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E já é oficial: Rogério Pinto é o novo Presidente da Câmara Municipal de Silves. O ilustre armacenense sucede assim a Isabel Soares que vai para um “período de férias” nas Águas do Algarve, onde “vogalizará”… coisa que desde já me deixa curioso, sabendo eu os dotes retóricos da ex-presidente.

A nomeação de Isabel Soares foi aprovada por unanimidade de todos os presidentes de Câmara do Algarve. Como é evidente… todos eles aspiram a um lugar semelhante no futuro e a falta de vergonha é tão grande que outra posição seria uma estrondosa surpresa.

Para trás fica um concelho falido, processos judiciais em curso, suspeitas gravíssimas de dolo, a ausência de qualquer estratégia de desenvolvimento, dívidas assombrosas a freguesias, bancos e fornecedores, uma gestão autocrática que secou tudo à sua volta e centenas de boys e girls inúteis nos quadros de pessoal da autarquia. Toda esta experiência e sapiência estará agora ao serviço das Águas do Algarve, empresa que vende… água, um bem público. Estejamos pois preparados.

É curioso que a “experiência” autárquica seja evocada como um dos factores que levou à escolha de Isabel Soares para o cargo. Tenho sempre alguma dificuldade em engolir esta da experiência como argumento para se contratar alguém. Tenho aliás uma experiência que testemunha bem o que vale a experiência:

Nos finais de 2009 fui convidado para dar uma palestra para cerca de 200 empresários do ramo imobiliário em Telavive. No dia da palestra tinha à minha espera dois tradutores experientes, um brasileiro de 60 anos que já vivia há mais de 40 em Isarel e um israelita de 50 e muitos anos que era professor de português numa universidade local. De imediato se apresentaram dizendo que faziam traduções há muito tempo, já tinham traduzido para Lula da Silva, Mário Soares, Cavaco Silva, José Eduardo dos Santos e muitos outros. Fiquei tranquilo. Quando a palestra começou percebi de imediato que as coisas não estavam a correr bem. Bastava olhar para as caras das pessoas para entender que aquilo que os dois senhores lhes estavam a “sussurrar” aos ouvidos não fazia sentido. Passados 20 minutos o responsável pelo evento interrompeu os trabalhos e perguntou-me se podia continuar em inglês. Disse-lhe que sim e de imediato ele dispensou os dois “craques”. Um novo tradutor, da casa, traduziu para as duas dezenas que não falavam inglês e a coisa correu muito bem.

Correu tão bem que, dois meses depois, tive um novo convite para uma nova palestra, desta vez na Turquia. Cheguei um dia antes ao local do evento, a linda cidade de Sapanca, a meio caminho entre Istambul e Ancara, tinha à minha espera um turco que humildemente reconheceu não ter experiência em traduções. Era casado com uma brasileira, falava bem português, mas a única experiência que tinha foi a de ser tradutor do futebolista Roberto Carlos na sua passagem pelo Besiktas (sei agora que é também tradutor de muitos portugueses que estão no Besiktas). Durante mais de 10 horas estivemos juntos a trabalhar, a preparar-nos, a acertar significados, a conhecermo-nos. No dia seguinte a palestra correu muito bem. Apesar de no início o tradutor estar um pouco nervoso por estar a falar para tanta gente, rapidamente lhe passou e no final todos lhe elogiaram o trabalho.

Esta é uma história que reforça a minha teoria. De nada serve ter experiência num mundo que muda a uma velocidade vertiginosa. É preferível ter a competência e a noção de que temos que nos preparar muito bem, nunca confiando naquilo que já conhecemos. Darwin dizia: “a espécie que sobrevive não é a mais forte nem a mais inteligente… é aquela que melhor se adapta.” Eu acredito nisso e não tenho dúvidas nenhumas que grande parte dos problemas deste país devem-se à “experiência” e vícios da nossa classe política, muita dela criada em “aviários” para com muita “experiência” servir a nação.

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