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Eu e o Ricardo Luz já tivemos acesas discussões, tal como já estivemos juntos em causas nas quais acreditavamos. É um homem de esquerda, foi o líder da JS de Silves, desempenhou vários cargos dentro das estruturas do PS e posso afirmar que sempre defendeu o Partido Socialista... muitas vezes as nossas discordâncias nasceram ai. Poucos conhecem o interior da política local como ele, achei por isso que deveria convidá-lo mas confesso que não pensei que aceitasse. Ainda bem que aceitou pois julgo que contribuiu com uma boa reflexão. Obrigado Ricardo.


Quero começar por agradecer ao Paulo o convite que me endereçou, uma pessoa que aprendi a gostar pela intransigência e pró-atividade na defesa das causas em que acredita. Nem sempre concordamos mas isso prova o espirito democrático que existe nas novas gerações de pessoas atentas à política.

Olhei para esta campanha com especial atenção, tenho uma ideia muito concreta em relação ao modelo de governação autárquica atual que considero esgotado.

Acredito que é urgente reformular a lei eleitoral autárquica no sentido que permita maior participação dos cidadãos nas decisões que os influenciam diretamente, mas até isso acontecer teremos que viver com o modelo que existe.

A prova que a minha observação é cada vez mais real, foi precisamente a campanha autárquica de 2013, onde percebi que nenhum dos candidatos apresentou um verdadeiro projeto de desenvolvimento local que realmente mobilizasse os eleitores, prova disso foi a abstenção e o número de votos brancos e nulos crescente.

Todo o processo político foi invertido, primeiro escolheu-se os candidatos, depois definiu-se a imagem de campanha e só por último se compôs algumas propostas que apontavam em determinado caminho para o futuro e tudo isto sem realmente perceber o que as pessoas do concelho gostariam de ver nesse futuro.

Acredito que a política deve ser praticada com e para as pessoas, o que me leva a dizer que não me revejo em nenhum dos projetos políticos que se apresentaram a votos, não pelas pessoas que os encabeçaram mas sim pela forma como todo o processo foi conduzido, o que levou a que a campanha se alicerçasse em acontecimentos que foram ocorrendo ao longo da pré-campanha e campanha (ora foi a venda da praia, ora o tornado, ora os mosquitos, ora os fait-divers de maledicência entre candidatos), nunca conseguindo criar a envolvência entre projetos políticos e eleitores que acho que era o desejável …

Nos livros de gestão, fala-se muitas vezes da diferença entre chefes e líderes, e o antigo presidente americano Franklin Roosevelt definiu a diferença entre líder e chefe de uma forma que me identifico particularmente, que é a seguinte:

As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia.”.

Os políticos devem ser por definição líderes, devem ser transparentes nas suas intenções e devem trabalhar com todos no sentido de construir algo comum à generalidade dos seus concidadãos. Isso leva também a que se aproximem da matriz e marca ideológica que o seu partido defende, como meio de potenciar a sua mensagem e comunicação politica bem como a sua identidade politica.

Quem melhor conseguiu esse desígnio foi a candidata que ganhou, mantendo uma comunicação e mensagem política coerente com o seu partido e com o trabalho desenvolvido nos últimos 4 anos, e só por isso merece os meus parabéns.

Apesar desta análise, acredito que o concelho de Silves precisa de políticos, de líderes que apontem caminhos e não chefes que guiem os destinos do concelho mediante os desafios de determinado momento.

Ainda tenho esperança que esses líderes apareçam para tornar a nossa vida melhor, as pessoas do concelho de Silves merecem esse sonho.

Ricardo Luz

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