final sairão com o bolso cheio directamente para a administração da Algar, da Docapesca, das Águas do Algarve ou doutro qualquer sorvedouro pago pelos contribuintes.

Para eles tanto lhes dá se o destruímos o património natural, se liquidamos as aspirações das gerações futuras, se concordamos ou não. O importante são as suas carreiras, os seus partidos e as suas ligações com os poderosos… A nossa história recente tem sido a repetição desta cassete.

Seria interessante perceber a posição do PCP e do BE (desde já me disponibilizo para aqui divulgar essas posições, caso queiram enviá-las para paulo.silva5@sapo.pt ) e ver se, enquanto eleitores temos quem nos defenda. 

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Deixo-vos aqui o Editorial da Paula Bravo na última edição do Terra Ruiva. Muito bom, parabéns à directora!


Há pouquíssimos meses, a Câmara Municipal de Silves candidatou a Praia Grande, na freguesia de Pêra, ao concurso das Praias Maravilhas da Natureza, que tem estado a decorrer a nível nacional. Uma candidatura merecida e justificada de uma belíssima praia, de dunas impolutas, um longo areal e um mar seguro, tudo isto encostado à Lagoa dos Salgados, hoje reconhecida internacionalmente pelos amantes das aves e um local que atrai todos os anos mais turistas.
Um dos pressupostos da candidatura era a sua beleza selvagem. Muito bem dito! Mas três meses depois, a mesma autarquia apresentou o seu projeto para esse local: três hotéis, aldeamentos, zona comercial, campo de golfe, tudo somado - mais de 4000 mil camas! Tudo isto por cima da tal beleza selvagem condenada ao desaparecimento assim que começarem as obras. Em muitos de nós, restarão as memórias. Assim como me lembro da praia da Galé quando não havia estrada alcatroada e o caminho era uma vereda onde dois carros dificilmente se cruzavam; assim como me lembro dos Salgados sem qualquer construção e um imenso areal onde era possível toda a privacidade, também me lembrarei do último reduto natural, entre Armação de Pêra e Albufeira.
Mas para lá desta nostalgia, sinto bem maior uma perplexidade / indignação. Numa altura em que o turismo no Algarve funciona a meio gás, sobrevivendo a praticar pacotes de férias cada vez menos lucrativos, como é possível estar a apostar-se no mesmo tipo de oferta que abunda em toda a região? Temos uma das últimas belezas naturais da costa algarvia e vamos atulhá-la com aldeamentos e zonas comerciais? Destrui-la com campos de golfe e hotéis em tudo iguais às centenas que já existem?
É este o caminho que queremos?
Mesmo ao lado, o empreendimento dos Salgados, inaugurado há tão pouco tempo com pompa e circunstância, está falido, fechado e com ordenados por pagar. E junto a Alcantarilha, o famoso empreendimento das Amendoeiras, que também iria ser decisivo para o desenvolvimento do concelho, trazendo turistas e empregos, está há muito adiado e parado.
E então, enquanto ao nosso lado todo este modelo de desenvolvimento entra em colapso, nós avançamos de braços abertos na direção do desastre?
Todos os dias ouvimos o nosso primeiro ministro e os outros governantes, com um ar muito sério de quem não ganha ordenados de 500 euros, a dizerem que é necessário tomar medidas difíceis. Que se tomem medidas difíceis e se diga que não a este empreendimento, que se diga que não aos 35 milhões de euros que se anunciam que a Câmara de Silves irá receber de impostos.
Tome-se a decisão de defender o futuro, decida-se defender um património único que, não edificado, se manterá um motivo de atração muito maior do que um aglomerado de construções.
Imagino que ao chegar aqui, os caros leitores, se estarão a perguntar. Mas em que mundo é que vives, paula bravo? E uns irão dizer-me, não te preocupes que aquilo é só fogo de vista, nada irá avançar, que não há dinheiro. Outro dirão, por causa de uma dúzia de aves e de umas dunas espetaculares queres que Silves perca mais esta oportunidade?! Os de mais perto, podem até acrescentar, só porque estás habituada a ir para uma praia onde podes estender a toalha sem atingir o vizinho, e onde não precisas de estar em filas nem para toldos, nem para estacionar, queres manter esses privilégios para sempre?! (Sim, sim, sim!!! Diria eu ).
Seja como for, o que me parece, caro leitor, é que estamos tramados. Se em julho de 2012 quem governa no nosso concelho e na região tem a mesma ideia de desenvolvimento que se tinha nos anos 80 - à exceção da altura das construções que já não atingem tantos andares - estamos tramados. Encalhados. Adiados. Em marcha atrás em relação ao futuro.
E lamento. Lamento a falta de visão, a ausência de imaginação, o arrojo em defender a diferença. Nesta, como noutras questões essenciais, estamos todos no mesmo barco e este há muito que mete água.

 

Autora: Paula Bravo - in Terra Ruiva, Junho de 2012

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Aprovado aumento de taxas municipais


Quem tem esplanadas vai pagar mais 11%
 
Enquanto continua a decorrer a discussão em torno do orçamento camarário para 2012, a autarquia reuniu no dia 18 de janeiro e votou favoravelmente as novas taxas e licenças municipais, que se caraterizam por um aumento em todas as rubricas.
A aprovação das taxas contou com os votos favoráveis do PSD, a abstenção do PS e o voto contra da CDU.
A vereadora Rosa Palma fez chegar à nossa redação, a sua declaração de voto, onde se afirma que a CDU "enquanto força política responsável, não pode viabilizar aumentos percentuais de taxas e licenças, quando alguns são disparatados e outros exagerados para o momento crítico que a economia atravessa".
No seu documento, são referidos alguns exemplos de aumentos tais como: as certidões narrativas até 4 páginas, que têm um aumento de 62%; a vistoria a recintos itinerantes, com um aumento de 53%; a emissão de cartão de vendedor ambulante, artesão, com um aumento de 84%, ou a captura de animais, com um aumento de 82%.
Já a ocupação da via pública/ alpendres fixos ou articulados, pavilhões, quiosques, esplanadas, mesas, cadeiras, guarda-sóis, tabuleiros ambulantes têm um aumento de 10,7%, enquanto a publicidade tem um aumento médio de 11%, segundo as contas da CDU.
Para esta força política não faz sentido aumentos de tal ordem quando a "taxa de inflação prevista para 2012 é na ordem dos 3 por cento", e tendo em conta " a grave crise económica, financeira e social que assola o país".
O "Poder Local Democrático não tem que ser seguidista relativamente ao governo central - acrescentando austeridade a mais austeridade - porque na condição de poder mais próximo das populações, obriga-se a maior sensibilidade e moderação perante os problemas sociais e económicos da comunidade onde se insere", considera ainda.
Por fim, a CDU defende "que o novo Regulamento de Taxas e Licenças dê cobertura legal à celebração de protocolos de cooperação com escolas, associações e instituições que consagre um regime de taxas e licenças mais favorável para esses utentes".

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O livro mais vendido na Grécia por estes dias ensina a fazer sopa de feijão sem feijão, a aproveitar os restos de comida para “saborosas” refeições, a criar porcos e galinhas ou até a determinar que alimentos podem ser consumidos fora do prazo de validade sem risco para a saúde. É um reflexo dos tempos e é o consumar daquilo que o meu pai sempre me disse: “Cuidado, que a fartura há-de acabar.” Na verdade quem sabe o que custa ganhar a vida nunca engoliu muito bem a loucura de crédito e consumismo da última década. Para meu mal e de muitos… estavam certos.

Aquilo que os “Medina-carreiristas” profetizavam está ai, em toda a força. Infelizmente parece que este odioso ano de 2011 é apenas um “aperitivo” para o que ai vem e nem todos aceitaram ainda que as coisas mudaram. Darwin dizia: “a espécie que sobrevive não é a mais forte nem a mais inteligente, mas sim a que se adapta melhor”. Apesar da considerável capacidade de adaptação do ser humano (e da capacidade de sofrimento invulgar) é natural que, quando se transporta essa necessidade de adaptação para as estruturas político-sociais, apareçam sempre os “inadaptados” do costume.

Em plena crise financeira Fernando José da Costa, o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha eleito pelo PSD, anunciou que iria baixar (leu bem) o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a derrama e o IRS (dentro da percentagem que cabe às autarquias) como forma de ajudar os munícipes a fazer face às exigências do plano de austeridade. Nas Caldas da Rainha não existe taxa de lixo, o metro cúbico de água custa metade da média nacional e apenas 20% do endividamento permitido por lei está utilizado. Ao mesmo tempo que Fernando José da Costa propunha tais medidas nas Caldas, em Silves, Isabel Soares levava a votação a passagem da Taxa de IMI para o máximo permitido pela lei (entretanto a coisa abortou por votação contra da oposição) e impunha cortes brutais nos subsídios e apoios para associações e instituições do concelho.

Por comparação com Silves as Caldas da Rainha têm 70% mais habitantes (cerca de 55.000), 3 vezes mais freguesias (16 freguesias) e metade dos funcionários(!!!)… É verdade! Ao que parece o pessoal daquela zona não é apenas bom no artesanato “maroto”… são também muito eficientes na gestão da “coisa pública”. Se olharmos para o quadro de pessoal da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, e o compararmos com Silves, iremos descobrir que em trabalhadores especializados, apoio social, auxiliares de educação, administrativos e outros funcionários, que realmente são úteis, as coisas estão equilibradas. A coisa começa a descambar quando falamos de técnicos superiores e chefes de gabinete. Silves tem 6 vezes mais chefes de gabinete do que as Caldas da Rainha e duas vezes mais técnicos superiores.

O que fazem todos estes chefes de gabinete e técnicos superiores?! Bem, muitos deles também não sabem… e poucos trabalham arduamente sem que lhes seja reconhecido o mérito e esforço. Na sua maioria são militantes, apoiantes, “jôtas” ou familiares da “nobreza” local que encontra guarida na bondosa gestão que temos por cá. Há muito que todos sabemos disto. Há muito que se fala disto no concelho e no país. No entanto os responsáveis políticos continuam a agir como se isto não fosse um problema. A senhora presidente, tal como um conhecido vereador da oposição (que até já se “proclama” futuro presidente) estão em sintonia neste campo: “Longe de nós sacrificar estas pessoas e as suas famílias!”. Os outros… nós… os contribuintes incautos… somos esventrados com impostos, perdemos o emprego, mandamos papel higiénico na mochila quando os putos vão para a escola, rebentamos com o carro nos buracos das estradas municipais e vemos associações fundamentais ao tecido social do concelho, como os Bombeiros, agonizar… mas isso não importa nada.

Afinal quem é que precisa de bombeiros, de creches, de desporto para as crianças ou de estradas circuláveis?! Isso são luxos… o que nos faz mesmo falta são linces ibéricos, circuitos pedestres, museus abandonados, teatros fechados e os respectivos “técnicos superiores” que coordenam toda esta parafernália sem a qual seríamos apenas um concelho subdesenvolvido… como as Caldas da Rainha.

Desejo um bom natal a todos os silvenses e rezo, embora sem grande esperança, para que o ano 2012 não nos coloque na posição de ter que traduzir o livro “best-seller” da Grécia.

 

In. Jornal Terra Ruiva - Dezembro de 2011

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É recorrente. Cada vez que vou à “santa terrinha” encontro o meu amigo Tóine. E cada vez que encontro o Tóine venho com o pouco cabelo que ainda tenho em pé! “Raça” do homem que me consegue deixar de rastos.

Desta vez a conversa foi sobre “diz que disse”… coisa que pouco me agrada quando não se diz quem disse, mas vá lá. Ainda mal a imperial tinha pousado na nossa mesa, ainda os tremoços não tinham saltado do balde, e já o Tóino começava por me contar aquela velha história das faculdades de economia que demonstra a importância da circulação do “pilim”: Um fulano chega a um hotel e pede para ver o melhor quarto. Deixa uma nota de 100 Euros em cima do balcão e o dono pede ao grumo para lhe mostrar as suites. Enquanto os dois sobem aos quartos, o dono do hotel agarra na nota e corre para o talho em frente onde entrega os 100 euros ao talhante para saldar uma dívida. Mal o dono do hotel sai, o talhante agarra na nota e vai à porta do lado onde paga ao padeiro 100 euros que lhe devia. O padeiro, satisfeito, agarra na nota e corre até ao mecânico onde paga 100 euros que tinha ficado a dever. Com essa nota o mecânico corre até à casa da prostituta e paga-lhe 100 euros de “serviços” em atraso. Por sua vez a prostituta dirige-se ao hotel e entrega ao dono do estabelecimento 100 euros de comissões devidas. Assim que a “meretriz” sai do hotel o grumo com o cliente chegam à recepção. Como nenhum quarto tinha servido o cliente pede de volta os 100 euros e decide procurar outro hotel. Ilustrativa esta história, mas, porque me conta isto o Tóino?!

Ao que parece circulam por Silves relatos de um comentário público, feito por um dos responsáveis da nossa Câmara Municipal, quando soube que determinada empresa do concelho tinha decretado falência. O comentário foi: “Boa! Devíamos dinheiro a esses tipos, pelo menos assim poupa-se algum!” O moral da história, segundo o Tóino, é que se a Câmara pagasse o que deve evitava-se seguramente que muitas empresas andassem pela “hora da morte”. Puro senso comum, mas temos que reconhecer… muito bem “ilustrado”. Convém também lembrar que se todas as empresas de Silves fecharem a Câmara não terá que saldar as contas, mas palpita-me que terá outros problemas bem mais graves.

Já com os tremoços na mesa seguimos a “odisseia” com um não menos rocambolesco relato. Numa das recentes reuniões de câmara a senhora presidente terá, “alegadamente”, aberto os trabalhos distribuindo pelos vereadores presentes um email, anónimo e de credibilidade duvidosa, cujo conteúdo “enxovalhava” de forma cobarde e gratuita o actual presidente da Casa do Povo de Messines, José Carlos Araújo (ou Piasca, para os messinenses). Tal assunto não fazia obviamente parte da ordem de trabalhos e todos ficaram perplexos com o acto. O Tóino é que não está para rodeios e atira sem pestanejar: “Foi só aparecer o rumor de que o homem (Piasca) estudava a hipótese de se candidatar à Câmara e começou a campanha para o descredibilizar. Pior ainda é isto vir do maior telhado de vidro do concelho, que é o da senhora presidente, e ter como base um email anónimo que qualquer político sério mandaria para a caixa dos ignorados. Digo-te (disse-me ele), o cobarde que escreveu aquilo aponta o dedo ao homem porque fez investimentos que correram mal mas eu prefiro um tipo que arrisca com o dinheiro dele, e arca com as consequências quando corre mal, do que esses abutres que se riem em impunemente depois de jogarem o dinheiro dos contribuintes à rua.”

Apenas uma segunda rodada de cerveja acalmou o Tóino que já apregoava “prisão para esses gatunos”. Toda a esplanada a olhar para nós e algumas cabeças a acenar, concordando com o apelo. Mudei a conversa para as nossas recordações de juventude não fosse a coisa descambar e brotasse ali, naquela insuspeita esplanada, a “primavera silvense”. Por agora consegui manter o Tóino controlado, mas sai de lá a “cambalear”… e só bebi duas cervejas.

 

In. Jornal Terra Ruiva - Novembro de 2011

 

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Anima-te pá!

19.11.11

Não desanimes pá! Hão-de olhar por nós! Todos estão tão preocupados como tu. O Passos Coelho, o Paulo Portas, o Dias da Cunha, o António Mexia, o Ricardo Salgado, o Mira Amaral e até o Armando Vara não pregam olho há meses a pensar na forma de nos tirar disto. A culpa foi nossa pá. Irritamos os políticos. Quando achávamos que não precisávamos deles nem os ouvimos a prometer que nunca se esqueceriam de nós, que tudo o que faziam era por nós. Agora estão lixados connosco e por birra estão a lixar-nos para salvar os mercados.

O que são os mercados?! Não sabes?! Então! São os gajos que nos hão-de tirar do buraco. São uns senhores que perderam milhões e que nós agora temos que salvar devolvendo-lhe cada cêntimo. Ainda não entendes?! Eu explico melhor. Aquela malta dos mercados era malta corajosa. Arriscaram a valer enquanto nós andávamos para aqui, nas nossas vidinhas, a fugir do risco e a tentar manter o nosso emprego. Como arriscam muito pagam poucos impostos, faz sentido. Ora os tipos dos mercados foram atraiçoados. Alguém fez mal as contas. Quando deram por ela estavam arruinados. Estavam desgraçados, jogados na sarjeta. Alguns deles ainda andam com Mercedes de 2009, só para tu veres a pancada que levaram. Agora toca-nos a nós devolver-lhe o dinheiro que perderam para que voltem a arriscar noutros negócios e consequentemente a economia volte a animar. E olha que não vai faltar onde arriscar. A EDP, a TAP, as Águas de Portugal são bons exemplos disso. Vais ver que os mercados irão arranjar maneira de nos livrar dessa heresia que são empresas com capitais públicos que dão lucro. Mas não penses que eles querem controlar o país. Nada disso. Aquilo é boa gente, vão deixar-nos a CP, a CARRIS, a Estradas de Portugal, a Transtejo e a Madeira porque estão conscientes que não havendo risco haveremos de ser capazes de pagá-las.

Não desanimes pá, há solução para tudo. Bebes menos um café por dia e consegues fazer face à subida do IVA na factura da electricidade. Deixas de ir jantar fora e já podes circular nas SCUTS. Em vez de tomares uns copos à sexta e ao sábado bebes apenas no segundo sábado de cada mês, assim já consegues recuperar a metade do subsídio de natal que te vão levar. Come mais arroz ou feijão e corta nas carnes, vais ver que no fim do ano arranjas dinheiro para o IMI da casa. Tira o puto da universidade que aquilo só forma desempregados e mete-o a fazer biscates, pode ser que assim compenses o final do fundo de desemprego da tua mulher. Livra-te do cão e do gato e com o que poupas em ração consegues pagar a revisão do carro e meter mais 10 litros de gasolina por mês. Anima-te pá! Somos portugueses, não somos?!

A culpa foi nossa pá. Quem nos mandou querer ter casa, carro e televisão por cabo? Isso são coisas para alemães. Não gostas de alemães?! Eles só nos desmantelaram o aparelho produtivo, não é razão para ficares assim! Se eles produzem batatas porque haveremos nós de também produzir batatas?! Sabes o trabalho que dá produzir batatas?! Os alemães fizeram-nos um favor. Eles e os franceses. Que sentido faz estarmos a produzir aquilo que os outros têm para nos vender?! Acorda pá! O mundo mudou!

Deixa-te de ideias revolucionárias. Não são tempos para isso. O mundo é conservador, porque hás-de ser tu revolucionário?! Essa treta do trabalho para a vida acabou e a distribuição da riqueza também. Se salvarmos os mercados eles vão ter dinheiro para nos emprestar, percebes!? Sabes o que isso quer dizer?! Vamos voltar a ter cartão de crédito, a comprar o que quisermos e a importar vinho do Chile. Se o Chile produz vinho porquê andar a maçar as pessoas com as vindimas? Quando a troika se for embora volta tudo ao normal. A Mota-Engil e a Soares da Costa hão-de construir uma bela estrada, com 3 faixas de cada lado, que te há-de levar de São Teotónio até Barrancos em metade do tempo. A Martifer há-de ser responsável por erigir a cidade olímpica em Lisboa quando recebermos os Jogos Olímpicos. A Teixeira Duarte há-de fazer um aeroporto lindíssimo num sítio onde os terrenos haverão de valorizar 1000%. Os escritórios de advogados da Avenida da Liberdade haverão de mediar a compra de mais submarinos, tanques e, com sorte, um porta-aviões. Vais ver que até teremos um filósofo vindo de Paris como novo Presidente da República, para nos incentivar a esquecer estes anos maus. Anima-te pá! O futuro é risonho!

 

In: Jornal Terra Ruiva - Outubro de 2011

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O meu amigo Tóine anda chateado. Mais que chateado, ele anda mesmo é indignado. Encontrei-o há dias e metemos a “escrita em dia”. No final, meus amigos, até eu fiquei indignado.

Diz o Tóino que foi com os putos à Feira Medieval. Subiu pelo souk acima até chegar à estátua do Dom Afonso onde parou para explicar aos petizes que aquele senhor (foi assim que ele se referiu ao Rei) tinha mandado os mouros para Marrocos e conquistado a cidade. Feita a resenha histórica o Tóino seguiu para o castelo, sedento de mostrar à petizada como devia ter sido tramado tirar aquela malta dali. Chegado aos portões do castelo foi informado que naquele momento decorria por lá um jantar com “o Chacal”. Pela módica quantia de 50 euros por pessoa o Tóino, a patroa e os dois petizes também podiam comer com o Chacal. Começa aqui a indignação: - “Mas o que “raio” dão de comer ao Chacal? Já sabia que os linces do Centro Cinegético comiam carne de primeira, mas por 50 euros o Chacal deve comer camarão tigre com lascas de trufa negra!”

Expliquei ao Tóino que o Chacal desta história não era o canídeo selvagem que vagueia pelas planícies africanas, mas sim um cozinheiro de Lisboa que faz as delícias das nossas elites, da “creme de la creme”. Mais descansado, mas não convencido, o Tóino recordou-me os tempos do presidente José Viola… tempos em que o Castelo estava aberto à “populaça” e em vez de Chacal tínhamos bifanas ou frango assado, em vez de provas de vinho por convite tínhamos cerveja geladinha e em vez da ópera tínhamos os Irís com o “Atira-te ao mar e diz que te empurrarem”. Agora o castelo de Silves é mesmo um castelo medieval, onde o povo não é bem vindo… a não ser que pague, claro.

No campo cultural, deixem que voz diga, o Tóino não poupa críticas a quem nos governa. Contou-me ele que houve quem lesse no jornal uma notícia onde se dava conta da atribuição de um chorudo subsídio a uma “rapaziada” que toca jazz por esse Algarve fora. Parece que a Câmara de Lagos “fechou” a torneira aos artistas e a nossa benemérita Câmara de Silves os acolheu por cá. -“Jazz?!!! Mas quem ouve jazz não é malta que tem dinheiro para pagar as entradas nos concertos?! Então deixam um dos melhores grupos de teatro do Algarve, que por sinal até é de Silves, ir parar a Tavira porque não há verba e depois vão gastar ainda mais para nos dar jazz?!! Deviam ter dado o dinheiro à Ana Malhoa e exigir que fosse animar as festas de natal das escolas, pelo menos assim os paizinhos não arranjavam desculpa para faltar à festa dos miúdos.” – fui obrigado a concordar com o Tóino, a ideia não lembra a todos e jazz nas festas da petizada também não!

Mas a indignação do Tóino não fica por aqui. Contou-me que todos os dias, depois do jantar, lá sai ele de casa para o seu passeio de 30 minutos com o Tibúrcio, o seu rafeiro de estimação. Só que os 30 minutos agora são 45 minutos! Mais 50% de tempo gasto para fazer o mesmo percurso! E não, o Tibúrcio não anda mais devagar nem está a ficar velho. Conta o Tóino que desde que “infestaram” a vila de placas e sinais com os Percursos Pedestres o Tibúrcio não dispensa uma “mijinha” em cada poste. Ora como o Tóino não conseguiu encontrar ainda um percurso sem sinais… há mais de um ano que perde a primeira parte da novela da noite. “Para que raio serve aquilo? Quem teve aquela ideia estapafúrdia? E quanto é custou esta brincadeira a um concelho falido?” – pergunta o meu indignado amigo.

Para rematar em beleza faltava ainda o maior problema de todos. Diz o Tóino que ouviu por ai que a senhora presidente de Câmara se preparava para propor a extinção da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra, através de uma mais que provável fusão na freguesia de Messines. Ora o desgraçado do Tóino tem a sogra a morar em São Marcos e graças aos serviços prestados pela junta local a senhora não tem que se deslocar a Messines para nada (a não ser na noite de consoada, altura em que a sua patroa o obriga a ir buscar a mãezinha). Acabando com o apoio da junta o meu amigo teme que a “velha” passe a ser visita constante lá de casa com a desculpa de tratar da reforma, do IRS, do imposto autárquico, etc… e isso, meus caros leitores, o Tóino não vai aguentar. Digo-vos eu, que o conheço bem.

Na despedida ainda me disse que andava a mandar cupões para a próxima edição do Perdidos na Tribo, a ver se passava umas semanas num local bem gerido e civilizado. Achei boa ideia e até lhe dei o contacto daquele ex-vereador de Armação de Pêra que tem um “doutoramento” em concursos de televisão (além de muitas outras inegáveis qualidades que nos deixam a suspirar por um regresso ao activo). Espero bem que o Tóino vá espairecer para África senão isto é capaz de ficar feio…

 

In: Jornal Terra Ruiva - Setembro de 2011

 

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