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O que nos fazia mesmo falta aqui em Silves era um submarino igualzinho àquele que os alemães entregaram à Marinha no início do mês. Nem sei como é que nos “Paços do Concelho” ainda ninguém se lembrou do perigo que é ter as barragens do Funcho e do Arade à mercê de toda a espécie de malfeitores. Somos o concelho do Algarve com o maior espelho de água artificial, é natural que sejam necessários meios que os outros não têm. A barragem do Beliche, por exemplo, ficava segura com uma corveta.

Infelizmente um problema impede que se avance já para a compra do equipamento. Com um calado de 6,6 metros e com a falta de limpeza que as barragens têm corríamos o risco perder o submarino no lodo. Mas esse é o único impedimento… porque dinheiro, em Silves, não é problema. Desde que seja, claro, para coisas supérfluas. Quando se trata de pagar aos fornecedores ou de investir no bem-estar das pessoas, ai a coisa muda e… não há verba.

Se julgam que estou a exagerar… acertaram. Mas se pensarmos um bocadinho encontramos, apenas nos meses mais recentes, uma série de exemplos que me deixam a sonhar com o submarino. Começou com a tentativa de compra da Fábrica do Tomate, onde por quase 2.000.000,00 de euros a CMS passaria a ter um local para concentrar os estaleiros. E não, não eram estaleiros navais, eram apenas serviços e parque automóvel da autarquia. Eu olho para Silves hoje e a primeira coisa que me ocorre é: “Pá, isto com um mega-estaleiro municipal é que era um concelho!”

Ainda mal refeitos da “tomatada” vem a “Ópera no Castelo”. Como é sabido os silvenses são grandes apreciadores de ópera, basta sintonizar a Algarve FM e lá está o João Cardoso a passar “La Traviatta” de Verdi ou “Carmen” de Bizet… isto quando não está a recitar Mário de Sá-Carneiro enquanto as outras rádios passam os blocos informativos. Ora assim sendo é claro que a nem se discute que a Câmara gaste para cima de 100.000 euros num evento apinhado de vips onde, na melhor das hipóteses, a receita de bilheteira poderia chegar aos 20.000 euros. A propósito disso dizia-me um armacenense que com 100.000 euros tinham um belo fogo-de-artifício nesta passagem de ano e evitavam que o pessoal fosse todo passar a meia-noite a Albufeira ou a Portimão. É claro que eu lhe respondi “100.000 euros são 30% do orçamento que a CMS tem para as 31 associações desportivas e sociais do concelho e tu ias gastá-los em foguetes?!! A malta gosta é de ópera, pá!!”

Ainda o Agosto não tinha chegado ao fim e fomos brindados com mais uma brilhante ideia vinda do Largo do Município. Todo o concelho foi inundado com sinais que indicam o melhor percurso para fazer umas belas caminhadas. É que isto de caminhar pela saúde tem mais que se lhe diga! Não pode ser um caminho qualquer. Temos que seguir os sinais porque há caminhos onde por muito que se ande… saúde nem vê-la. Ainda

ontem a rua João de Deus em Messines fazia lembrar um acesso a Fátima no 13 de Maio. O problema foi explicar ao senhor que seguia no “automóvel sem carta de condução” que não teria problemas com a GNR se fosse pelo caminho por onde sempre foi. Não sei quanto custou cada sinal, mas dada a utilidade e a estética sugeria que fizessem miniaturas para a malta colocar na sala, ao lado da “televisão a cores”.

Para as “vindimas” preparam-se mais duas “belas” notícias. A primeira é que vamos ter 63 novos funcionários camarários. O concurso estará por ai a abrir e o objectivo é ajudar os que lá estão a dar conta do “recado”. A coisa tem toda a lógica, com uma quebra superior a 50% no volume de trabalho de algumas secções (nomeadamente nas relacionadas com o imobiliário) o pessoal tem agora muito tempo livre e não tem com quem jogar às cartas (já se sabe que para a “sueca” são precisos 4). A segunda é melhor ainda e vai de encontro ao meu desejo inicial, neste texto. Ao contrário do resto do país, onde existe um advogado por cada 350 habitantes, em Silves não se encontrou nenhum e por isso a CMS vai contemplar uma verba superior a 200.000 euros para pagar os serviços de uma prestigiada firma de advogados lisboeta. Consta-se que com eles “ninguém vai preso”, mas de certeza que os motivos da contratação nada têm a ver com isso… parece que também são muito bons a “negociar submarinos”.

 
 In. jornal "Terra Ruiva" - Setembro de 2010

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A fábrica

25.07.10

Keynes, um dos maiores economistas da modernidade e pai da escola keynesiana, tem uma expressão da qual eu gosto particularmente: “Quando os factos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, faz o quê?!”Na realidade mudar de opinião consoante a conjuntura pode ser uma qualidade política e não um defeito, como certos líricos querem fazer crer. São mais do que conhecidos os exemplos à escala nacional mas também os há na esfera autárquica.

Vem isto a propósito da nossa autarquia e da sua presidente, Dra. Isabel Soares, que vê na mudança um sinal de fraqueza e como tal mantém o “rumo” (leia-se opinião) mesmo que isso nos conduza ao abismo. Alguns chamam-lhe coerência, eu chamo-lhe irresponsabilidade… (há quem lhe chame ainda coisas piores).

Numa análise mais atenta às “grandes obras” deste executivo será fácil concluir que metade foi mal planeada e a outra metade chegou tarde ou não chegou a ser concluída. Temos o Teatro Mascarenhas Gregório, que abriu e fechou no dia da inauguração. Temos a Estalagem/Museu do Azeite em São Marcos da Serra, cuja obra já parou por falta de dinheiro. Temos o Museu do Trajo em Messines, que ninguém visita nem se percebe bem porque existe. Temos o Apoio de Praia em Armação de Pêra, que teve o dom de unir os armacenenses em torno de uma causa comum. Temos rotundas feitas onde não eram precisas, outras que são precisas e não são feitas. Temos a Fábrica do Inglês sistematicamente requisitada para eventos que seriam por natureza melhor realizados na abandonada FISSUL. Enfim… apenas as piscinas municipais me parecem uma obra consensual, positiva e construída em tempo útil.

Prepara-se o executivo PSD, com o suposto apoio “contra-natura” da CDU, para comprar os terrenos da antiga Fábrica do Tomate, a poucos quilómetros de Silves, na EN 124, com o pretexto de ali instalar e concentrar todos os serviços camarários. Nobre ideia essa de colocar num único espaço todos os serviços e com isso diminuir custos e aumentar a satisfação das pessoas. É uma ideia quase tão boa como a “de acabar com a fome no mundo”. Quando se falou nela pela primeira vez, ainda no tempo das “vacas-gordas”, confesso que colheu a minha simpatia. Nessa altura ainda não se conheciam valores nem implicações da compra e, apesar do estado das finanças locais não ser famoso, a medida poderia trazer a remota possibilidade de uma poupança (apesar de nós sabermos que poupar em política nunca significa gastar menos dinheiro).

Ora num cenário de crise económica sem fim à vista, com o Governo a sacrificar como nunca os contribuintes, com o desemprego a bater recordes e os subsídios a escassear, com as receitas fiscais do concelho a emagrecer de mês para mês, com a própria autarquia a cobrar taxas e impostos municipais despropositados face ao cobrado nos concelhos vizinhos, com uma dívida a fornecedores que ascende já os 9.000.000,00 de Euros (1 ano após 15.000.000,00 de Euros terem vindo do Terreiro do Paço para pagar dívidas antigas, algumas com mais de 600 dias)… a gestão PSD propõe comprar a Fábrica do Tomate por 1.940.000,00 Euros e gastar depois cerca de 200.000,00 Euros a colocá-la apta para o fim a que se destina! Isto é algo que não consigo compreender.

Desde logo porque a “Ideia” da concentração pode seguramente esperar pela retoma e por tempos mais desafogados nas contas municipais. Depois porque com essa quantia são inúmeros os terrenos e espaços que se podem comprar e adaptar ao efeito. Convêm não esquecer que a sangria de empresas e comércio para a “beira da EN 125” vai deixar muito espaço abandonado no interior do concelho e que os valores do imobiliário tendem a desvalorizar muito mais nessa zona. Finalmente porque ninguém de bom senso acreditará que com 200.000,00 Euros se consiga transformar tamanha área de armazéns em algo que não seja… a mesma área de armazéns pintada e sem mato ao redor. Terão que me explicar como farão esse milagre de conseguir centralizar ali todos os serviços da autarquia, criar condições para que pessoas ali trabalhem e desactivar todos os espaços que actualmente se encontram dispersos com… 200.000 Euros! Cheira-me que esta história da Fábrica do Tomate será o nosso Centro Cultural de Belém e que o valor da operacionalidade do espaço ultrapassará em muito o valor da sua aquisição.

Se fossemos uma câmara “rica” faria sentido comprar nesta altura, aproveitando a baixa de preços no imobiliário, depois esperar por melhores tempos e vender os edifícios e terrenos dispersos. Com o dinheiro obtido nessa venda certamente se financiaria a construção de um espaço novo e pensado de raiz para a centralização de serviços. Como somos uma câmara “falida” o que acontecerá é que vamos comprar caro, pagar ainda mais caro pelo dinheiro que iremos usar para comprar, venderemos com urgência e mal o património disperso (com “a cabeça no cepo” como se diz), pagaremos uma fortuna pela transferência de serviços e adaptação de um espaço velho e inadequado a outro fim, assistiremos a um atirar de responsabilidades entre as diversas forças politicas quando a coisa der para o torto e no final haveremos de ficar, nós os contribuintes, com o “menino nos braços” e mais uma conta por pagar.

Era bom que o PSD utilizasse para si, em Silves, a mesma prudência e responsabilidade que recomendou ao Governo no novo aeroporto e TGV. Era bom que a CDU se lembrasse que fez do ataque ao modelo de gestão de Isabel Soares uma bandeira enquanto foi verdadeira oposição. Era bom que o PS se deixasse de rodeios e de “discursos politicamente correctos” e assumisse de uma vez que é contra este negócio. Era bom que a crise passasse… mas enquanto não passa o óptimo seria que fizéssemos como Keynes.

 

In: Terra Ruiva - Junho de 2010


 

 

PS. É justo dizer que, ao contrário do que corria pelos bastidores da política concelhia, a CDU votou contra a proposta de aquisição da Fábrica do Tomate. Em comunicado o PCP esclareceu a população. Tudo não terá passado de um "boato" que poderia ter sido evitado se alguém daquela força política tivesse falado em tempo oportuno. (Actualizado em 26/07/2010)

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Fiquem preocupados, silvenses! Fiquem preocupados!

Ao que parece a nossa presidente, e “brilhante estratega”, Dra. Isabel Soares - responsável por “hits” como o Teatro Mascarenhas Gregório, a FISSUL Moderna, a Casa da Cultura Islâmica, o Museu do Traje ou o Museu/Estalagem do Azeite – está mesmo decidida a comprar a Fábrica do Tomate para ali concentrar “todos” os serviços camarários.

Deslocar tais serviços 5 km da cidade de Silves é uma “estratégia brilhante” (repito o adjectivo porque não me consigo lembrar doutro melhor):

 

- Estimula a economia – desde logo porque iremos necessitar de construir um Metro de Superfície para que funcionários e utentes se possam deslocar à “Fábrica”. Será uma espécie de TGV dos “desgraçadinhos” com ligação da Cruz de Portugal até à Pedreira que fomentará a economia. Além disso os tais 200.000 euros que dizem ser necessários para transformar a fábrica num espaço onde possam trabalhar pessoas dão vontade de rir… provavelmente dizem apenas respeito ao ar condicionado ou à instalação eléctrica, o que me leva a supor que muito mais dinheiro será “derramado” sobre o “tecido empresarial local”.

- Diminui o desemprego – a medida irá deixar novamente a câmara com espaço para criar mais empresas municipais e poder contratar mais “jotas” e “amigos”. Actualmente, mais do que os problemas orçamentais, são os problemas de falta de espaço que têm levado a câmara a conter-se na contratação de assistentes, consultores, assessores e doutores. Existem relatos de que todas as arrecadações e armários do edifício da Câmara com mais de 4m² estão a ser ocupados por “valiosos colaboradores”.

 

- Melhora a qualidade do serviço – os serviços camarários passam a ficar mais perto dos munícipes (pelo menos dos de Messines) e mais longe do “mau cheiro” do Falacho. Além disso evita-se subir e descer escadas à procura do responsável de secção, evita-se as dificuldades de estacionamento e pode-se finalmente investir num “ultra-moderno” e caríssimo sistema de triagem dos utentes (assim tipo Loja do Cidadão… que poupa trabalho a 3 ou 4 pessoas no contacto com o publico, mas dá trabalho a 8 ou 9 na manutenção, apoio e supervisão).

- Rentabiliza recursos – os funcionários e “colaboradores valiosos” da autarquia terão que almoçar mais vezes na cantina, o que rentabilizará o tempo do pessoal da cozinha. E já que se dá uma forte machadada na, já de si fraca, restauração da cidade acho que era de arriscar a abrir uma empresa público/privada (gerida por algum “Jota “ com formação em restauração) que servisse refeições aos utentes e a público em geral com vista para o rio e laranjal. Uma daquelas empresas (tipo Brisa) que, quando dá lucros, divide com os accionistas e quando dá prejuízo manda a factura para pagarmos.

- Melhora o ambiente – Melhora consideravelmente a qualidade do ar na cidade de Silves, quanto mais não seja pelo facto do parque automóvel da autarquia passar a concentrar-se fora.  Apenas o Enxerim sofrerá com a situação, nas horas de ponta, com as filas junto à ponte sobre o Arade entre as 9:20 e as 10:40H (hora em que vão trabalhar) e entre as 16: 40 e 17:20 (hora em que já estão de regresso). É possível que uma nova ponte sobre o Arade venha a ser desenvolvida entre a existente e a que será construída para o Metro de Superfície.

Em termos de conjuntura político-económica também tudo parece estar OK. Sendo este o último mandato de Isabel Soares faz sentido que deixe uma grande obra (que PS ou CDU pagarão caro no futuro), tipo Centro Cultural de Belém na era de Cavaco (que português conseguiria viver sem o Centro Cultural de Belém??!!). Economicamente a compra de um “mamarracho” nesta altura por 2.000.000 de euros, por parte de uma Câmara falida, é um claro sinal à economia de que estes são bons tempos para investir… Obrigado por isso!

Assim de repente não me consigo lembrar de nenhuma desvantagem em “derreter” 2.000.000 de euros que não temos numa megalomania (mais uma) da presidente. Vocês conseguem?!

PS – Aqui fica o link do “Comunicado do PS Silves”. Subscrevo totalmente todo o texto,

PS1 – Será um autêntico escândalo se a CDU viabilizar esta “coisa”. Foram eleitos em grande parte por se assumirem discordantes com os erros de gestão deste executivo… não acredito que passado menos de 1 ano “enfiem a viola no saco” e em troca de contrapartidas ocultas aceitem uma coisa destas.

PS2 – O que se passa com o Museu/Estalagem do Azeite em São Marcos da Serra?! Não me digam que não há dinheiro?!!

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