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A fábrica

25.07.10

Keynes, um dos maiores economistas da modernidade e pai da escola keynesiana, tem uma expressão da qual eu gosto particularmente: “Quando os factos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, faz o quê?!”Na realidade mudar de opinião consoante a conjuntura pode ser uma qualidade política e não um defeito, como certos líricos querem fazer crer. São mais do que conhecidos os exemplos à escala nacional mas também os há na esfera autárquica.

Vem isto a propósito da nossa autarquia e da sua presidente, Dra. Isabel Soares, que vê na mudança um sinal de fraqueza e como tal mantém o “rumo” (leia-se opinião) mesmo que isso nos conduza ao abismo. Alguns chamam-lhe coerência, eu chamo-lhe irresponsabilidade… (há quem lhe chame ainda coisas piores).

Numa análise mais atenta às “grandes obras” deste executivo será fácil concluir que metade foi mal planeada e a outra metade chegou tarde ou não chegou a ser concluída. Temos o Teatro Mascarenhas Gregório, que abriu e fechou no dia da inauguração. Temos a Estalagem/Museu do Azeite em São Marcos da Serra, cuja obra já parou por falta de dinheiro. Temos o Museu do Trajo em Messines, que ninguém visita nem se percebe bem porque existe. Temos o Apoio de Praia em Armação de Pêra, que teve o dom de unir os armacenenses em torno de uma causa comum. Temos rotundas feitas onde não eram precisas, outras que são precisas e não são feitas. Temos a Fábrica do Inglês sistematicamente requisitada para eventos que seriam por natureza melhor realizados na abandonada FISSUL. Enfim… apenas as piscinas municipais me parecem uma obra consensual, positiva e construída em tempo útil.

Prepara-se o executivo PSD, com o suposto apoio “contra-natura” da CDU, para comprar os terrenos da antiga Fábrica do Tomate, a poucos quilómetros de Silves, na EN 124, com o pretexto de ali instalar e concentrar todos os serviços camarários. Nobre ideia essa de colocar num único espaço todos os serviços e com isso diminuir custos e aumentar a satisfação das pessoas. É uma ideia quase tão boa como a “de acabar com a fome no mundo”. Quando se falou nela pela primeira vez, ainda no tempo das “vacas-gordas”, confesso que colheu a minha simpatia. Nessa altura ainda não se conheciam valores nem implicações da compra e, apesar do estado das finanças locais não ser famoso, a medida poderia trazer a remota possibilidade de uma poupança (apesar de nós sabermos que poupar em política nunca significa gastar menos dinheiro).

Ora num cenário de crise económica sem fim à vista, com o Governo a sacrificar como nunca os contribuintes, com o desemprego a bater recordes e os subsídios a escassear, com as receitas fiscais do concelho a emagrecer de mês para mês, com a própria autarquia a cobrar taxas e impostos municipais despropositados face ao cobrado nos concelhos vizinhos, com uma dívida a fornecedores que ascende já os 9.000.000,00 de Euros (1 ano após 15.000.000,00 de Euros terem vindo do Terreiro do Paço para pagar dívidas antigas, algumas com mais de 600 dias)… a gestão PSD propõe comprar a Fábrica do Tomate por 1.940.000,00 Euros e gastar depois cerca de 200.000,00 Euros a colocá-la apta para o fim a que se destina! Isto é algo que não consigo compreender.

Desde logo porque a “Ideia” da concentração pode seguramente esperar pela retoma e por tempos mais desafogados nas contas municipais. Depois porque com essa quantia são inúmeros os terrenos e espaços que se podem comprar e adaptar ao efeito. Convêm não esquecer que a sangria de empresas e comércio para a “beira da EN 125” vai deixar muito espaço abandonado no interior do concelho e que os valores do imobiliário tendem a desvalorizar muito mais nessa zona. Finalmente porque ninguém de bom senso acreditará que com 200.000,00 Euros se consiga transformar tamanha área de armazéns em algo que não seja… a mesma área de armazéns pintada e sem mato ao redor. Terão que me explicar como farão esse milagre de conseguir centralizar ali todos os serviços da autarquia, criar condições para que pessoas ali trabalhem e desactivar todos os espaços que actualmente se encontram dispersos com… 200.000 Euros! Cheira-me que esta história da Fábrica do Tomate será o nosso Centro Cultural de Belém e que o valor da operacionalidade do espaço ultrapassará em muito o valor da sua aquisição.

Se fossemos uma câmara “rica” faria sentido comprar nesta altura, aproveitando a baixa de preços no imobiliário, depois esperar por melhores tempos e vender os edifícios e terrenos dispersos. Com o dinheiro obtido nessa venda certamente se financiaria a construção de um espaço novo e pensado de raiz para a centralização de serviços. Como somos uma câmara “falida” o que acontecerá é que vamos comprar caro, pagar ainda mais caro pelo dinheiro que iremos usar para comprar, venderemos com urgência e mal o património disperso (com “a cabeça no cepo” como se diz), pagaremos uma fortuna pela transferência de serviços e adaptação de um espaço velho e inadequado a outro fim, assistiremos a um atirar de responsabilidades entre as diversas forças politicas quando a coisa der para o torto e no final haveremos de ficar, nós os contribuintes, com o “menino nos braços” e mais uma conta por pagar.

Era bom que o PSD utilizasse para si, em Silves, a mesma prudência e responsabilidade que recomendou ao Governo no novo aeroporto e TGV. Era bom que a CDU se lembrasse que fez do ataque ao modelo de gestão de Isabel Soares uma bandeira enquanto foi verdadeira oposição. Era bom que o PS se deixasse de rodeios e de “discursos politicamente correctos” e assumisse de uma vez que é contra este negócio. Era bom que a crise passasse… mas enquanto não passa o óptimo seria que fizéssemos como Keynes.

 

In: Terra Ruiva - Junho de 2010


 

 

PS. É justo dizer que, ao contrário do que corria pelos bastidores da política concelhia, a CDU votou contra a proposta de aquisição da Fábrica do Tomate. Em comunicado o PCP esclareceu a população. Tudo não terá passado de um "boato" que poderia ter sido evitado se alguém daquela força política tivesse falado em tempo oportuno. (Actualizado em 26/07/2010)

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